RESUMO
O Breguet Classique Ref. 7147, lançado em 2016 como o sucessor do estimado Ref. 5140, representa uma destilação pura e magistral dos códigos estéticos que definiram a alta relojoaria por mais de dois séculos. Posicionado no ápice do mercado de relógios de gala, o 7147 não é meramente um instrumento para medir o tempo, mas um testemunho da arte e do engenho. A sua filosofia de design assenta numa busca pela elegância minimalista, onde cada elemento tem um propósito e uma herança. O mostrador em esmalte Grand Feu, de um branco imaculado e profundo, serve de tela para os icónicos ponteiros Breguet em aço azulado e os delicados numerais árabes. A decisão de deslocar os pequenos segundos para a posição das 5 horas, uma consequência da arquitetura do seu movimento ultrafino, confere ao relógio um caráter distinto e uma assimetria charmosa. Este modelo destina-se ao colecionador conhecedor, que valoriza a tradição artesanal e a inovação técnica discreta. A sua importância reside na forma como equilibra perfeitamente o património histórico de Abraham-Louis Breguet com a tecnologia de vanguarda, como a utilização de silício no escape, tornando-o uma referência definitiva do relógio de gala clássico na era contemporânea.
HISTÓRIA
Lançado na Baselworld de 2016, o Breguet Classique Ref. 7147 emergiu num período em que a indústria relojoeira redescobria o valor do classicismo e da elegância discreta. Assumindo a nobre tarefa de suceder ao popular Ref. 5140, o 7147 não foi uma mera atualização, mas sim uma reinterpretação focada na pureza e na excelência artesanal. O seu predecessor, o 5140, era um pilar da coleção com os seus 40mm e, frequentemente, com mostradores guilhochados e segundos centrais. O 7147, contudo, propôs uma visão diferente. Manteve o diâmetro de 40mm, mas reduziu drasticamente a espessura para uns meros 6.1mm, entrando no território dos relógios extrafinos. A mudança mais significativa foi a adoção do calibre 502.3SD. Este movimento é uma evolução moderna do lendário calibre 502, baseado no histórico Frédéric Piguet 71, um dos movimentos automáticos mais finos do mundo. A sua arquitetura, com um rotor de corda descentralizado para minimizar a espessura, posiciona naturalmente o eixo dos pequenos segundos longe do centro. Em vez de contornar esta característica, a Breguet abraçou-a, transformando uma necessidade técnica num elemento de design icónico. Ao colocar o submostrador de segundos às 5 horas, a marca criou um layout dinâmico e instantaneamente reconhecível, que quebra a simetria formal de forma harmoniosa. A escolha do mostrador em esmalte Grand Feu para a versão de lançamento foi uma declaração de intenções. Esta técnica ancestral, que exige um savoir-faire imenso e resulta numa cor e textura inimitáveis, elevou o 7147 de um simples relógio de gala a uma obra de arte. Distanciou-se do guilloché, outra assinatura da Breguet, para oferecer uma pureza quase absoluta, onde a legibilidade e a beleza dos numerais e ponteiros Breguet podiam brilhar sem distrações. A introdução de componentes de silício no órgão regulador do movimento consolidou o seu estatuto como um relógio do século XXI: classicismo por fora, vanguarda tecnológica por dentro. O 7147 não passou por grandes gerações ou 'Marks' desde o seu lançamento, mas a Breguet expandiu a referência com variações, nomeadamente uma versão com um deslumbrante mostrador azul em esmalte Grand Feu, e mais tarde, reintroduzindo o guilloché em outras iterações, mostrando a versatilidade do design. O seu impacto foi imediato, sendo aclamado como um dos mais belos e equilibrados relógios de gala do mercado, solidificando a reputação da Breguet como a guardiã da mais alta tradição relojoeira, capaz de inovar sem nunca trair o seu legado.
CURIOSIDADES
A 'Assinatura Secreta': Tal como nos relógios históricos de A.-L. Breguet, o mostrador do 7147 exibe uma assinatura secreta, gravada de forma quase invisível, geralmente perto do número 12, como uma medida antifalsificação pioneira.
Herança Ultrafina: O calibre 502.3SD descende do Frédéric Piguet 71, um movimento revolucionário dos anos 70 que deteve o recorde de calibre automático mais fino do mundo durante muitos anos.
Arte do Fogo: Cada mostrador de esmalte 'Grand Feu' é único devido ao processo de cozedura a temperaturas de cerca de 800°C. A taxa de insucesso é elevada, tornando cada mostrador perfeito um pequeno tesouro.
Assimetria Histórica: A disposição descentralizada dos segundos não é apenas uma idiossincrasia moderna; ecoa a disposição de alguns relógios de bolso históricos da Breguet, onde a funcionalidade da arquitetura do movimento ditava a estética do mostrador.
A Vanguarda do Silício: A utilização de uma espiral e escape em silício não só melhora a precisão e a fiabilidade, como torna o coração do relógio resistente a campos magnéticos, um problema comum no mundo moderno.
Designação do Calibre: A terminação 'SD' em 502.3SD refere-se às complicações 'Secondes Décentrées' (Segundos Descentralizados).
Asas Soldadas: As asas da caixa não são parte integrante da mesma, mas sim soldadas individualmente, uma técnica tradicional que permite um acabamento mais fino e elegante nas transições, fixadas por barras de rosca em vez de pinos de mola, garantindo maior segurança.