RESUMO
Lançado em 2013, o Breguet Classique Chronograph Ref. 5287 representa uma transição magistral entre a herança histórica da maison e as sensibilidades contemporâneas. Sucedendo o aclamado Ref. 5247, este modelo foi concebido para um colecionador que aprecia a pureza mecânica e os códigos de design intemporais de Breguet, mas que prefere uma presença mais assertiva no pulso. Com a sua caixa ampliada e a adição de uma escala taquimétrica, o 5287 posiciona-se como um cronógrafo de gala com uma alma de instrumento técnico. A sua filosofia de design é um estudo de equilíbrio: a elegância inconfundível dos ponteiros Breguet, da caixa canelada e dos mostradores artesanais (em esmalte 'Grand Feu' ou ouro guilhochado à mão) é justaposta à funcionalidade de um cronógrafo clássico. Não é um relógio desportivo, mas sim um testemunho da capacidade de Abraham-Louis Breguet em criar instrumentos de precisão que eram também objetos de arte. A sua significância reside em demonstrar como a mais venerável das manufaturas pode evoluir a sua coleção principal, adaptando-se a novos padrões dimensionais, sem nunca comprometer a integridade artesanal e a sofisticação que definem o nome Breguet. É uma peça para o conhecedor que entende a história contida no seu movimento lendário e aprecia a arte no seu mostrador.
HISTÓRIA
O Breguet Classique Chronograph Ref. 5287, apresentado ao mundo em 2013, marcou um momento de evolução deliberada para uma das mais prestigiadas linhas da manufatura. Nascido numa era pós-crise financeira, onde a indústria relojoeira reavaliava as suas coleções, o 5287 surgiu não como uma revolução, mas como uma reafirmação do domínio de Breguet na cronometragem clássica, adaptada a um novo paradigma. O seu antecessor direto, o Ref. 5247, era universalmente amado pelo seu diâmetro perfeito de 39mm e pela sua pureza estética, especialmente nas versões com mostrador em esmalte. No entanto, a tendência para caixas maiores era inegável, e Breguet respondeu com o 5287, aumentando o diâmetro para uns consideráveis 42.5mm. Esta mudança dimensional foi o catalisador para uma completa reinterpretação do design do mostrador. Onde o 5247 era a essência de um cronógrafo de gala, o 5287 introduziu uma escala taquimétrica na periferia, conferindo-lhe um carácter mais instrumental e uma complexidade visual acrescida. Esta decisão foi um aceno subtil à história de Breguet como fornecedor de instrumentos de precisão. O coração da peça, contudo, permaneceu fiel à mais pura tradição. O Calibre 533.3 é a designação de Breguet para a sua versão do lendário movimento de corda manual Lemania 2310. Este é, sem exagero, um dos mais importantes calibres de cronógrafo com roda de colunas já criados, partilhando a sua arquitetura base com o Calibre 321 da Omega (usado no Speedmaster original) e o CH 27-70 da Patek Philippe. A versão de Breguet é, como esperado, soberbamente acabada, visível através do fundo de safira, exibindo um espetáculo de pontes, alavancas e rodas polidas à mão que representam o auge da relojoaria tradicional. Ao longo da sua produção, o 5287 foi oferecido principalmente em duas variações de mostrador que cativam diferentes tipos de colecionadores. A primeira, com um mostrador em ouro maciço prateado, é uma tela para a mestria de Breguet na arte do guilhochê, com múltiplos padrões distintos (como 'Clous de Paris' e 'grain d'orge') a delinear as diferentes secções do mostrador. A segunda, mais rara e purista, apresenta um mostrador em esmalte 'Grand Feu', cuja superfície branca vítrea e imaculada evoca os relógios de bolso do século XVIII. O 5287, portanto, não é apenas um relógio; é uma ponte entre o passado e o presente. Ele encapsula o dilema da relojoaria moderna: como honrar uma herança de 250 anos enquanto se permanece relevante para o colecionador do século XXI. O seu impacto foi o de solidificar a linha Classique Chronograph para uma nova geração, provando que os códigos de design de Breguet não são apenas históricos, mas também adaptáveis e eternos.
CURIOSIDADES
A linhagem do movimento: O calibre 533.3 é baseado no Lemania 2310, um dos 'três grandes' movimentos de cronógrafo manual, juntamente com o Valjoux 72 e o Venus 175. A sua arquitetura foi utilizada por marcas como Patek Philippe, Vacheron Constantin e Omega, tornando o 5287 parte de uma elite horológica.
A assinatura secreta: Fiel à tradição iniciada por A.-L. Breguet para combater a contrafação, a maioria dos mostradores do 5287 apresenta uma 'assinatura secreta' extremamente ténue, gravada no mostrador, geralmente perto do numeral 12, visível apenas com a luz certa.
Arte no mostrador de ouro: Nas versões com mostrador prateado, a base não é de latão, mas de ouro maciço. O complexo trabalho de guilhochê é realizado em tornos centenários operados à mão, uma arte que poucas manufaturas ainda dominam a este nível.
Um debate de puristas: O aumento de 39mm (Ref. 5247) para 42.5mm (Ref. 5287) gerou um intenso debate entre colecionadores na altura do seu lançamento, com puristas a preferirem as proporções clássicas do antecessor e outros a aplaudirem a presença moderna do novo modelo.
A pureza do esmalte 'Grand Feu': A versão com mostrador de esmalte é particularmente cobiçada. O processo 'Grand Feu' envolve a aplicação de pó de sílica e óxidos e a sua cozedura a temperaturas superiores a 800°C, um método com uma alta taxa de insucesso que resulta num mostrador inalterável e de uma profundidade única.
Sem data, por design: A omissão deliberada de uma janela de data é uma escolha estética para preservar a simetria e a pureza do layout bicompax, um detalhe muito apreciado por entusiastas de cronógrafos clássicos.
Asas soldadas: As asas da caixa não são integradas, mas sim soldadas ao corpo principal da caixa, uma técnica tradicional que exige grande habilidade e resulta numa transição mais elegante e robusta.