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A Lenda Dourada de 1982: Longines Agassiz Edição Comemorativa do 150º Aniversário e a Apoteose da Elegância Ultra-Fina


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Coleção ultra-fina em ouro 18k lançada para o 150º aniversário da marca, homenagem ao fundador Auguste Agassiz.

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RESUMO

Em 1982, a indústria relojoeira suíça atravessava um período de profunda transformação, marcado pela 'Crise do Quartzo'. Neste cenário turbulento, a Longines celebrou seu sesquicentenário (150 anos) não apenas como um ato de sobrevivência, mas como uma afirmação de luxo e tradição inabalável. O lançamento da coleção 'Agassiz', especificamente a edição comemorativa em ouro 18k, representou o auge desta celebração. Esta peça não era apenas um instrumento de cronometragem, mas uma homenagem tangível a Auguste Agassiz, o fundador que estabeleceu o comptoir em 1832. O modelo de 1982 distingue-se pela sua arquitetura 'ultra-fina' (ultra-thin), uma proeza técnica que desafiava os limites da engenharia de caixas e movimentos da época. Enquanto o mercado era inundado por relógios digitais e utilitários, o Longines Agassiz 150º Aniversário posicionou-se no extremo oposto: uma joia horológica de pureza estética absoluta. Construído inteiramente em ouro amarelo 18k, o relógio exibia um perfil de 'borda de faca' (couteau) que o fazia desaparecer sob o punho de uma camisa social, oferecendo uma elegância discreta, porém opulenta. Esta coleção serviu como o projeto fundamental para o que viria a ser a identidade de design clássico da Longines nas décadas seguintes, reafirmando o status da 'Ampulheta Alada' no panteão da Alta Relojoaria.

HISTÓRIA

A história do modelo Longines Agassiz de 1982 é inseparável da própria gênese da marca e do contexto geopolítico da relojoaria no final do século XX. Para compreender a gravidade desta peça, deve-se voltar a 1832, em Saint-Imier, onde Auguste Agassiz fundou o que se tornaria a Longines. Agassiz não era apenas um relojoeiro; era um visionário comercial com conexões familiares na ciência (seu irmão era o famoso naturalista Louis Agassiz) e nos negócios internacionais. Ele estabeleceu uma rede que levou os relógios suíços às Américas muito antes de seus concorrentes. Cento e cinquenta anos depois, em 1982, a Longines enfrentava o desafio existencial da Revolução do Quartzo. Marcas históricas estavam desaparecendo ou sendo fundidas. A estratégia da Longines para seu 150º aniversário foi audaciosa: em vez de competir no mercado de baixo custo, a marca elevou-se, recuperando seu patrimônio de luxo. A coleção batizada de 'Agassiz' foi a ponta de lança dessa estratégia. O objetivo era criar o relógio social definitivo — uma peça que transcendesse a moda passageira e evocasse a intemporalidade. O design do Agassiz 1982 foi meticulosamente planejado para ser a antítese dos relógios volumosos e complexos da época. A caixa foi concebida com asas (lugs) incrivelmente discretas, por vezes quase invisíveis ou integradas, para dar destaque total ao círculo perfeito do mostrador. A construção em ouro 18k não era apenas um banho ou revestimento; era maciça, sinalizando valor intrínseco num momento de incerteza econômica. Tecnicamente, o modelo foi um triunfo da miniaturização. A Longines utilizou seus calibres mais finos disponíveis. Em muitas versões comemorativas de 1982, a marca empregou o Calibre L950, um movimento a quartzo de espessura mínima que permitia que a caixa total do relógio tivesse apenas alguns milímetros de altura. Para os puristas, havia versões com o lendário calibre mecânico L847, um movimento de corda manual que competia em espessura com os famosos calibres da Piaget e Jaeger-LeCoultre da mesma era. O legado deste modelo de 1982 é imenso. Ele estabeleceu a linguagem de design que mais tarde evoluiria para a coleção 'La Grande Classique de Longines', que mantém o status de best-seller da marca até hoje. O Agassiz de 1982 provou que, mesmo num mundo digitalizado, havia um desejo insaciável pela beleza analógica, pelo ouro quente e pela tradição suíça. Ele salvou a alma da Longines ao lembrar ao mundo — e à própria empresa — de onde ela vinha.

CURIOSIDADES

1. Conexão Familiar: O nome da coleção homenageia Auguste Agassiz, mas poucos sabem que ele era irmão de Louis Agassiz, um dos biólogos e geólogos mais famosos do século XIX, criando uma ponte única entre a horologia e a ciência acadêmica. 2. Ouro de Jubileu: Para o 150º aniversário, a Longines produziu uma série limitada de moedas e relógios de bolso Agassiz em ouro maciço, além dos relógios de pulso, tornando o ano de 1982 o 'Ano Dourado' da marca. 3. Construção 'Couteau': A caixa do Agassiz utiliza um design de 'faca', onde o fundo da caixa é menor que o bisel, criando uma ilusão ótica que faz o relógio parecer ainda mais fino no pulso do que as medidas reais indicam. 4. O Calibre L950: O movimento de quartzo usado em muitas dessas peças de 1982 tinha menos de 2mm de espessura, uma maravilha da microeletrônica da época, desenvolvido para competir com a tecnologia japonesa em termos de refinamento, não apenas precisão. 5. Precursor do La Grande Classique: Embora visualmente similar, o Agassiz difere do 'La Grande Classique' (lançado posteriormente) pela construção das asas; o Agassiz possui asas tradicionais ou integradas, enquanto o La Grande Classique usa um sistema patenteado de fixação única na caixa. 6. Prêmios de Design: A estética ultra-minimalista introduzida com a linha Agassiz na década de 80 ajudou a Longines a ganhar vários prêmios 'Cadran d'Or' (Mostrador de Ouro) por excelência em design de luxo.

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