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Longines W.W.W. Ref. 23088 'Greenlander': O Graal da Coleção 'Dirty Dozen' e a Verdade por Trás do Mito Ártico (1945)


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Produzido para o Ministério da Defesa Britânico (MoD) sob a especificação Watch, Wrist, Waterproof. Equipado com o calibre 12.68Z em caixa de aço de 38mm. Frequentemente apelidado por colecionadores de Greenlander (embora nunca tenha sido usado na Groenlândia).

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RESUMO

O Longines W.W.W. (Watch, Wrist, Waterproof) Ref. 23088, produzido em 1945, representa um dos ápices da horologia militar do século XX. Como um dos doze relógios encomendados pelo Ministério da Defesa Britânico (MoD) no final da Segunda Guerra Mundial — um grupo coletivamente conhecido como 'The Dirty Dozen' — o modelo da Longines destaca-se imediatamente dos seus pares. Diferenciando-se pela sua caixa superdimensionada para a época (38mm) e um design de 'bezel' em degraus (stepped case) característico, ele transcende a mera utilidade militar para se tornar uma peça de escultura industrial. Equipado com o lendário calibre 12.68Z, um movimento de corda manual celebrado pela sua robustez e acabamento dourado superior, este relógio foi construído para suportar os rigores do combate, embora tenha chegado tarde demais para ver ação significativa na Segunda Guerra. O apelido 'Greenlander' é talvez a sua característica mais infame; derivado de uma crença errônea, propagada por décadas na literatura horológica, de que estes relógios foram o equipamento oficial da Expedição Britânica ao Norte da Groenlândia na década de 1950. Apesar de a história ter provado que este fato é falso, o nome persiste, adicionando uma camada de mística a um relógio que, por mérito técnico e estético, é frequentemente considerado pelos especialistas como o mais desejável e refinado de toda a série 'Dirty Dozen'.

HISTÓRIA

A história do Longines W.W.W. Ref. 23088 é inseparável do contexto logístico e militar desesperado de 1944-1945. À medida que a Segunda Guerra Mundial se aproximava do seu clímax, o Ministério da Defesa Britânico (MoD) determinou que os relógios de padrão A.T.P. (Army Trade Pattern) anteriores já não eram suficientes para as exigências da guerra moderna. Eles precisavam de instrumentos mais robustos, legíveis e, crucialmente, à prova d'água. Assim nasceu a especificação W.W.W. (Watch, Wrist, Waterproof). Doze fabricantes suíços foram escolhidos para cumprir esta ordem: Buren, Cyma, Eterna, Grana, Jaeger-LeCoultre, Lemania, Longines, IWC, Omega, Record, Timor e Vertex. Este grupo ficou conhecido no vernáculo dos colecionadores como 'The Dirty Dozen'. Entre estes, a Longines entregou aproximadamente 5.000 a 8.000 unidades (as estimativas variam, mas é considerado um dos menos comuns quando comparado à Omega ou Record). O que tornou a submissão da Longines única foi a recusa em comprometer a qualidade pelo custo ou velocidade. Enquanto muitos outros fabricantes produziram caixas utilitárias simples, a Longines utilizou uma caixa de aço inoxidável de 38mm com um 'stepped bezel' (bezel em degrau) e asas robustas, criando uma estética arquitetônica que era incomum para um relógio de dotação militar. Internamente, o relógio era impulsionado pelo Calibre 12.68Z. Diferente dos movimentos mais rústicos encontrados em alguns dos outros doze, o 12.68Z era um movimento de alta horologia, equipado com um balanço de compensação bimetálico e um acabamento dourado que protegia contra a corrosão. Era, em essência, um motor de Ferrari dentro de um tanque de guerra. No entanto, a 'lenda' deste modelo foi cimentada por um erro histórico. Durante anos, colecionadores e autores (notavelmente em livros de referência italianos dos anos 90) afirmaram que o Longines W.W.W. foi o relógio oficial da 'British North Greenland Expedition' (1952-1954). A robustez do relógio e o seu tamanho faziam com que essa teoria parecesse plausível. O apelido 'Greenlander' pegou e valorizou o modelo no mercado. Contudo, investigações modernas e o acesso aos diários da expedição revelaram que a equipe utilizou, na verdade, os recém-lançados Tudor Oyster Prince. O Longines nunca esteve oficialmente na Groenlândia. Ironicamente, a descoberta desta falsidade não diminuiu o valor do relógio; pelo contrário, a comunidade passou a valorizá-lo ainda mais pela sua raridade intrínseca e pela sua construção superior, mantendo o nome 'Greenlander' como um termo de carinho e reconhecimento histórico de um dos maiores mitos da relojoaria militar.

CURIOSIDADES

O apelido 'Greenlander' é um nome impróprio; o relógio nunca foi usado na Expedição Britânica do Norte da Groenlândia (eles usaram Tudor), mas o nome persiste entre colecionadores. É amplamente considerado um dos 'Três Grandes' da coleção Dirty Dozen, ao lado do IWC Mk X e do Jaeger-LeCoultre, devido à qualidade superior de construção. Ao contrário da maioria dos relógios Dirty Dozen que mediam cerca de 35mm, o Longines possui imponentes 38mm, tornando-o extremamente usável para os padrões modernos. A Longines utilizou o mesmo design de caixa 'stepped' (em degraus) em referências civis extremamente raras da mesma época, que hoje são tão valiosas quanto a versão militar. Os ponteiros originais são do tipo 'Catedral' com preenchimento de Rádio; encontrar exemplares com o lume original intacto é extremamente difícil devido à degradação do material radioativo. No fundo da caixa, cada fabricante do Dirty Dozen tinha uma letra de código designada; o código da Longines é 'F'. O Calibre 12.68Z utilizado neste relógio é frequentemente citado por relojoeiros como um dos movimentos de corda manual mais confiáveis e bem projetados já feitos pela Longines.

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