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Longines Siderograph (1938): O Pináculo da Navegação Sideral e a Revolução Técnica do Calibre 12.68Z em Alumínio


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Instrumento de navegação aérea sideral em alumínio, Calibre 12.68Z modificado com segundos centrais indiretos.

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RESUMO

O Longines Siderograph, introduzido por volta de 1938, representa um dos artefatos mais sofisticados e raros da história da horologia aeronáutica. Concebido não apenas como um relógio, mas como um computador de voo analógico dedicado, este instrumento foi desenhado para simplificar radicalmente os complexos cálculos de posicionamento astronômico. Diferente dos relógios de ângulo horário 'Lindbergh', que se baseiam no tempo solar, o Siderograph opera com o Tempo Sideral de Greenwich (Greenwich Sidereal Time - GST). Construído em uma caixa leve de alumínio — uma escolha de material vanguardista para a época, visando a redução de peso no cockpit e propriedades antimagnéticas — ele abriga o lendário calibre 12.68Z. Este movimento, fundamental na história da Longines, foi extensivamente modificado com trens de engrenagens acelerados para acompanhar o dia sideral, que é aproximadamente 3 minutos e 56 segundos mais curto que o dia solar médio. Com segundos centrais indiretos e uma função de parada (hacking) para sincronização precisa via rádio, o Siderograph permitia que navegadores convertessem o tempo diretamente em graus e minutos de arco, eliminando a necessidade de múltiplas tabelas de conversão e almanaques durante voos noturnos de longa distância.

HISTÓRIA

A história do Longines Siderograph de 1938 é intrínseca à Era de Ouro da aviação e à necessidade desesperada de métodos de navegação autônomos e precisos antes do advento do GPS ou dos sistemas inerciais. No final da década de 1930, a Longines já havia se estabelecido como a fornecedora oficial da FAI (Fédération Aéronautique Internationale) e colaborado com ícones como Philip Van Horn Weems e Charles Lindbergh. No entanto, o Siderograph foi uma evolução técnica destinada especificamente aos 'navegadores celestiais' de elite. O desafio fundamental que o Siderograph buscava resolver era a discrepância entre o tempo solar (usado na vida civil) e o tempo sideral (baseado na rotação da Terra em relação a estrelas fixas distantes, especificamente o Primeiro Ponto de Áries). Para um navegador determinar sua longitude à noite observando as estrelas, ele precisava saber o Tempo Sideral de Greenwich (GST). Tradicionalmente, isso exigia um cronômetro de alta precisão ajustado para o tempo civil, seguido de cálculos aritméticos propensos a erros usando almanaques náuticos para converter horas civis em tempo sideral e, subsequentemente, em graus de arco. A Longines, em um feito de engenharia micromecânica, modificou o robusto calibre 12.68Z. A relação de transmissão foi alterada para que o relógio 'corresse' mais rápido, completando um ciclo virtual de 24 horas siderais no tempo que a Terra leva para completar uma rotação real (23 horas, 56 minutos e 4,0916 segundos do tempo solar). Isso significava que o relógio estava em perfeita sincronia com a esfera celeste. O mostrador do Siderograph rompeu completamente com a convenção. Em vez de 1 a 12 horas, ele apresentava escalas calibradas em graus. O ponteiro dos segundos, por exemplo, varria um arco de minutos angulares. Isso permitia que o navegador olhasse para o relógio e obtivesse a posição angular de Greenwich em relação ao equinócio vernal instantaneamente. O uso do alumínio para a caixa em 1938 não foi acidental; além de ser leve, minimizava a interferência magnética nos compassos da aeronave, um detalhe crucial em cabines de comando apertadas. Devido à sua complexidade, custo e aplicação de nicho, pouquíssimas unidades foram produzidas. Eles eram instrumentos científicos, não joias, e muitos foram perdidos em combate, acidentes ou descartados após a obsolescência tecnológica. Hoje, encontrar um Siderograph de 1938 em condições originais, com seu calibre 12.68Z modificado funcionando corretamente, é considerado por especialistas como a descoberta de um 'Santo Graal' da horologia militar e de navegação.

CURIOSIDADES

1. O Calibre 12.68Z modificado para o Siderograph 'ganha' cerca de 3 minutos e 56 segundos por dia em relação a um relógio padrão, tornando-o inútil para uso civil diário, mas perfeito para as estrelas. 2. Existem registros de que estes relógios foram testados e utilizados em voos transatlânticos experimentais e operações militares secretas de reconhecimento de longo alcance antes da Segunda Guerra Mundial. 3. O mostrador apresenta frequentemente cores distintas (vermelho e preto) para diferenciar as escalas de graus dos minutos de arco, facilitando a leitura sob luz vermelha de cockpit. 4. A caixa de alumínio é extremamente macia e propensa a danos; encontrar um exemplar sem marcas profundas de uso ('battle scars') é virtualmente impossível. 5. Em leilões de alto perfil (como Phillips ou Christie's), o Siderograph alcança valores exponencialmente maiores que o modelo Lindbergh Hour Angle padrão devido à sua extrema raridade. 6. A função de 'segundos mortos' ou 'hacking' (parada do balanço ao puxar a coroa) era vital, pois o navegador precisava sincronizar o relógio ao segundo exato com o sinal de tempo via rádio (Bip da BBC ou similar) antes da decolagem. 7. Diferente de um relógio comum que divide o dia em 24 horas, o Siderograph divide a rotação da Terra em 360 graus; assim, o ponteiro de 'horas' percorre escalas de graus, efetivamente transformando o tempo em geometria.

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