RESUMO
O Breguet Classique Chronométrie Ref. 7727, apresentado em 2013, representa um dos feitos mais significativos da horologia moderna, uma síntese perfeita entre a estética neoclássica da marca e uma inovação tecnológica disruptiva. Posicionado no ápice da coleção Classique, este não é um simples relógio de cerimónia; é uma declaração de supremacia técnica disfarçada de elegância intemporal. O seu público-alvo é o colecionador erudito, aquele que compreende e valoriza tanto a arte do guilloché manual quanto a física avançada por trás de um balanço que levita magneticamente. A filosofia de design é um estudo de contrastes: a face do relógio exibe todos os códigos históricos de Abraham-Louis Breguet — ponteiros 'pomme', numerais romanos, múltiplos padrões de guilloché — enquanto, sob o mostrador, pulsa o Calibre 574DR a uma frequência estonteante de 10Hz. A sua importância é monumental, consagrada pela conquista da 'Aiguille d'Or' no GPHG de 2014, o prémio máximo da relojoaria. Ao transformar o magnetismo, o inimigo tradicional da precisão, num aliado, a Breguet não apenas resolveu problemas centenários de atrito e gravidade, mas também redefiniu os limites do desempenho cronométrico num relógio de pulso mecânico.
HISTÓRIA
Lançado em 2013, o Classique Chronométrie Ref. 7727 não foi uma mera evolução de um modelo existente, mas sim um salto quântico para a Breguet e para a indústria relojoeira como um todo. A sua génese reside no contexto da primeira década do século XXI, uma era marcada por uma intensa corrida à inovação material, especialmente no que diz respeito ao uso do silício para otimizar os órgãos reguladores. A Breguet, sob a égide do Swatch Group e impulsionada pela liderança visionária de Nicolas G. Hayek, já era pioneira na aplicação de componentes de silício. Contudo, o Calibre 574DR, coração do 7727, levou essa busca pela precisão a um novo patamar. O projeto foi o culminar de anos de pesquisa fundamental sobre os efeitos do magnetismo e as possibilidades das altas frequências. A grande inovação, protegida por múltiplas patentes, foi a implementação de pivôs magnéticos. Tradicionalmente, o eixo do balanço gira sobre rubis, gerando atrito e sendo suscetível a perturbações por choques e pelos efeitos da gravidade. A solução da Breguet foi engenhosa: dois microímanes potentes, um em cada extremidade da ponte do balanço, criam um campo magnético que mantém o eixo do balanço em levitação, centrado e estável, sem contacto físico direto com os rubis, exceto quando o relógio sofre um choque significativo. Este sistema 'dinamicamente estável' eliminou a principal fonte de atrito e tornou a taxa de oscilação do relógio virtualmente imune às mudanças de posição. Para capitalizar esta estabilidade, os engenheiros da Breguet desenvolveram um escape capaz de operar a uma frequência vertiginosa de 10Hz (72.000 vph), o dobro da já impressionante frequência do Zenith El Primero. Esta alta velocidade permite que o balanço 'average' as perturbações com muito mais eficácia, resultando numa precisão cronométrica extraordinária. O design do 7727 manteve-se fiel à linhagem Classique, servindo como uma capa de veludo para o punho de ferro tecnológico que continha. O mostrador assimétrico, com a sua profusão de guilloché manual, os pequenos segundos e o indicador de 1/10 de segundo, foi uma obra de arte que comunicava subtilmente a complexidade interna. A vitória esmagadora da 'Aiguille d'Or' no Grand Prix d'Horlogerie de Genève em 2014 não foi uma surpresa; foi o reconhecimento inevitável de que o 7727 havia reescrito um capítulo fundamental da cronometria mecânica, provando que a herança de Abraham-Louis Breguet, o maior inovador de todos os tempos, estava viva e a prosperar no século XXI.
CURIOSIDADES
O inimigo como aliado: A maior inovação do 7727 foi usar o magnetismo, tradicionalmente o arqui-inimigo da precisão relojoeira, para criar um sistema de balanço 'flutuante' ultraestável.
Vitória na 'Aiguille d'Or': Em 2014, o relógio venceu o prémio mais prestigiado da indústria, a 'Aiguille d'Or' no GPHG, o equivalente ao Óscar de Melhor Filme para a relojoaria.
A super frequência visível: O ponteiro do sub-mostrador de 1/10 de segundo, posicionado à 1 hora, completa uma rotação a cada dois segundos, tornando a incrível velocidade de 10Hz do movimento visualmente percetível.
Um banquete de Guilloché: O mostrador de ouro maciço apresenta seis padrões distintos de guilloché aplicados à mão, incluindo 'clous de Paris', 'liséré', 'chevrons' e 'vagues', um testemunho do domínio artesanal da marca.
Tecnologia de ponta: Os potentes microímanes usados no pivô foram desenvolvidos com a empresa especializada Magnequench, demonstrando uma colaboração interindustrial rara na relojoaria suíça tradicional.
Múltiplas patentes: O relógio e o seu movimento estão protegidos por um arsenal de patentes, cobrindo não só os pivôs magnéticos, mas também a espiral de silício com uma curva terminal Breguet e o design específico do escape de alta frequência.