RESUMO
O Breguet Classique Hora Mundi Ref. 5717, lançado em 2011, representa um marco na história da alta relojoaria e, especificamente, nos relógios de viagem. Posicionado no ápice do luxo, este não é um mero relógio de fuso horário; é uma 'grande complicação' que redefine a funcionalidade para o viajante global. O seu público-alvo são colecionadores e indivíduos que exigem o máximo em engenhosidade mecânica, aliado a uma estética clássica e intemporal. A filosofia de design da Breguet é proeminente: a caixa canelada, os terminais de bracelete soldados e os icónicos ponteiros 'à pomme' são imediatamente reconhecíveis. No entanto, por baixo desta fachada tradicionalista, reside um mecanismo revolucionário. A sua importância horológica é imensa, pois foi o primeiro relógio de pulso mecânico a apresentar um fuso horário de salto instantâneo. Com o simples premir de um botão, o utilizador pode alternar entre dois fusos horários pré-selecionados, e a hora, a data, o indicador dia/noite e a cidade saltam instantânea e simultaneamente. Esta proeza técnica, que demorou três anos a desenvolver, eliminou a tediosa tarefa de reajustar múltiplas indicações ao viajar, estabelecendo um novo padrão de conveniência e elegância funcional no mundo dos 'worldtimers'.
HISTÓRIA
Quando a Breguet revelou o Classique Hora Mundi Ref. 5717 na Baselworld 2011, a indústria relojoeira prestou atenção. Não se tratava de uma mera iteração ou de uma nova estética, mas sim de uma solução fundamentalmente nova para um problema antigo: a complexidade de operar um relógio de múltiplos fusos horários. O projeto, que esteve em desenvolvimento durante três anos, resultou em quatro pedidos de patente e numa ovação da crítica, culminando na vitória do prémio de 'Melhor Relógio Masculino' no Grand Prix d'Horlogerie de Genève (GPHG) desse mesmo ano. Historicamente, a Breguet tinha uma rica herança na criação de relógios de viagem, mas o Hora Mundi 5717 foi o seu primeiro 'worldtimer' de pulso e, em vez de seguir convenções, reinventou a categoria. O seu calibre 77F0 permitia ao utilizador pré-selecionar duas cidades de entre os 24 fusos horários. Uma vez definidas, um simples toque no botão às 8 horas fazia com que o ponteiro das horas, a janela da data, o indicador de cidade e o indicador dia/noite saltassem instantaneamente para o segundo fuso horário. Este sistema de 'memória mecânica' era, e continua a ser, uma proeza de microengenharia, eliminando qualquer risco de erro durante o ajuste e proporcionando uma experiência de utilizador incomparável. As primeiras versões da Ref. 5717 são as mais célebres, notáveis pelos seus mostradores artísticos. Disponíveis em ouro rosa ou platina, apresentavam um mapa de um continente – Américas, Europa/África ou Ásia/Oceânia – meticulosamente gravado à mão. Os oceanos eram representados por um padrão de ondas guilhochado coberto por múltiplas camadas de laca translúcida, criando uma extraordinária sensação de profundidade. Em 2016, a Breguet introduziu a Ref. 5727, uma evolução que oferecia uma estética mais sóbria. O mapa artístico foi substituído por um mostrador em ouro prateado com um padrão guilhochado 'Clous de Paris' no centro, apelando a um gosto mais clássico e discreto, embora mantendo o mesmo calibre revolucionário. O impacto do Hora Mundi 5717 foi profundo. Ele não só reforçou o estatuto da Breguet como uma manufatura de ponta, capaz de inovações disruptivas, mas também elevou o padrão para todos os relógios de viagem. Demonstrou que a complexidade mecânica extrema podia ser traduzida numa simplicidade de uso sublime, encapsulada num invólucro que honra os mais de duzentos anos de tradição e excelência da marca.
CURIOSIDADES
Vencedor do prestigiado prémio 'Relógio Masculino' no Grand Prix d'Horlogerie de Genève (GPHG) em 2011.
O mecanismo de fuso horário de salto instantâneo com memória foi objeto de quatro pedidos de patente, sublinhando a sua singularidade técnica.
Cada mapa no mostrador da Ref. 5717 é gravado à mão num disco de ouro, com os oceanos guilhochados e depois cobertos com laca translúcida, tornando cada peça uma obra de arte única.
Apesar da sua complexidade, a operação é incrivelmente simples: a coroa às 3h ajusta a hora local e a 'home time', enquanto o botão-coroa às 8h executa o salto instantâneo entre as duas.
O Calibre 77F0 foi um dos primeiros da Breguet a incorporar extensivamente componentes em silício (espiral, âncora e roda de escape) para melhorar a precisão e a resistência ao magnetismo.
O sistema de memória mecânica utiliza um par de cames diferenciais que trabalham em conjunto para 'recordar' a hora de ambos os fusos horários selecionados.
Surpreendentemente, apesar da sua importância e design distinto, o Hora Mundi 5717 não adquiriu um apelido amplamente aceite na comunidade de colecionadores, sendo geralmente referido pelo seu nome formal.