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A. Lange & Söhne Datograph - A obra-prima saxônica que redefiniu o cronógrafo moderno e desafiou a hegemonia suíça


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Introduzido em 1999, o Datograph foi um dos primeiros cronógrafos de pulso desenvolvidos internamente pela A. Lange & Söhne após a crise do quartzo. É aclamado por sua arquitetura de movimento, acabamento e a função flyback, sendo um marco na medição de tempo de curta duração.

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RESUMO

Quando a A. Lange & Söhne revelou o Datograph na Feira de Basel em 1999, o mundo da alta relojoaria sofreu um abalo sísmico cujas réplicas ainda são sentidas hoje. Até aquele momento, as casas mais veneráveis da Suíça — Patek Philippe, Vacheron Constantin e Audemars Piguet — dependiam amplamente de calibres baseados no venerável Lemania 2310 para os seus cronógrafos de corda manual. O Datograph (Ref. 403.035) chegou não apenas como uma declaração de independência técnica da manufatura de Glashütte, mas como um desafio direto ao 'status quo'. Com uma estética assumidamente teutônica, caracterizada pela sua arquitetura robusta e pela icônica Grande Data, este relógio foi desenhado para o colecionador cerebral que valoriza a engenharia mecânica acima da simples ostentação de marca. Ele se posiciona no ápice da categoria de 'Dress Chronographs', embora sua espessura e peso substancial em platina lhe confiram uma presença de pulso inigualável. O Datograph não é apenas um instrumento de medição de tempo; é uma metrópole mecânica em miniatura, celebrada por sua profundidade tridimensional e acabamento impecável, estabelecendo um novo padrão de excelência que forçou toda a indústria a elevar o nível de suas produções internas.

HISTÓRIA

A história do Datograph é indissociável do renascimento da A. Lange & Söhne após a reunificação da Alemanha. Sob a liderança visionária de Günter Blümlein, a marca buscou criar algo que não existia nem mesmo entre a 'Santíssima Trindade' da relojoaria suíça na época: um movimento de cronógrafo de luxo, de corda manual, totalmente desenvolvido e fabricado internamente. Lançado em 1999, o Datograph original de 39mm (Ref. 403.035) foi o resultado desse esforço hercúleo. O coração do relógio, o Calibre L951.1, foi uma revelação técnica e estética. Enquanto os cronógrafos tradicionais focavam na planicidade, a Lange abraçou a profundidade; o movimento foi construído em camadas, criando uma paisagem tridimensional de alavancas, molas e engrenagens que parecia uma cidade em funcionamento. A escolha de usar prata alemã (Maillechort) para as platinas conferiu ao movimento um tom dourado quente que patinaria com o tempo, contrastando com o aço polido e as rubis engastadas em chatons de ouro aparafusados. Tecnicamente, o Datograph introduziu características raras. O mecanismo 'Flyback' permitia o reinício instantâneo da cronometragem sem a necessidade de parar e zerar primeiro. Além disso, o contador de minutos do cronógrafo não se movia continuamente, mas saltava precisamente para a próxima marcação no exato momento em que o ponteiro de segundos completava 60 segundos, facilitando uma leitura inequívoca. A estética do mostrador também rompeu convenções, posicionando os submostradores ligeiramente abaixo da linha central horizontal para criar um triângulo equilátero visual com a Grande Data dupla às 12 horas, garantindo equilíbrio e harmonia. A primeira geração permaneceu em produção até 2012, quando foi substituída pelo Datograph Up/Down, que aumentou o tamanho da caixa para 41mm e a reserva de marcha para 60 horas. No entanto, para os puristas e historiadores, o modelo original de 1999 de 39mm permanece o 'Santo Graal'. Ele é amplamente creditado por ter acelerado a corrida armamentista dos movimentos 'in-house' no início dos anos 2000, forçando a Patek Philippe a eventualmente aposentar seus calibres baseados em Lemania em favor do 29-535 PS, anos mais tarde. O Datograph não apenas restaurou a glória da relojoaria alemã, mas reescreveu as regras do que um cronógrafo de alta classe deveria ser.

CURIOSIDADES

O lendário relojoeiro independente Philippe Dufour, amplamente considerado o maior mestre vivo de acabamentos manuais, comprou um Datograph com seu próprio dinheiro e o chamou de 'o melhor movimento de cronógrafo já feito', o que deu ao relógio o apelido não oficial de 'Dufour-o-graph'. Os submostradores não são apenas pintados de prata, mas feitos de prata maciça, o que lhes confere uma textura e brilho únicos sob luz direta. O Datograph possui uma variação extremamente rara conhecida como 'Pisa', feita para a joalheria Pisa em Milão, com um mostrador prateado monocromático e limitada a apenas 10 unidades. O peso da caixa de platina é tão substancial que a A. Lange & Söhne teve que desenvolver terminais (lugs) especialmente reforçados e curvos para garantir que o relógio não girasse desconfortavelmente no pulso. Embora a frequência de 18.000 vph (2.5 Hz) seja considerada lenta para os padrões modernos, foi uma escolha deliberada para permitir um balanço maior e mais esteticamente agradável, além de facilitar a regulação precisa do mecanismo de minutos saltantes. O mecanismo da Grande Data é ajustado por um botão retangular separado às 10 horas, uma característica de design que exige uma complexidade mecânica adicional para não interferir no módulo do cronógrafo. Existem raríssimos exemplares do Datograph original montados na indescritível pulseira de platina fabricada pela Wellendorff, que hoje, sozinhas, podem valer tanto quanto um relógio de luxo inteiro em leilões.

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