RESUMO
O Breguet Classique Ref. 7337 é a personificação da alta relojoaria clássica, uma ponte direta entre o génio de Abraham-Louis Breguet e o colecionador contemporâneo. Posicionado no pináculo do mercado de relógios de luxo, o 7337 não é uma ferramenta, mas sim uma obra de arte para o pulso. A sua filosofia de design é uma celebração da assimetria elegante, um código estético que Breguet aperfeiçoou há mais de duzentos anos. O modelo de 2009 é particularmente significativo, pois representa a reinterpretação fiel do histórico relógio de bolso nº 3833, de 1823, mas imbuído da mais avançada tecnologia da época. O seu público-alvo é o conhecedor sofisticado, aquele que valoriza a história, a arte da guilhochagem manual e a subtileza mecânica em detrimento da ostentação. A importância do 7337 no mundo da relojoaria reside na sua capacidade de demonstrar a relevância intemporal dos códigos de design de Breguet — o mostrador descentralizado, as fases da lua caprichosamente posicionadas, os múltiplos padrões de guilhochê — executados com uma precisão moderna. É um relógio que não segue tendências; antes, reafirma uma linhagem ininterrupta de excelência relojoeira, tornando-se uma peça fundamental na coleção de qualquer purista e um testemunho do legado duradouro da marca.
HISTÓRIA
A história do Breguet Classique 7337 não começa no século XXI, mas sim no início do século XIX, na oficina do mestre relojoeiro Abraham-Louis Breguet. A sua inspiração direta e inconfundível é o relógio de bolso nº 3833, um repetidor de quartos vendido em 1823 a um cavalheiro chamado Thomas Hawley. Essa peça histórica exibia um layout de mostrador radical para a época: um sub-mostrador de horas e minutos dramaticamente descentralizado, permitindo espaço para uma proeminente exibição das fases da lua às 12 horas e outras indicações. Esta quebra com a simetria tradicional era uma demonstração da filosofia de Breguet de que a clareza e a função podiam ditar uma forma nova e harmoniosa.
A transição desta obra-prima para um relógio de pulso ocorreu séculos mais tarde, durante o renascimento da marca sob a propriedade da Investcorp e, anteriormente, da Chaumet. O antecessor direto do 7337 foi o Ref. 3330 (e mais tarde o 3337), lançado no final dos anos 80 e início dos 90. Estes modelos, com caixas mais pequenas, tipicamente de 36mm, e motorizados por calibres baseados em Lemania, reintroduziram com sucesso o design assimétrico de Breguet a uma nova geração de colecionadores, cimentando o pilar da coleção 'Classique'.
A versão de 2009 do Ref. 7337 representa um ponto de viragem crucial na evolução do modelo. Sob a égide do Swatch Group, a Breguet tinha acesso a recursos de investigação e desenvolvimento sem precedentes. O lançamento de 2009 não foi apenas uma atualização estética, mas uma profunda revisão técnica. A caixa cresceu para uns mais contemporâneos 39mm, conferindo maior presença no pulso sem sacrificar a sua elegância inata. Contudo, a mudança mais significativa estava no interior. O modelo foi equipado com o Calibre 502.3 QSE1, uma evolução do lendário movimento extra-plano da Frédéric Piguet (agora Manufacture Breguet). Esta nova iteração foi uma das primeiras na coleção a incorporar a tecnologia de vanguarda da marca: a espiral, a roda de escape e a âncora foram fabricadas em silício. Esta inovação, um material leve, antimagnético e resistente à corrosão, permitiu uma performance cronométrica superior e maior estabilidade a longo prazo. Foi a fusão perfeita entre a arte relojoeira do século XVIII, visível no mostrador guilhochado à mão e nos ponteiros de aço azulado, e a ciência dos materiais do século XXI. O modelo de 2009 consolidou o 7337 não como uma peça de museu, mas como um relógio clássico vivo e tecnicamente relevante, estabelecendo um padrão que as futuras iterações seguiriam, demonstrando que a verdadeira tradição não é a adoração das cinzas, mas a preservação do fogo.
CURIOSIDADES
Linhagem Direta: O layout do mostrador é uma reinterpretação quase idêntica do relógio de bolso com repetição de quartos nº 3833, vendido a Mr. Thomas Hawley em 12 de outubro de 1823 por 7.000 francos.
A Arte Funcional da Guilhochagem: Os diferentes padrões de guilhochê no mostrador não são meramente decorativos. Historicamente, eram usados para delinear visualmente as diferentes funções do relógio, melhorando a legibilidade — uma forma de arte funcional.
Assinatura Secreta: Fiel à tradição, o 7337 possui uma 'assinatura secreta' gravada no mostrador, geralmente em ambos os lados do número 12. Introduzida por A.-L. Breguet para combater falsificações, é quase invisível a olho nu e só pode ser vista com luz rasante.
Raízes Nobres do Movimento: O calibre base, o 502, deriva do lendário Frédéric Piguet 71, um dos movimentos automáticos mais finos já criados. A Breguet, após adquirir a manufatura, modificou-o extensivamente, incluindo a adição do seu escape de silício de alta tecnologia.
Um Mostrador de Ouro: O mostrador não é pintado. É uma placa de ouro maciço de 18k que é depois prateada. Todos os padrões são gravados individualmente por um mestre artesão usando um torno de rosa (rose engine) centenário.
A Assimetria Como Código: O mostrador excêntrico foi uma das inovações de design de A.-L. Breguet. Ao deslocar o mostrador principal, ele conseguia integrar múltiplas complicações de forma clara e elegante, uma filosofia que o 7337 exemplifica na perfeição.
Marco Tecnológico de 2009: A introdução dos componentes de silício no modelo de 2009 marca um ponto de viragem para os colecionadores, distinguindo-o claramente das referências anteriores (como o 3337) e tornando-o um alvo para aqueles que apreciam tanto a estética clássica como a inovação técnica.