RESUMO
O Breguet Classique Ref. 5967, especialmente na sua iteração de 2009 com o mostrador 'Damier', representa uma magistral fusão entre a herança relojoeira do século XVIII e uma sensibilidade estética do século XXI. Posicionado no ápice do segmento de relógios de gala, o 5967 não é apenas um instrumento para ver as horas, mas uma declaração de apreço pela arte e pela técnica. A sua filosofia de design ancora-se nos códigos imortais estabelecidos por Abraham-Louis Breguet — pureza de linhas, legibilidade exemplar e sofisticação mecânica — mas ousa reinterpretá-los. Com a sua caixa contemporânea de 41mm, apela ao colecionador moderno que deseja a presença de um relógio maior sem sacrificar a elegância. A significância desta referência específica reside no seu mostrador extraordinário. O padrão guilloché 'Damier' (tabuleiro de xadrez) é uma partida audaciosa dos mais tradicionais 'Clous de Paris' ou padrões circulares, conferindo à peça uma profundidade tridimensional e um caráter arquitetónico que evoca o período Art Déco. Esta escolha demonstra a capacidade da Breguet, sob a égide do Swatch Group, de inovar dentro dos seus próprios cânones sagrados, provando que a alta relojoaria tradicional pode ser simultaneamente reverente ao passado e relevantemente moderna. O 5967 é, portanto, uma ponte entre eras, celebrando a maestria do guillochage manual numa escala e com um padrão que cativam um novo olhar.
HISTÓRIA
Lançado em meados dos anos 2000, o Breguet Classique Ref. 5967 surgiu num momento crucial para a marca. Sob a liderança visionária de Nicolas G. Hayek após a sua aquisição pelo Swatch Group, a Breguet estava a atravessar um renascimento, reafirmando o seu estatuto no panteão da alta relojoaria. A coleção Classique, pilar da identidade da marca, serviu de base para esta expansão, e o 5967 foi concebido para satisfazer uma procura crescente por relógios de cerimónia com dimensões mais contemporâneas. Os seus antecessores, como as referências 5907 ou 3290, eram tipicamente dimensionados entre 34mm e 36mm, fiéis às proporções clássicas do século XX. A introdução de uma caixa de 41mm foi um passo significativo, oferecendo a elegância intemporal da Breguet numa escala que se afirmava com mais presença no pulso, sem nunca cair na ostentação. A evolução do modelo não se mediu em mudanças drásticas de geração, mas sim na subtileza e na variedade das suas execuções de mostrador. A versão de 2009, com o seu hipnótico padrão guilloché 'Damier', é talvez a variação mais célebre e procurada pelos colecionadores. Esta escolha de padrão foi uma jogada de mestre. Enquanto a maioria dos mostradores Breguet utilizava motivos radiais ou o famoso 'Clous de Paris', o 'Damier' introduziu uma grelha geométrica e tridimensional com uma forte ressonância Art Déco. Esta técnica, executada manualmente numa máquina de rosa (rose engine lathe), não só demonstrava o virtuosismo inigualável dos artesãos da Breguet, mas também infundia uma nova linguagem visual na coleção mais conservadora da marca. Cada pequeno quadrado do padrão capta e reflete a luz de uma forma única, criando um espetáculo de profundidade e textura que tem de ser visto para ser verdadeiramente apreciado. O impacto do 5967 foi profundo. Ele provou que um relógio de gala de corda manual, desprovido de complicações, poderia ser simultaneamente grande, elegante e artisticamente vanguardista. Consolidou a estratégia da Breguet de honrar o seu ADN — asas soldadas, carrura canelada, ponteiros icónicos — enquanto explorava novas fronteiras estéticas. O 5967 'Damier' não é apenas uma referência na história da Breguet; é um capítulo na história da arte do guillochage, um testemunho de como uma técnica centenária pode ser reinventada para criar algo totalmente novo e cativante.
CURIOSIDADES
O calibre 506.2 tem as suas raízes no lendário movimento ultra-fino Frédéric Piguet 15. A Frédéric Piguet foi uma renomada fabricante de ébauches que foi subsequentemente integrada na Blancpain, outra marca de prestígio do Swatch Group.
O padrão 'Damier' é um dos mais complexos de executar em guilloché. A sua aparência tridimensional é obtida através de variações meticulosas na profundidade e no ângulo do corte do buril, um processo que não permite qualquer margem de erro.
Apesar do seu diâmetro de 41mm, o relógio tem uma espessura de apenas cerca de 7mm. Esta proporção esbelta, combinada com as asas finas e soldadas que se curvam para baixo, faz com que o relógio assente no pulso com uma elegância surpreendente.
A ausência de um ponteiro de segundos é uma escolha deliberada de design, conhecida como 'duas agulhas'. Esta omissão cria um mostrador mais sereno e equilibrado, colocando todo o foco na arte do guilloché e no movimento gracioso dos ponteiros Breguet.
As asas da caixa não são integradas, mas sim soldadas. Esta é uma técnica de construção de caixas tradicional e muito mais complexa, que remonta aos primeiros relógios de pulso e é uma marca de artesanato de alta qualidade que a Breguet mantém viva.
Cada relógio Breguet possui um número de produção individual e único gravado, que é meticulosamente registado nos arquivos da empresa em Paris, uma tradição que remonta ao final do século XVIII. O proprietário de um 5967 pode solicitar um extrato destes arquivos.
Embora frequentemente descrito como 'Art Déco' por colecionadores e entusiastas devido à sua estética geométrica, a Breguet descreve-o tecnicamente como um padrão de guilloché específico, destacando a sua mestria técnica em vez de uma afiliação estilística intencional.