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Breguet No. 1160 Marie-Antoinette: A Ressurreição de uma Lenda Horológica do Século XXI


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Recriação monumental do lendário relógio No. 160 roubado (e depois recuperado). Encomendado por Nicolas G. Hayek, apresentado em Baselworld 2008.

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RESUMO

O Breguet No. 1160, conhecido como a réplica 'Marie-Antoinette', não é um relógio no sentido convencional de mercado; é um monumento à própria arte da relojoaria. Apresentado em 2008, este relógio de bolso 'Grande Complicação' representa a recriação meticulosa e audaciosa do lendário No. 160, originalmente encomendado para a rainha francesa em 1783 e roubado em 1983. O projeto, iniciado em 2005 pelo visionário Nicolas G. Hayek, não visava um público consumidor, mas sim reafirmar o domínio histórico e técnico da Breguet no pináculo da alta relojoaria. A sua filosofia de design foi de uma fidelidade arqueológica, utilizando apenas desenhos e descrições de arquivo para reconstruir uma obra-prima perdida. Cada componente, desde o complexo movimento perpétuo até ao termómetro bimetálico, foi re-imaginado e fabricado com a precisão do século XXI, mas com a alma do século XVIII. A sua significância é imensa: simboliza a ponte entre o legado de Abraham-Louis Breguet e a capacidade industrial e artesanal da marca moderna. Mais do que um produto, o No. 1160 é uma declaração cultural, uma peça de museu nascida em nosso tempo, que encapsula a história, o mistério e o génio intransigente que definem o nome Breguet.

HISTÓRIA

A saga do Breguet 'Marie-Antoinette' é, sem dúvida, uma das mais fascinantes da história da relojoaria, e a sua reencarnação moderna, o No. 1160, é um capítulo à altura do seu legado. A história começa em 1783, quando um misterioso admirador da Rainha Marie-Antoinette de França encomendou a Abraham-Louis Breguet o relógio mais espetacular e complicado possível, sem qualquer restrição de tempo ou custo. O mestre relojoeiro e a sua oficina trabalharam na peça por décadas. O relógio, batizado de No. 160, tornou-se uma compilação de todas as complicações conhecidas na época. Infelizmente, a sua produção foi tão demorada que sobreviveu não apenas à Rainha, que foi executada em 1793, mas também ao próprio Abraham-Louis Breguet, que faleceu em 1823. A obra foi finalmente concluída em 1827 pelo seu filho, Antoine-Louis Breguet, 44 anos após a encomenda original. Durante quase dois séculos, o No. 160 foi reverenciado como o 'Mona Lisa' da relojoaria, acabando por ser exposto no Museu L.A. Mayer de Arte Islâmica em Jerusalém. Em 1983, a lenda ganhou um contorno de thriller: o relógio foi audaciosamente roubado do museu, desaparecendo sem deixar rasto e mergulhando o mundo da relojoaria num luto profundo pela perda de um tesouro insubstituível. Em 2005, Nicolas G. Hayek, o carismático presidente do Swatch Group e um fervoroso admirador do legado de Breguet, lançou um desafio monumental à sua manufatura: recriar o No. 160. Sem o original para estudar, os relojoeiros e historiadores da Breguet embarcaram numa jornada de pesquisa sem precedentes, baseando-se unicamente em desenhos técnicos, notas de arquivo e descrições literárias para dar vida novamente à complexa máquina. Este novo relógio foi batizado de No. 1160. O projeto culminou com a sua apresentação triunfal na Baselworld em 2008, um feito que chocou e maravilhou a indústria. O No. 1160 não era uma mera cópia, mas uma ressurreição, demonstrando que o espírito e a capacidade técnica de Breguet estavam mais vivos do que nunca. A história, no entanto, guardava uma reviravolta digna de um romance. Em finais de 2007, poucos meses antes da apresentação do No. 1160, o No. 160 original foi milagrosamente recuperado em Tel Aviv. O ladrão fora identificado postumamente e a sua viúva, desconhecendo o valor total do seu conteúdo, tentou vender os itens de uma arrecadação. Assim, o mundo ficou com dois 'Marie-Antoinette': o original histórico e a sua réplica perfeita, cada um com a sua própria história extraordinária. O No. 1160 não é um modelo com gerações ou referências; é uma peça única, um testemunho do poder da perseverança e da paixão, que cimentou para sempre o estatuto da Breguet como guardiã da mais alta tradição relojoeira.

CURIOSIDADES

A encomenda original do No. 160 em 1783 foi feita por um suposto admirador e guarda da Rainha, e não pela própria Marie-Antoinette, que nunca chegou a ver o relógio. O relógio original só foi concluído 34 anos após a execução da Rainha na guilhotina e 4 anos após a morte do próprio Abraham-Louis Breguet. A decisão de criar a réplica No. 1160 foi tomada em 2005. A recuperação do original roubado em 2007, pouco antes da conclusão da réplica, é considerada uma das maiores e mais felizes coincidências na história da relojoaria. A caixa de apresentação do No. 1160 é tão extraordinária quanto o relógio. Foi esculpida a partir da madeira de um carvalho do Palácio de Versalhes, a árvore favorita de Marie-Antoinette, que teve de ser abatida devido à idade. O ladrão do original foi identificado como Na'aman Diller, um famoso gatuno israelita que realizou o assalto sozinho em 1983. A sua identidade só foi descoberta após a sua morte, quando a sua viúva tentou vender os bens roubados. Para além das complicações mecânicas, o relógio original e a sua réplica utilizam safira em muitos dos componentes internos para reduzir o atrito, uma técnica extremamente avançada para a época. O projeto de recriação foi de tal magnitude que Nicolas G. Hayek comprou a floresta de Joux na Suíça para garantir que a Breguet tivesse acesso à madeira da mais alta qualidade para futuros projetos e para a caixa do No. 1160.

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