RESUMO
O Natan Ouro 18k de circa 1971 é muito mais do que um simples relógio feminino; é um artefato cultural que encapsula o apogeu da joalheria clássica do Rio de Janeiro. Posicionado como uma peça de alta joalheria que também exibe as horas, seu mercado alvo era a elite da sociedade brasileira, mulheres que frequentavam os salões e eventos mais exclusivos do país durante os anos do 'milagre econômico'. Sua filosofia de design era de uma elegância atemporal e discreta, onde a pureza e o brilho do ouro 18k maciço eram os protagonistas, em detrimento de complicações mecânicas ou logotipos ostensivos. A escolha de um movimento mecânico a corda suíço de alta qualidade, abrigado em uma caixa primorosamente fabricada no Brasil, refletia um compromisso com a substância e a tradição. A significância deste modelo para a horologia reside em sua representação de uma era específica e singular na história da Natan. Ele é um testemunho do período em que a marca se afirmava primordialmente como uma joalheria de prestígio, com uma identidade de design puramente brasileira, antes da sua notória parceria com a marca suíça Zodiac, que posteriormente direcionaria seu foco para relógios de perfil mais esportivo e internacional. Para colecionadores, este relógio não é apenas um item vintage, mas um fragmento da história do luxo nacional, simbolizando a sofisticação e o savoir-faire da joalheria carioca.
HISTÓRIA
No início da década de 1970, o Rio de Janeiro vivia um período de efervescência cultural e econômica. Era nesse cenário vibrante que a Natan se consolidava como uma das mais prestigiosas joalherias do Brasil, um nome sinônimo de luxo, confiança e bom gosto. O modelo em ouro 18k, datado por especialistas como sendo de circa 1971, emerge como um dos exemplos mais puros e representativos desta era dourada. Este relógio não foi o resultado de uma linha evolutiva com números de referência, como se vê na relojoaria suíça tradicional, mas sim a culminação de uma filosofia de design que colocava a joia em primeiro lugar. Ele sucedeu estilos mais ornamentados do pós-guerra, adotando uma linguagem estética minimalista e moderna, influenciada pelo design limpo do final dos anos 60, mas sem jamais abandonar a opulência clássica do ouro maciço.
A importância histórica fundamental deste modelo reside no fato de ele pertencer à era 'pré-Zodiac'. Em meados dos anos 70, a Natan estabeleceria uma parceria estratégica com a marca suíça Zodiac para produzir e distribuir relógios com a dupla assinatura 'Natan Zodiac', focando em um mercado mais amplo e em modelos esportivos, como os de mergulho. O relógio de 1971, portanto, representa a identidade independente da Natan. É a expressão máxima de seu DNA como joalheiro, onde a caixa e o bracelete eram concebidos e, muitas vezes, finalizados no Brasil, com a mesma atenção ao detalhe dedicada a um anel de diamantes ou a um colar de esmeraldas. O movimento, embora de origem suíça, era o coração técnico que servia ao propósito estético, e não o contrário.
As variações encontradas nesta coleção eram de natureza estilística, não técnica. Os clientes podiam escolher entre caixas redondas, ovais ou quadradas, mostradores em tons de prata ou champanhe e, crucialmente, diferentes estilos de braceletes em ouro maciço, que eram o principal argumento de venda. Cada peça era, em essência, uma criação semi-personalizada. Não existem 'Marks' ou gerações, mas sim um portfólio coeso que celebrava a beleza do material.
O impacto deste relógio para o legado da Natan foi imenso. Ele solidificou a reputação da marca como uma casa de luxo completa, capaz de criar suas próprias peças horológicas de alta qualidade, e não apenas importar e revender marcas europeias. Para o colecionismo contemporâneo, especialmente no Brasil, encontrar um exemplar bem preservado de 1971 é como descobrir uma cápsula do tempo. Ele narra a história de uma época em que o luxo brasileiro tinha uma voz própria, autoconfiante e singular, tornando-se um objeto de desejo para aqueles que valorizam tanto a história da horologia quanto a da joalheria nacional.
CURIOSIDADES
O relógio era uma escolha preferida entre as celebridades da época, incluindo atrizes famosas das novelas da Rede Globo e figuras da alta sociedade carioca, sendo um símbolo de status discreto e elegância.
No mercado de leilões especializados em joias e relógios vintage no Brasil, estes modelos são altamente disputados, frequentemente superando suas estimativas devido ao seu valor histórico e à raridade de exemplares em bom estado.
A utilização de um cristal de safira em 1971 era extremamente incomum e um sinal de altíssimo luxo, uma característica que a Natan usava para diferenciar suas peças das concorrentes, que majoritariamente usavam cristais de acrílico.
É conhecido entre colecionadores brasileiros como a 'Joia Carioca', um apelido que reflete sua origem e sua natureza primária como uma peça de joalheria.
A certificação de época por peritos, como os da Orit mencionados no contexto, é crucial para estes relógios, pois muitos não possuíam números de série padronizados, tornando a autenticação de especialistas a principal garantia de sua proveniência e composição.
Este modelo representa a 'alma' do design Natan antes da parceria com a Zodiac. Para puristas da marca, ele é considerado a expressão mais autêntica da identidade da joalheria, antes da influência do design de relógios-ferramenta suíços.