RESUMO
O Natan Voyageur de 1990 representa um momento crucial na história da horologia, encapsulando a transição estética e tecnológica do final do século XX. Lançado numa era dominada pela precisão do quartzo, mas com um crescente anseio pela elegância clássica, o Voyageur posicionou-se magistralmente como o relógio de eleição para o profissional cosmopolita. A sua filosofia de design não se enquadrava nem na categoria de relógio de mergulho robusto, nem na de relógio de gala formal; em vez disso, criava o seu próprio nicho como um 'relógio social'. Era uma peça concebida para transitar sem esforço do escritório para um jantar de negócios, projetando uma imagem de sofisticação discreta e fiabilidade moderna. O seu público-alvo era o indivíduo bem-sucedido e viajado que valorizava a precisão suíça e um design intemporal que não gritava por atenção, mas que recompensava um olhar mais atento com detalhes refinados. A sua significância reside no facto de ser o pináculo da era 'pré-Monte Carlo' da Natan, um período caracterizado por um design mais contido e clássico. Para os colecionadores de hoje, o Voyageur de 1990 não é apenas um relógio vintage; é um artefacto cultural que simboliza a elegância pragmática de uma década, oferecendo um ponto de entrada acessível, mas historicamente rico, no mundo da coleção de relógios.
HISTÓRIA
O Natan Voyageur emergiu em 1990, num cenário relojoeiro que se redefinia após o tumulto da Crise do Quartzo. A Natan, uma marca que já havia construído uma reputação de qualidade e design apurado, percebeu uma lacuna no mercado para um relógio que aliasse a fiabilidade e a magreza dos movimentos a quartzo com a estética e o acabamento da relojoaria tradicional suíça. O Voyageur não foi uma revolução, mas sim uma evolução refinada, uma resposta direta às necessidades do profissional moderno que viajava e necessitava de uma peça versátil e elegante. O seu lançamento foi estratégico, marcando o início de uma nova década com uma proposta de luxo pragmático. O nome 'Voyageur' (viajante, em francês) não era acidental; evocava um espírito de globalização e sucesso internacional que ressoava fortemente com a sua base de clientes. O design inicial, personificado pelo modelo de 1990, é considerado o mais puro. A caixa de 36mm, com a sua harmoniosa interação entre superfícies polidas e escovadas e as asas integradas, era perfeitamente dimensionada para a época. As primeiras referências, como a 7100-S (aço) e a altamente desejável 7100-SG (aço e ouro), estabeleceram o ADN do modelo. Ao longo da década de 90, o Voyageur sofreu pequenas alterações. Por volta de 1995, a Natan introduziu novas cores de mostrador, incluindo um azul profundo, e começou a usar Super-LumiNova em vez de trítio, refletindo as mudanças na indústria. Uma versão ligeiramente maior, com 38mm, foi lançada no final da década para acompanhar as tendências, mas muitos puristas defendem que a proporção original de 36mm permanece insuperável. O maior ponto de viragem para o modelo e para a marca foi a introdução da linha 'Monte Carlo' em meados da década, uma coleção mais ousada, com cronógrafos e designs mais desportivos, que sinalizou uma mudança na estratégia da Natan. Embora o Voyageur tenha continuado a ser produzido, a sua proeminência diminuiu, sendo eventualmente descontinuado no início dos anos 2000. O seu impacto, no entanto, foi profundo. O Voyageur foi o pilar financeiro que permitiu à Natan explorar territórios mais ambiciosos. Hoje, é visto como a personificação da identidade clássica da marca, um testemunho de uma época em que a elegância subtil e a funcionalidade eram os verdadeiros símbolos de status. A sua redescoberta por uma nova geração de colecionadores solidificou o seu lugar como um clássico cult, apreciado pela sua história, qualidade de construção e valor excecional no mercado vintage.
CURIOSIDADES
O apelido da versão mista (aço e ouro) entre os colecionadores é 'O Diplomata', devido à sua popularidade nos círculos empresariais e diplomáticos europeus e sul-americanos nos anos 90.
O design foi liderado por Alain Delacroix, um designer dissidente da Gérald Genta S.A., que procurava criar uma 'anti-assinatura', focando-se na harmonia e proporção clássicas em vez de uma forma de caixa disruptiva.
O ouro de 18k usado nos modelos mistos vinha da refinaria suíça 'Argor-Heraeus', conferindo-lhe uma tonalidade de amarelo pálido muito distinta, hoje um marcador de autenticidade para os colecionadores.
Os modelos produzidos antes de 1994 apresentam um fundo de caixa com uma gravação de um globo mais simples. Os modelos posteriores, da era 'Monte Carlo', têm um globo mais detalhado, tornando os exemplares mais antigos os 'Mark I' preferidos pelos puristas.
Existe uma variação de mostrador extremamente rara, conhecida como 'Linho Champanhe' ('Champagne Linen'), produzida apenas em 1991, que pode atingir o triplo do valor de um modelo padrão em leilões.
Por um curto período, a Natan ofereceu o Voyageur com uma bracelete de pele de tubarão azul como uma opção premium em boutiques selecionadas em cidades costeiras como o Rio de Janeiro e Nice.
Foi frequentemente visto no pulso do piloto belga de Fórmula 1 Thierry Boutsen durante entrevistas fora das pistas entre 1990 e 1992, embora nunca tenha sido um embaixador oficial.