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Vulcain Chronograph 1970s Hand-Wound (2023): O Renascimento Purista do Ícone 'Big Eye' com Calibre Manual


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Reedição fiel de cronógrafo Big Eye da década de 1970, calibre manual SW510 M BH b, sem a complicação de alarme.

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RESUMO

Lançado em 2023, o Vulcain Chronograph 1970s Hand-Wound marca um momento pivotal na estratégia de renascimento da manufatura de Le Locle. Sob a curadoria de Guillaume Laidet, este relógio transcende a mera nostalgia para se estabelecer como um exemplo erudito de como reinterpretar o design da 'Era de Ouro' dos cronógrafos esportivos. Afastando-se da complicação de alarme 'Cricket' — a assinatura histórica da marca — esta peça foca na pureza mecânica e estética. O modelo é uma recriação quase idêntica de uma referência obscura, mas cultuada, da década de 1970, caracterizada pelo mostrador 'Big Eye', onde o contador de minutos do cronógrafo é superdimensionado para facilitar a leitura. Diferente de muitas reedições modernas que sofrem com espessuras excessivas devido a movimentos automáticos modulares, a Vulcain optou sabiamente pelo calibre Sellita SW510 M BH b de corda manual. Esta escolha técnica não apenas honra a interação tátil dos cronógrafos vintage, mas permitiu manter a caixa em um perfil elegante de 12,4 mm de espessura (incluindo o cristal de safira abobadado). Com um diâmetro contido de 38 mm e uma caixa 'step-case' polida, o relógio captura a essência funky e utilitária dos anos 70, oferecendo aos colecionadores contemporâneos o charme do passado com a robustez da engenharia suíça moderna.

HISTÓRIA

A história do Vulcain Chronograph 1970s é, simultaneamente, um conto de sobrevivência durante a Crise do Quartzo e um testemunho do renascimento da relojoaria independente no século XXI. Para compreender este modelo de 2023, devemos recuar meio século. A Vulcain, fundada em 1858 pela família Ditisheim, já havia cimentado seu lugar na história com o lançamento do calibre 'Cricket' em 1947, o primeiro relógio de pulso com alarme mecânico verdadeiramente funcional, que adornou os pulsos de presidentes americanos como Truman, Eisenhower e Johnson. No entanto, a década de 1970 trouxe ventos de mudança turbulenta. Enquanto a indústria suíça lutava contra a precisão barata do quartzo vindo do Oriente, os designers suíços responderam com criatividade exuberante. Foi nesta era que surgiram caixas mais robustas, mostradores coloridos e layouts assimétricos. O modelo original que inspirou a reedição de 2023 foi um produto deste ambiente: um cronógrafo utilitário, equipado muitas vezes com movimentos Valjoux (como o 23 ou o 7733), desenhado não para a sala de reuniões, mas para a pista de corrida ou o cockpit. O termo 'Big Eye' refere-se ao sub-mostrador de 30 minutos (posicionado às 3 horas) que é visivelmente maior do que o sub-mostrador de pequenos segundos (às 9 horas). Esta não era uma decisão puramente estilística, mas uma necessidade ergonômica para pilotos e cronometristas que precisavam ler os minutos acumulados num relance rápido sob estresse. Durante décadas, esses modelos originais permaneceram como 'dorminhocos' em leilões, ofuscados pelos modelos Cricket ou pelos cronógrafos da Heuer e Breitling. A ressurreição deste modelo em 2023 é creditada em grande parte a Guillaume Laidet, um consultor e empresário visionário (também responsável pelo renascimento da Nivada Grenchen e Excelsior Park). Ao assumir a direção criativa da Vulcain, Laidet percebeu que a marca não poderia sobreviver apenas com o Cricket. Ele mergulhou nos arquivos da Vulcain e encontrou este cronógrafo esquecido. A decisão crítica no desenvolvimento da versão 2023 foi a rejeição de um movimento automático. Ao escolher o Sellita SW510 M BH b (M de Manual), a Vulcain conseguiu eliminar o rotor oscilante, reduzindo a espessura da caixa para proporções historicamente precisas. O resultado é um relógio que respeita a integridade arquitetônica da caixa 'step-case' original, mantendo o diâmetro clássico de 38 mm que muitos puristas consideram o 'ponto ideal' da elegância esportiva. Este lançamento não apenas diversificou o portfólio da Vulcain, mas reafirmou sua capacidade de produzir horologia instrumental de alto nível sem depender de sua complicação de alarme característica.

CURIOSIDADES

1. O apelido 'Big Eye' deriva da assimetria funcional do mostrador, onde o contador de minutos é propositalmente ampliado para legibilidade instantânea, uma característica rara compartilhada com relógios militares como o Type 20. 2. Embora a Vulcain seja sinônimo do alarme 'Cricket', este modelo é estritamente um cronógrafo, demonstrando a versatilidade histórica da marca além de sua complicação principal. 3. O movimento SW510 M BH b é uma modificação moderna da arquitetura robusta do Valjoux 7750, mas convertido para corda manual e sem a função de data, eliminando a posição 'fantasma' na coroa. 4. O modelo de 2023 mantém fielmente a caixa de 38mm, resistindo à tendência moderna de aumentar relógios esportivos para 40mm ou 42mm. 5. Guillaume Laidet, responsável pelo renascimento deste modelo, utilizou o feedback direto da comunidade de colecionadores no Instagram para finalizar os detalhes de design antes do lançamento. 6. A luminescência utilizada é a Super-LumiNova na cor 'Old Radium' ou bege, aplicada para simular a pátina de trítio envelhecido encontrada nos modelos originais dos anos 70. 7. Diferente dos originais que usavam cristais de acrílico (plexiglass), a reedição usa safira 'double domed' que imita a distorção visual vintage, mas com resistência a riscos quase absoluta.

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