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Breguet Classique Tourbillon Messidor Ref. 5335: A Poesia Mecânica da Transparência e o Turbilhão Flutuante


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Turbilhão esqueletizado com pontes de safira invisíveis, criando a ilusão de flutuação. Nomeado em homenagem ao mês do calendário republicano francês.

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RESUMO

O Breguet Classique Tourbillon Messidor Ref. 5335, lançado em meados dos anos 2000, representa um dos exercícios mais audaciosos e poeticamente técnicos da relojoaria moderna. Posicionado no ápice do catálogo da Breguet, este não é um mero relógio de cerimónia; é uma declaração de mestria absoluta sobre a arte do turbilhão e a ciência dos materiais. A sua filosofia de design reside num paradoxo cativante: tornar o invisível visível. Ao utilizar pontes de cristal de safira meticulosamente maquinadas para suportar o turbilhão e o trem de engrenagens, a Breguet cria uma ilusão espetacular de levitação mecânica. O coração do relógio parece flutuar no vazio, desprovido de qualquer suporte convencional. Esta abordagem vanguardista, combinada com os códigos estéticos intemporais da marca — como a caixa canelada e os ponteiros Breguet —, destina-se ao colecionador mais exigente, aquele que procura não apenas uma complicação histórica, mas uma interpretação artística que desafia as convenções. A sua importância horológica reside na forma como demonstrou que a herança de Abraham-Louis Breguet não era um dogma, mas sim uma fundação para a inovação radical, fundindo o classicismo do século XVIII com a tecnologia do século XXI de uma forma que poucas casas relojoeiras conseguiriam sequer conceber.

HISTÓRIA

A introdução do Breguet Classique Tourbillon Messidor Ref. 5335, por volta de 2006, marcou um momento de brilhantismo técnico e audácia estética para a venerável Maison. Sob a égide do Swatch Group e a visão apaixonada do seu falecido presidente, Nicolas G. Hayek, a Breguet estava a viver um renascimento, reafirmando o seu estatuto como guardiã do mais importante legado da relojoaria, ao mesmo tempo que se impulsionava para a vanguarda da inovação. O Messidor não foi um produto de evolução incremental, mas sim um salto quântico na apresentação da complicação mais emblemática da marca: o turbilhão, inventado pelo próprio Abraham-Louis Breguet em 1801. O contexto era de uma indústria que redescobria as grandes complicações, mas muitas vezes de forma ostensiva. A Breguet escolheu um caminho diferente. Em vez de simplesmente exibir o turbilhão, a marca decidiu desmaterializar a sua estrutura de suporte, elevando a complicação a uma forma de arte cinética flutuante. O nome 'Messidor' é uma referência histórica e poética, evocando o décimo mês do Calendário Republicano Francês, instituído após a Revolução Francesa, o período tumultuado, mas incrivelmente criativo, em que A.-L. Breguet consolidou a sua genialidade. Esta escolha de nome ligava a peça diretamente à era do seu fundador. O conceito central do Ref. 5335 era a transparência radical. Utilizando pontes de cristal de safira — um material notoriamente difícil de maquinar com a precisão necessária para componentes de movimento —, os relojoeiros da Breguet conseguiram criar uma arquitetura de movimento quase etérea. Uma ponte de safira sustenta a gaiola do turbilhão na posição das 6 horas, enquanto outra, no centro, suporta o trem de engrenagens. O resultado é uma ilusão mágica: o mecanismo parece levitar dentro da caixa canelada, livre de qualquer ligação visível à platina principal. Este feito não era apenas estético; era uma demonstração de força técnica, provando a capacidade da Breguet em dominar materiais ultramodernos com a mesma destreza com que os seus artesãos gravam e angulam componentes à mão. O modelo foi lançado principalmente em platina (5335PT) e ouro rosa (5335BR), mantendo o seu design fundamentalmente inalterado ao longo da sua produção, pois a sua concepção era tão singular que não necessitava de 'gerações' ou atualizações. O seu impacto foi profundo. O Messidor inspirou uma tendência de 'relojoaria da transparência', onde outras marcas de alta gama começaram a explorar o uso de safira e outras estruturas esqueletizadas para criar efeitos visuais semelhantes. No entanto, poucos alcançaram a pureza e a elegância poética do original da Breguet. Para a marca, o 5335 solidificou a sua narrativa dual: a de herdeira de uma tradição inigualável e a de pioneira destemida, provando que o espírito inovador de Abraham-Louis Breguet estava mais vivo do que nunca.

CURIOSIDADES

O nome 'Messidor' refere-se ao 'Mês da Colheita' no Calendário Republicano Francês, ligando este relógio de vanguarda diretamente à era revolucionária do seu fundador, A.-L. Breguet. A maquinação das pontes de safira é um processo de extrema complexidade. A dureza do material (9 na escala de Mohs) torna-o resistente a riscos, mas também muito quebradiço, resultando numa taxa de falha muito elevada durante a produção. Para amplificar a ilusão de flutuação, a platina principal do movimento esqueletizado é minimizada e gravada à mão com um padrão delicado, atuando como um pano de fundo discreto para o espetáculo mecânico central. Apesar da sua aparência delicada, a estrutura de safira é surpreendentemente robusta e estável, garantindo a precisão cronométrica do movimento, um testemunho da engenharia avançada da Breguet. O calibre 558 SQ2 é baseado numa ébauche de alta qualidade da Nouvelle Lemania (uma empresa também pertencente ao Swatch Group e historicamente ligada à Breguet), mas é tão profundamente modificado, esqueletizado e acabado à mão na manufatura Breguet que se torna uma criação distinta e proprietária. O relógio é frequentemente referido pelos colecionadores como o 'Turbilhão Flutuante' ou 'Turbilhão Fantasma' devido ao seu efeito visual único e hipnótico. O design é um exercício de minimalismo máximo no contexto de uma grande complicação; não há um mostrador tradicional, apenas um anel de capítulo em safira para preservar a transparência total da peça.

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