RESUMO
O Breguet Classique Extra-Plat Ref. 5157 representa uma afirmação de pura elegância e domínio técnico num mundo relojoeiro que, na altura do seu lançamento em 2005, se inclinava para o excesso. Posicionado no auge dos relógios de cerimónia (dress watches), o 5157 destina-se ao conhecedor que valoriza a discrição, a herança e a beleza mecânica acima da complexidade ostensiva. A sua filosofia de design é um regresso devoto aos códigos estéticos estabelecidos por Abraham-Louis Breguet há mais de duzentos anos: a pureza de um mostrador de duas agulhas, a complexidade artesanal do guilloché feito à mão, os icónicos ponteiros Breguet de 'pomme évidée' e a característica caixa canelada. A sua importância transcende a sua beleza; é um ato de resistência contra a tendência de relógios sobredimensionados e um testemunho da capacidade da Breguet em miniaturizar a excelência. Ao albergar o lendário calibre extrafino 502.3 num invólucro de apenas 5.35mm, o 5157 não é apenas um relógio, mas um manifesto sobre a relevância intemporal da relojoaria clássica. É a escolha do purista, uma peça que sussurra o seu pedigree em vez de o gritar, provando que a verdadeira sofisticação reside na simplicidade sublime e na execução impecável.
HISTÓRIA
Lançado em 2005, o Breguet Classique Extra-Plat Ref. 5157 surgiu como uma elegante antítese à era dos relógios desportivos de grandes dimensões que dominava o início do século XXI. Foi uma declaração poderosa da Breguet, sob a égide do Swatch Group, reafirmando a sua identidade histórica e o seu domínio da relojoaria clássica e refinada. A sua génese não foi uma revolução, mas sim uma destilação da mais pura tradição Breguet, focada num único objetivo: criar o relógio de cerimónia automático perfeito, combinando a estética intemporal do fundador com um feito de microengenharia. O coração desta peça, o calibre 502.3, é fundamental para a sua história. Este movimento é uma evolução direta do lendário calibre 71 da Frédéric Piguet (agora Manufacture Blancpain), um dos movimentos automáticos mais finos do mundo desde a sua criação nos anos 70. Ao adotá-lo e refiná-lo extensivamente com acabamentos de alta relojoaria e um característico rotor descentralizado em ouro, a Breguet não só resolveu o desafio da espessura, mas também criou um espetáculo visual visível através do fundo de safira. A decisão de descentralizar o rotor foi um golpe de génio, permitindo simultaneamente reduzir a espessura total e oferecer uma vista mais ampla da arquitetura e decoração do movimento. O design do 5157 é um estudo de constância e perfeição. Desde o seu lançamento, a sua estética permaneceu praticamente inalterada, um testemunho da sua natureza 'finalizada'. Cada elemento é uma homenagem direta a Abraham-Louis Breguet: a caixa de 38mm com a sua delicada canelura lateral, as asas retas e soldadas (um detalhe artesanal dispendioso que evoca os primeiros relógios de pulso), e o mostrador em ouro maciço, laboriosamente decorado à mão com um padrão 'Clous de Paris' através da técnica de guillochage. Este último, juntamente com os ponteiros de aço azulado e a assinatura secreta da Breguet, constitui o ADN inconfundível da marca. As variações principais da referência 5157 limitam-se ao material da caixa – ouro amarelo (BA), rosa (BR) e branco (BB) – sublinhando a sua vocação de peça clássica e imutável. O seu impacto foi profundo. O 5157 não só se tornou um pilar da coleção Classique, mas também serviu como um farol para a indústria, demonstrando que a inovação não reside apenas em novas complicações, mas também na mestria de refinar e aperfeiçoar o essencial. Solidificou a reputação da Breguet como guardiã da mais alta tradição relojoeira, provando que um relógio de duas agulhas, quando executado a este nível de arte e engenharia, pode ser tão cativante e tecnicamente impressionante como qualquer grande complicação.
CURIOSIDADES
O calibre 502.3 descende diretamente do famoso movimento Frédéric Piguet 71, um dos calibres automáticos mais finos de sempre, o que confere ao 5157 uma linhagem mecânica histórica.
Cada mostrador do 5157 é feito de uma placa de ouro maciço antes de ser prateado e meticulosamente trabalhado à mão num motor de rosa (rose engine) para criar o padrão guilloché 'Clous de Paris'.
Fiel à tradição de A.-L. Breguet para combater falsificações, o mostrador inclui uma 'assinatura secreta' gravada, visível apenas com luz rasante, geralmente perto do marcador das 12 horas.
O rotor de corda em ouro de 22k é deliberadamente descentralizado, uma solução técnica que não só ajuda a manter a espessura mínima do movimento, mas também proporciona uma vista desobstruída de grande parte da sua decoração requintada.
As asas da caixa são soldadas individualmente ao corpo principal e fixadas com barras de rosca em vez de pinos de mola, um método de construção tradicional, mais robusto e dispendioso, típico da relojoaria de alta gama do passado.
Devido ao seu design puro e essencial, o 5157 nunca adquiriu alcunhas na comunidade de colecionadores, sendo reverenciado pelo seu nome e referência, um sinal de respeito pela sua identidade clássica.
Personalidades como Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, foram vistas a usar relógios da coleção Breguet Classique, perpetuando a longa história da marca como 'o relógio de reis e estadistas'.