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Vulcain Cricket Nautical S70: A Odisseia Subaquática da Era Espacial e o Ápice da Descompressão Mecânica (1970)


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Evolução do modelo de mergulho com estética Space Age dos anos 70, caracterizado por índices laranjas e tabelas de descompressão atualizadas.

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RESUMO

O Vulcain Cricket Nautical S70, lançado na virada da década de 1970, representa uma das evoluções mais fascinantes e esteticamente ousadas na história da relojoaria de mergulho. Enquanto o seu predecessor de 1961 estabeleceu o padrão técnico ao ser o primeiro relógio capaz de emitir um alarme audível a 300 metros de profundidade, o S70 trouxe essa tecnologia para a 'Space Age'. Distinguindo-se imediatamente pelo seu mostrador antracite adornado com índices laranjas vibrantes e escalas de descompressão redesenhadas, esta peça não foi apenas um exercício de estilo, mas uma atualização científica baseada em novas teorias de mergulho. O modelo captura o espírito zeitgeist dos anos 70, abandonando o conservadorismo clássico em favor de uma legibilidade agressiva e uma caixa em formato 'tonneau' mais robusta. No coração desta máquina encontra-se o lendário Calibre Cricket 120, alojado numa engenharia de caixa tripla que atua como câmara de ressonância. Para o colecionador moderno e historiador, o S70 é a síntese perfeita entre a utilidade instrumental bruta e o design funk-futurista, servindo como um testemunho da era de ouro da exploração subaquática mecânica antes da revolução do quartzo.

HISTÓRIA

A história do Vulcain Cricket Nautical S70 é, intrinsecamente, a história da busca humana pelo domínio das profundezas, filtrada através da lente estética e cultural de 1970. Para compreender o S70, deve-se primeiro olhar para 1961, quando a Vulcain, em colaboração com o lendário mergulhador Hannes Keller e o explorador Arthur Droz, lançou o primeiro Cricket Nautical. O desafio era hercúleo: criar um relógio cujo alarme pudesse ser ouvido não apenas no ar, mas através da densidade da água e do neoprene dos trajes de mergulho, alertando o mergulhador sobre os tempos críticos de subida. A solução foi a criação de uma caixa com câmara de ressonância tripla, uma maravilha da engenharia acústica que permitiu que o som do martelo atingindo um pino interno reverberasse com clareza a 300 metros de profundidade. No entanto, à medida que a década de 1960 terminava, a ciência do mergulho evoluía, assim como o gosto dos consumidores. Em 1970, a Vulcain decidiu atualizar o seu ícone. O resultado foi o Nautical S70. Diferente do modelo de 1961, que possuía uma estética mais sóbria e científica com mostrador preto, o S70 abraçou a 'Space Age'. A caixa tornou-se mais volumosa e angular, refletindo a tendência dos relógios ferramenta da época. O mostrador passou por uma revolução visual: a introdução de detalhes em laranja neon não era apenas uma escolha de moda, mas uma tentativa de melhorar o contraste e a legibilidade em águas turvas. Mais importante ainda, as tabelas de descompressão no mostrador foram atualizadas. Durante a década de 60, Hannes Keller continuou suas experiências em mergulhos profundos e misturas de gases, o que levou a ajustes nos cálculos de tempo de fundo e paradas descompressivas. O S70 incorporou essas novas tabelas diretamente no seu mostrador complexo, permitindo que os mergulhadores calculassem paradas de segurança girando a coroa secundária, sem a necessidade de tabelas de papel externas que poderiam ser perdidas. O S70 permaneceu em produção por um curto período, sendo eventualmente ofuscado pela revolução do quartzo e pelos computadores de mergulho digitais que surgiriam anos depois. Durante décadas, permaneceu como um segredo entre colecionadores de 'tool watches', valorizado tanto pela sua engenharia sonora única quanto pelo seu design que grita 'anos 70'. Hoje, é considerado um dos relógios de alarme mais carismáticos já produzidos, um monumento à engenhosidade mecânica aplicada à sobrevivência humana em ambientes hostis.

CURIOSIDADES

1. O Sistema de Ressonância: O fundo da caixa possui furos que permitem a entrada de água em uma câmara intermediária, mas uma membrana sela o movimento; a água atua como condutora acústica, amplificando o som do alarme. 2. A Conexão Keller: As tabelas de descompressão no mostrador foram baseadas nos cálculos reais do matemático e mergulhador Hannes Keller, que atingiu profundidades recordes na época. 3. O 'Grilo' Subaquático: O nome 'Cricket' vem do som estridente do alarme, que se assemelha ao cricrilar de um grilo, uma assinatura acústica da Vulcain desde 1947. 4. Estética Funcional: A cor laranja dos índices do S70 foi escolhida porque, na época, acreditava-se que oferecia excelente visibilidade antes de ser filtrada pela profundidade (embora o laranja seja uma das primeiras cores a desaparecer na água, o contraste com o cinza era o foco). 5. Coroa Dupla: O relógio possui duas coroas; uma para dar corda e ajustar o alarme/horas, e outra especificamente para girar o anel interno das tabelas de descompressão. 6. Raridade: O modelo S70 é consideravelmente mais raro que as reedições modernas, e encontrar um exemplar com o mostrador original sem danos de umidade é o 'Santo Graal' para colecionadores da marca.

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