RESUMO
Lançada em 1992, marcando o 160º aniversário da manufatura de Saint-Imier, a coleção 'La Grande Classique de Longines' não foi apenas uma nova linha de produtos, mas uma declaração de princípios estéticos que definiria a identidade da marca nas décadas seguintes. Este modelo, nascido sob o contexto crítico de restabelecer o luxo tradicional após a Crise do Quartzo, capitalizou sobre a herança histórica dos fundadores, especificamente Auguste Agassiz. A peça de 1992 distingue-se pelo seu perfil extremamente esbelto, possibilitado por movimentos de quartzo de alta precisão (e posteriormente mecânicos automáticos de perfil baixo) alojados numa construção de caixa patenteada. A assinatura visual reside nas suas garras (asas) singulares, que não são soldadas à carrura tradicional, mas sim integradas na placa traseira do relógio ou desenhadas como extensões fluidas que permitem que a caixa pouse rente ao pulso, criando uma silhueta contínua e etérea. Este design 'ultra-slim' tornou-se o veículo físico para o famoso slogan da marca, 'Elegance is an attitude'. Como historiador, classifico o modelo de 1992 como o ponto de inflexão onde a Longines abandonou a corrida tecnológica desenfreada para abraçar o seu papel como guardiã da elegância clássica acessível, com mostradores brancos imaculados, algarismos romanos pintados e ponteiros do tipo 'baton' que evitam qualquer distração visual supérflua.
HISTÓRIA
A história da 'La Grande Classique' é indissociável da própria fundação da Longines em 1832, embora a coleção como entidade nomeada tenha sido formalmente cristalizada em 1992. Para compreender a importância deste modelo, é necessário recuar às origens da marca com Auguste Agassiz. Durante o século XIX, a Longines (então Agassiz & Co.) ganhou fama pela produção de relógios de bolso excepcionalmente planos e elegantes. No entanto, o século XX trouxe desafios sísmicos. Após a revolução do quartzo nas décadas de 1970 e 1980, a relojoaria suíça procurava a sua alma. Enquanto outras marcas apostavam na complexidade mecânica excessiva ou no design desportivo agressivo, a Longines tomou uma decisão estratégica em 1992: olhar para trás para avançar.
Inspirando-se diretamente nos relógios de bolso 'Lépine' da era Agassiz, a Longines desenvolveu a 'La Grande Classique'. A inovação técnica central de 1992 não estava numa complicação horológica, mas na arquitetura da caixa. Os engenheiros desenharam uma estrutura onde as garras não eram extensões da caixa intermédia, mas sim parte integrante do fundo da caixa ou ligadas de forma a minimizar a altura total. Isto permitiu que o relógio se sentasse no pulso com um perfil quase bidimensional, uma proeza ergonómica que o tornou instantaneamente icónico em eventos de gala e ambientes corporativos.
O lançamento de 1992 serviu também para cimentar a utilização do logótipo da 'clepsidra alada' (o mais antigo logótipo registado na OMPI ainda em uso inalterado) como um selo de garantia de design intemporal. Ao longo dos anos 90 e 2000, enquanto a moda dos relógios oscilava para diâmetros gigantescos, a La Grande Classique manteve-se estoicamente fiel às suas proporções discretas, tornando-se o 'best-seller' perene da marca e a escolha preferida para presentes diplomáticos e marcos pessoais. A versão de 1992 estabeleceu o padrão ouro para o relógio de vestido (dress watch) democrático: fiável, incrivelmente fino e esteticamente irrepreensível.
CURIOSIDADES
1. O logótipo da Longines (a clepsidra alada) presente no mostrador deste modelo é a marca registada mais antiga do mundo ainda em atividade, inalterada, na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
2. A construção específica da caixa de 1992 utiliza as garras como 'ponte' para segurar a bracelete, permitindo que o fundo do relógio seja perfeitamente liso e confortável contra a pele.
3. Este modelo é frequentemente citado como o 'relógio de smoking' por excelência devido à sua espessura que desliza sem atrito sob qualquer punho de camisa engomada.
4. Embora associado ao quartzo pela sua espessura mínima, existiram versões raras automáticas que utilizavam micro-rotores ou calibres ultra-finos (como o L593) para manter a silhueta.
5. O design é considerado 'unissexo' por natureza; a Longines foi pioneira em 1992 ao oferecer a mesma estética exata em cinco tamanhos diferentes, democratizando a elegância entre géneros.
6. A La Grande Classique foi o modelo principal utilizado nas campanhas publicitárias com ícones como Audrey Hepburn e Humphrey Bogart, sob o slogan 'Elegance is an attitude'.
7. Ao contrário de muitos relógios da época que usavam vidro mineral, a Longines insistiu no uso de cristal de safira em 1992 para esta linha, garantindo que a clareza do mostrador branco permanecesse inalterada por décadas.