RESUMO
O Orient Star Center Second de 1953 representa um momento seminal na história da relojoaria japonesa do pós-guerra. Posicionado como a oferta de topo da recém-renomeada Orient Watch Co., este modelo foi uma declaração de intenção técnica e estética. Nascido num período de intensa reconstrução e ambição industrial, o seu público-alvo era o crescente número de profissionais e assalariados japoneses que procuravam um símbolo de sofisticação moderna e fiabilidade. A sua filosofia de design rompeu com o passado; ao mover o ponteiro dos segundos do tradicional sub-mostrador para o centro, a Orient abraçou uma linguagem visual mais limpa, dinâmica e contemporânea que estava a ganhar proeminência a nível global. Esta não foi uma mera alteração cosmética, mas sim a prova da crescente capacidade da marca em engenharia de calibres. A importância do Center Second reside no seu papel como um catalisador. Solidificou a linha 'Star' como o pináculo da Orient, um nome que até hoje é sinónimo de qualidade superior dentro da marca. Mais do que um simples relógio de vestir, foi um marco na evolução da Orient, demonstrando a sua agilidade para inovar e competir diretamente com os gigantes estabelecidos, estabelecendo as bases para as décadas de sucesso e inovação mecânica que se seguiriam.
HISTÓRIA
A história do Orient Star Center Second de 1953 é a crónica da ambição de uma marca a afirmar-se num Japão em plena reconstrução. A sua génese remonta a apenas dois anos antes, em 1951, quando a Tama Keiki Co. foi rebatizada como Orient Watch Co., Ltd. e lançou o seu primeiro modelo emblemático: o Orient Star. Este relógio inaugural foi concebido para ser a 'estrela brilhante' da sua coleção, incorporando a melhor qualidade e design que a empresa podia oferecer. Seguindo a convenção horológica da época, o primeiro Orient Star apresentava um pequeno sub-mostrador de segundos (sub-segundo) às 6 horas, uma herança direta da arquitetura dos relógios de bolso. Embora fiável e elegante, este design começava a parecer datado face às tendências internacionais.
A verdadeira revolução chegou em 1953. A decisão de redesenhar o calibre para acomodar um ponteiro de segundos central foi um passo arrojado e tecnicamente significativo. Esta modificação exigiu a adição de uma engrenagem e uma ponte extra no coração do movimento da família 'N-Type', demonstrando um avanço notável na capacidade de engenharia da Orient. O resultado foi o Orient Star Center Second. Esteticamente, a mudança foi transformadora. O mostrador tornou-se mais simétrico, legível e visualmente maior, projetando uma aura de modernidade e sofisticação que ressoou imediatamente com o mercado. Este modelo tornou-se um pilar da coleção, oferecendo um design clássico de relógio de vestir que era simultaneamente elegante e funcional.
Ao longo da década de 1950, o Center Second viu subtis evoluções. As primeiras iterações apresentavam caixas mais pequenas, tipicamente de 33-34mm, e mostradores com tipografias e logótipos que variavam ligeiramente, tornando certas configurações, como aquelas com o logótipo 'script' inicial, particularmente cobiçadas pelos colecionadores hoje. Os calibres também foram refinados, com melhorias nos sistemas de proteção contra choques e um aumento gradual no número de joias para maior durabilidade e precisão. Este modelo não era sobre variações radicais, mas sobre um refinamento constante.
O seu impacto na Orient é incomensurável. O sucesso do Center Second provou que a Orient não era apenas uma montadora, mas uma verdadeira 'manufacture' capaz de desenvolver e evoluir os seus próprios movimentos. Ele cimentou a linha Star como a vanguarda da marca, uma identidade que perdura até hoje. Além disso, a experiência adquirida no desenvolvimento destes calibres manuais avançados foi a base sobre a qual a Orient construiu as suas inovações mais famosas, incluindo o Orient Star Dynamic de 1957 e, crucialmente, os seus primeiros movimentos automáticos robustos, como o Calibre T-Type Super Auto de 1958 e o revolucionário Grand Prix 100 de 1964. O Orient Star Center Second de 1953 não foi apenas um relógio; foi um passo fundamental na escada evolutiva que elevou a Orient ao estatuto de um dos 'Três Grandes' da relojoaria japonesa.
CURIOSIDADES
O Salto da Modernidade: A transição de um sub-segundo para segundos centrais não foi apenas estética. Exigiu uma reengenharia significativa do comboio de engrenagens do movimento, um feito técnico que sinalizou a crescente sofisticação da Orient na concepção de calibres.
A Estrela como Símbolo: O nome 'Star' foi deliberadamente escolhido em 1951 para simbolizar a aspiração da empresa em criar o seu produto 'estrela brilhante', um farol de qualidade e precisão na era do pós-guerra.
Variações de Mostrador Raras: Colecionadores procuram avidamente por variações subtis nos primeiros modelos, incluindo diferentes fontes para o texto 'Orient Star' e ligeiras alterações no design do logótipo da estrela aplicada, que podem indicar lotes de produção iniciais.
Fundação para a Automação: Os robustos calibres manuais N-Type usados nestes relógios serviram como a arquitetura base para o desenvolvimento dos primeiros movimentos automáticos da Orient, incluindo o aclamado Cal. 64 (T-Type) introduzido no final da década.
Um Artefacto da Reconstrução: Mais do que um dispositivo para ver as horas, este relógio é um artefacto do 'milagre económico japonês'. Representa a transição do país para a produção de bens de consumo de alta qualidade e design moderno para um mercado doméstico em expansão.
O Significado do 'Center Second': Na época, o termo 'Center Second' era frequentemente impresso no mostrador como um ponto de marketing, destacando orgulhosamente a sua modernidade em relação aos modelos mais antigos de sub-segundos.