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IWC Da Vinci Quartz Electronic Ref. 3501 (1970): A Avant-Garde do Calibre Beta 21


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A resposta à crise do quartzo. Primeiro relógio de pulso da IWC com o movimento Beta 21 (desenvolvido pelo consórcio CEH). Caixa hexagonal maciça em ouro, design futurista típico da era espacial. Um marco tecnológico que precedeu o calendário perpétuo de 1985.

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RESUMO

Lançado na Feira de Basel de 1970, o IWC Da Vinci Quartz Electronic (Ref. 3501) representa um dos marcos mais significativos na horologia do século XX, simbolizando a resposta coletiva da indústria suíça à emergente 'Crise do Quartzo'. Como o primeiro relógio de pulso da International Watch Company a incorporar um movimento de quartzo — o lendário Calibre Beta 21 —, o modelo foi o resultado do esforço colaborativo do Centre Electronique Horloger (CEH). Distinguindo-se por sua estética brutalista e futurista, a Ref. 3501 apresentava uma caixa hexagonal maciça, tipicamente esculpida em ouro 18k, que fundia pulseira e caixa em uma silhueta contínua, epitomizando o design da 'Era Espacial'. Embora sua tecnologia fosse rapidamente superada, o Da Vinci Quartz estabeleceu a linhagem de design que, em 1985, abrigaria o revolucionário calendário perpétuo mecânico de Kurt Klaus, cimentando seu lugar como um artefato de transição crucial entre a alta relojoaria eletrônica experimental e o renascimento mecânico.

HISTÓRIA

A gênese do IWC Da Vinci Ref. 3501 remonta a 1962, com a fundação do Centre Electronique Horloger (CEH) em Neuchâtel. Diante da ameaça iminente da tecnologia eletrônica vinda dos Estados Unidos (Bulova Accutron) e do Japão (Seiko), um consórcio de cerca de 20 marcas suíças de prestígio — incluindo IWC, Patek Philippe, Rolex e Omega — uniu forças para desenvolver um movimento de quartzo suíço de alta precisão. O resultado desse esforço monumental foi o Calibre Beta 21, finalizado em 1969 e apresentado comercialmente em 1970. A IWC escolheu batizar seu modelo equipado com o Beta 21 de 'Da Vinci', invocando o espírito visionário e inventivo de Leonardo da Vinci. O design do relógio foi deliberadamente provocativo e moderno, rompendo com as caixas redondas clássicas da marca para adotar uma geometria hexagonal arrojada e pesada, que refletia tanto o valor intrínseco do ouro quanto a modernidade do mecanismo interno. O movimento Beta 21 não era um quartzo comum pelos padrões atuais; era um híbrido complexo que oscilava a 8.192 Hz e utilizava um motor vibratório para mover o trem de engrenagens, resultando em um ponteiro de segundos com um movimento de varredura suave (sweep) e um zumbido característico, diferentemente do 'tique-taque' de 1 segundo dos quartzos modernos. Comercialmente, a Ref. 3501 foi um produto de nicho extremo. O custo de produção do movimento Beta 21 era exorbitante, e aliado à quantidade massiva de ouro da caixa, o relógio custava muitas vezes o preço de um automóvel popular da época. A produção foi limitada (estimada em poucas centenas de unidades para a IWC) e de curta duração, pois a tecnologia de quartzo evoluiu rapidamente para circuitos mais finos e eficientes. No entanto, a importância histórica da Ref. 3501 reside na sua caixa: em 1985, no auge da crise que quase faliu a IWC, o mestre relojoeiro Kurt Klaus adaptou este mesmo design de caixa para lançar o Da Vinci Calendário Perpétuo (Ref. 3750). Assim, o 'Da Vinci' original de 1970 serviu como o berço físico para a salvação mecânica da marca, criando uma ponte fascinante entre a revolução do quartzo e o renascimento da alta relojoaria mecânica.

CURIOSIDADES

1. O movimento do ponteiro de segundos do Beta 21 é perfeitamente contínuo e suave, acionado por uma roda de índice vibratória, criando um efeito visual mais fluido do que a maioria dos relógios mecânicos de 28.800 vph. 2. No lançamento, o IWC Da Vinci Quartz custava aproximadamente 10 a 15 vezes mais do que um IWC Ingenieur de aço inoxidável da mesma época. 3. A bateria original do Beta 21 era enorme e tinha uma vida útil curta (frequentemente menos de um ano), devido ao alto consumo de energia do motor oscilante. 4. A IWC foi uma das acionistas fundadoras do CEH, detendo uma participação significativa no desenvolvimento, o que garantiu acesso prioritário aos movimentos Beta 21 ao lado da Rolex (Ref. 5100) e Patek Philippe (Ref. 3587). 5. A posição da janela de data e a coroa eram ditadas pela arquitetura retangular do movimento Beta 21, o que obrigava todas as marcas que usavam esse calibre a adotarem caixas grandes e, muitas vezes, formatos não convencionais. 6. O nome 'Da Vinci' foi utilizado pela primeira vez neste modelo eletrônico, ironicamente tornando-se mais tarde sinônimo das maiores complicações mecânicas da IWC. 7. Devido à dificuldade de manutenção e escassez de peças eletrônicas do Beta 21, muitos exemplares sobreviventes funcionam apenas como peças de museu estáticas, tornando as unidades em funcionamento extremamente valiosas para colecionadores técnicos.

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