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A Ressurreição Púrpura de Kameido: King Seiko SPB291 'Tenjin-fuji' – Uma Ode à Daini Seikosha e às Glicínias Sagradas


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Edição Boutique Special com mostrador lavanda degradê inspirado nas glicínias do santuário Kameido Tenjin.

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RESUMO

Lançado em meados de 2022 como uma 'Boutique Special Edition', o King Seiko SPB291, conhecido carinhosamente pelos colecionadores como 'Tenjin-fuji' ou 'Kameido Wisteria', representa o auge da fusão entre a precisão industrial e o lirismo cultural japonês. Este modelo não é apenas uma reinterpretação fiel do lendário King Seiko KSK de 1965; é uma carta de amor geográfica à antiga casa da Daini Seikosha. O relógio destaca-se imediatamente pelo seu mostrador deslumbrante em tom lavanda suave com acabamento 'sunray' e um sutil efeito degradê, projetado para evocar as cascatas de glicínias (fuji) que florescem no Santuário Kameido Tenjin, localizado a poucos passos da histórica fábrica da Seiko em Tóquio. Com uma caixa de 37mm perfeitamente angulada e polida, o SPB291 captura a essência da 'Gramática do Design' de Taro Tanaka, oferecendo arestas vivas e superfícies planas que brincam com a luz de maneira espetacular. Equipado com o calibre 6R31, que remove a complicação de data para preservar a simetria purista do mostrador, este relógio simboliza o renascimento da marca King Seiko, posicionando-a como uma alternativa sofisticada e historicamente rica dentro do portfólio da Seiko, celebrando a rivalidade e a excelência que definiram a relojoaria japonesa no século XX.

HISTÓRIA

A história do King Seiko SPB291 'Tenjin-fuji' é indissociável da narrativa da própria industrialização japonesa e da feroz rivalidade interna que impulsionou a Seiko ao topo da horologia mundial. Para compreender este modelo de 2022, devemos viajar até a década de 1960. A Seiko operava com duas subsidiárias principais competindo entre si: a Suwa Seikosha (criadora do Grand Seiko) e a Daini Seikosha (criadora do King Seiko). A Daini Seikosha estava localizada no bairro de Kameido, em Tóquio. Esta competição interna não era apenas comercial, mas filosófica e técnica, resultando em avanços rápidos em precisão e design. O modelo original que serve de base para o SPB291 é o King Seiko KSK de 1965 (série 44KS). O KSK foi fundamental por estabelecer uma linguagem de design que desafiava os relógios suíços da época, utilizando superfícies planas e polidas para refletir a luz sem distorção, uma técnica que viria a ser conhecida como a 'Gramática do Design'. Quando a Seiko decidiu reviver a linha King Seiko como uma coleção permanente em 2022, não o fez apenas replicando formas, mas incorporando a alma do local de nascimento da marca. O bairro de Kameido, lar da Daini Seikosha, é famoso pelo Santuário Kameido Tenjin, construído no século XVII. A característica mais icônica deste santuário são as suas treliças de glicínias (fuji) roxas que florescem na primavera, criando um dossel etéreo sobre a lagoa e a famosa Ponte Tambashi. O SPB291 'Tenjin-fuji' foi concebido para capturar esse fenômeno natural específico. Ao contrário de outras reedições focadas estritamente na precisão histórica preto-e-branco, o SPB291 usa o mostrador para contar a história do ambiente onde os relojoeiros da Daini trabalhavam. O tom lavanda não é apenas uma escolha estética da moda; é uma representação do 'Fujiiro' (cor de glicínia), profundamente enraizado na cultura e poesia japonesas. O efeito degradê radial (mais claro no centro) imita a luz do sol filtrada através das flores pendentes. Técnicamente, o modelo marca uma evolução significativa ao utilizar o calibre 6R31. A escolha deste movimento foi deliberada: ao eliminar a janela de data, a Seiko pôde oferecer um mostrador limpo e ininterrupto, fiel à elegância dos relógios de vestir dos anos 60, mas com a robustez e a reserva de marcha de 70 horas exigidas pelo consumidor moderno. O relógio, portanto, atua como uma ponte temporal: sua caixa angular e pulseira de sete elos multifacetados são tributos diretos à engenharia mecânica da era de ouro da Daini Seikosha, enquanto o mostrador poético suaviza a rigidez industrial com a beleza natural de Kameido.

CURIOSIDADES

1. O nome 'Tenjin-fuji' refere-se especificamente às glicínias do Santuário Kameido Tenjin, que foi o tema de famosas xilogravuras Ukiyo-e do mestre Hiroshige no século XIX. 2. A ausência de data no calibre 6R31 foi uma exigência dos puristas do design para manter a simetria perfeita dos índices facetados, algo raro em movimentos modernos desta faixa de preço. 3. O medalhão no fundo da caixa é uma recriação do escudo original do King Seiko, um símbolo de qualidade que, nos anos 60, garantia que o relógio passava pelos rigorosos testes de cronometria da Daini. 4. As asas (lugs) do relógio possuem um corte chanfrado interno distinto, uma característica herdada do 44KS original que ajuda o relógio a 'abraçar' o pulso e reflete a luz de ângulos inesperados. 5. Diferente do Grand Seiko, que historicamente focava em polimento Zaratsu em curvas complexas, o King Seiko é famoso por suas superfícies planas e ângulos agressivos, apelidados de 'Katana' por alguns entusiastas. 6. A pulseira de sete elos foi desenhada especificamente para este renascimento; seus elos capturam a luz individualmente, criando um efeito de 'joia' que dispensa a necessidade de diamantes ou metais preciosos. 7. Embora não seja uma edição limitada numerada, a designação 'Boutique Special Edition' implica uma distribuição restrita, tornando-o um modelo cobiçado que frequentemente esgota rapidamente em mercados ocidentais.

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