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Universal Genève Calibre UG 101: O Renascimento Técnico do Lendário Microtor e a Promessa de uma Nova Era


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O marco técnico do renascimento da manufatura: uma atualização moderna do lendário movimento de micro-rotor, apresentando pontes redesenhadas e escapamento moderno, lançado pouco após a aquisição de 2006.

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RESUMO

O Calibre UG 101, apresentado em 2007, representa um dos capítulos mais fascinantes e agridoces da horologia moderna. Longe de ser uma simples reedição, este movimento foi concebido como o pilar técnico para o renascimento da Universal Genève como uma manufatura de alta relojoaria, após a sua aquisição pela Stelux Holdings. Posicionado firmemente no segmento de luxo, o UG 101 visava equipar relógios de pulso elegantes e tecnicamente sofisticados, destinados a um público de conhecedores que valorizavam tanto a herança histórica quanto a inovação contemporânea. A sua filosofia de design era uma ponte entre o passado e o futuro: honrar o conceito genial do micro-rotor original — que permitia perfis mais finos e uma visão desobstruída do movimento — enquanto o atualizava para os rigorosos padrões do século XXI. A sua significância transcende o seu sucesso comercial limitado; o UG 101 é um testemunho da proeza de engenharia da marca e um símbolo de uma era promissora que quase foi. Para os colecionadores, é uma peça de um 'renascimento fantasma', um movimento tecnicamente soberbo e extremamente raro que encapsula a ambição, o potencial e a tragédia de uma das maiores marcas da história da relojoaria.

HISTÓRIA

A história do Calibre UG 101 é a crónica de uma ressurreição audaciosa. No início dos anos 2000, a Universal Genève era uma sombra do seu antigo esplendor, uma 'bela adormecida' cuja produção de movimentos in-house cessara décadas antes, vítima da crise do quartzo. A aquisição da marca pelo grupo de Hong Kong, Stelux Holdings, em 2006, acendeu uma chama de esperança na comunidade relojoeira. A promessa não era apenas reviver um nome, mas restaurar a sua alma como uma verdadeira manufatura. O palco para esta revelação foi a Baselworld de 2007, onde a marca apresentou não um, mas dois novos calibres de base: o UG 100 (segundos centrais) e, mais notavelmente, o UG 101 (pequenos segundos), o herdeiro espiritual do seu maior feito técnico: o movimento Microtor. O seu predecessor, o Calibre 215, lançado em 1955, foi uma revolução. Ao integrar um pequeno rotor de corda (micro-rotor) diretamente na platina do movimento, em vez de o sobrepor, a Universal Genève conseguiu criar um dos movimentos automáticos mais finos do mundo. Esta inovação permitiu o design elegante e esbelto do icónico Polerouter, desenhado por um jovem Gérald Genta, e cimentou a reputação da UG como uma força inovadora. No entanto, o UG 101 não foi uma mera cópia nostálgica. Foi uma reengenharia completa, projetada para superar as suas origens. Enquanto os calibres vintage operavam a frequências mais baixas (18.000 ou 19.800 vph), o UG 101 batia a uma frequência moderna de 28.800 vph (4 Hz), garantindo maior precisão e estabilidade cronométrica. A arquitetura foi totalmente redesenhada: as pontes curvas e orgânicas dos movimentos antigos deram lugar a um layout angular, quase arquitetónico, com um acabamento impecável que era visível através do fundo de caixa de safira. A introdução de um balanço de livre oscilação, uma característica de movimentos de alta gama, permitia uma regulação mais fina e duradoura. Este calibre foi apresentado em novos modelos como o 'Okeanos Micro-Rotor' e o ambicioso 'Microtor Cabriolet', com uma caixa reversível. Estas peças demonstravam uma clara intenção de competir no mercado de luxo contemporâneo. Contudo, o renascimento foi tragicamente breve. Apesar do brilhantismo técnico do UG 101, a estratégia de mercado e distribuição da marca vacilou. A produção foi extremamente limitada e os relógios mal chegaram aos mercados internacionais antes que o projeto perdesse o ímpeto e a Universal Genève recaísse no silêncio. Hoje, o Calibre UG 101 é mais do que um movimento; é um artefacto de um futuro que nunca se concretizou. O seu impacto não foi na indústria em geral, mas sim na perceção dos colecionadores, que o veem como a última grande faísca de génio da manufatura, tornando os raros relógios que o abrigam em peças de culto, valorizadas pela sua engenharia excecional e pela sua história comovente.

CURIOSIDADES

O período de 2007-2009 é frequentemente apelidado pela comunidade de colecionadores como o 'Renascimento Fantasma' ou a 'Falsa Alvorada' da Universal Genève, devido à promessa técnica que não se concretizou comercialmente. Ao contrário das pontes graciosas dos calibres vintage, o UG 101 apresentava pontes angulares e robustas, uma escolha deliberada para projetar uma imagem de modernidade e precisão técnica alemã, em vez da estética clássica suíça. Um dos relógios mais complexos a abrigar este calibre foi o 'Microtor Cabriolet', que possuía uma sofisticada caixa reversível, demonstrando a ambição da UG em competir no segmento de relógios com complicações mecânicas. Devido à paralisação do relançamento, estima-se que a produção total de relógios equipados com os calibres UG 100 e UG 101 seja de apenas algumas centenas de unidades, tornando-os extraordinariamente raros e difíceis de encontrar no mercado. O calibre foi desenvolvido em parceria com a 'Chronode SA', uma empresa de desenvolvimento de movimentos de alta gama liderada pelo mestre relojoeiro Jean-François Mojon, o que atesta o seu pedigree técnico de elite. O micro-rotor do UG 101 era fabricado em ouro maciço de 22k para aumentar a sua massa e, consequentemente, a sua eficiência de corda, uma característica típica da alta relojoaria. O nome 'Okeanos', de um dos modelos de lançamento, remete ao titã grego dos oceanos, simbolizando a profundidade da herança e a força da nova ambição da marca.

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