RESUMO
Lançado em 1961, o Certina Blue Ribbon representa um marco fundamental na história da manufatura de Grenchen, simbolizando a transição perfeita entre a robustez utilitária do recém-lançado sistema DS (Double Security) e a elegância exigida pelo traje formal da época. Nomeado em homenagem ao prestigiado prêmio 'Blue Riband' (concedido aos navios que batiam o recorde de velocidade na travessia transatlântica), este modelo não era apenas um exercício de estética, mas uma afirmação de durabilidade técnica sob um disfarce sofisticado. No seu coração batia a lendária família de calibres automáticos 25-65 e, subsequentemente, o 25-651 (com data), movimentos celebrados por relojoeiros até hoje pela sua construção 'trator': espessos, confiáveis e extremamente precisos. O Blue Ribbon de 1961 desafiou a convenção de que relógios sociais eram inerentemente frágeis. Com uma caixa de perfil mais plano que os modelos desportivos, mas mantendo uma integridade estrutural superior graças aos avanços de engenharia da Certina, ele capturou o espírito de otimismo da década de 60. Para o colecionador moderno, este modelo é a quintessência do 'daily wearer' vintage, oferecendo uma resistência ao choque e uma confiabilidade mecânica que rivalizam com muitas peças contemporâneas, tudo envolto num design intemporal de linhas limpas e refinadas.
HISTÓRIA
A história do Certina Blue Ribbon, introduzido em 1961, deve ser analisada sob a ótica da 'Era de Ouro' da engenharia mecânica suíça. Dois anos antes, em 1959, a Certina havia chocado o mundo com o conceito DS (Double Security), que suspendia o movimento dentro da caixa usando um anel elástico de absorção de choque. Enquanto o DS era voltado para alpinistas e mergulhadores, a Certina percebeu uma lacuna no mercado: o profissional executivo que necessitava da mesma confiabilidade mecânica, mas num pacote que deslizasse facilmente sob o punho de uma camisa.
O nome 'Blue Ribbon' foi uma jogada de marketing inspirada. Referia-se ao 'Blue Riband', o troféu não oficial detido pelos transatlânticos de passageiros que cruzavam o Oceano Atlântico com a maior velocidade média (como o SS United States). Ao adotar este nome, a Certina associava o relógio à excelência, velocidade, travessia oceânica e, crucialmente, à resistência hidrodinâmica.
O verdadeiro protagonista deste modelo, contudo, estava oculto sob o mostrador: o calibre 25-65 (e a sua variante com data, 25-651). Desenvolvido in-house, este movimento é frequentemente citado por relojoeiros veteranos como um dos melhores automáticos já produzidos na Suíça antes da crise do quartzo. Diferente dos movimentos finos e delicados de concorrentes como a Longines ou Omega da mesma faixa de preço, o 25-65 era espesso e sobredimensionado propositalmente. As engrenagens eram robustas, o rotor montado sobre rolamentos de esferas era eficiente e a manutenção era lógica. Esta 'superengenharia' significava que o Blue Ribbon podia suportar abusos que destruiriam um relógio social comum.
Durante as décadas de 1960 e 1970, o design do Blue Ribbon evoluiu. As primeiras versões de 1961 apresentavam caixas redondas clássicas, asas finas e mostradores minimalistas. À medida que a década avançava, o modelo incorporou a estética 'C-Shape' e caixas mais volumosas, culminando nas famosas edições 'Volvo' dos anos 70. No entanto, o modelo de 1961 permanece o mais puro em termos de design, representando o momento exato em que a Certina decidiu que um relógio elegante não precisava ser frágil. A linha Blue Ribbon solidificou a reputação da Certina na Escandinávia e na Europa Central como a marca de escolha para quem valorizava a substância técnica acima do prestígio superficial.
CURIOSIDADES
1. Conexão Volvo: Embora o modelo tenha sido lançado em 1961, o Blue Ribbon tornou-se icônico em 1977 quando a Volvo encomendou mais de 60.000 unidades gravadas para presentear seus funcionários no 50º aniversário da montadora, tornando-o um dos relógios corporativos mais famosos da história.
2. O Calibre 'Indestrutível': O movimento 25-651 usado no Blue Ribbon é o mesmo encontrado nos famosos modelos de mergulho DS-2 Super PH500M e PH1000M, provando que este relógio social tinha um 'motor' de mergulhador profissional.
3. Confusão de Nomenclatura: Muitos colecionadores confundem o 'Blue Ribbon' com uma sub-linha do 'DS'. Embora compartilhem a maquinaria, o Blue Ribbon de 1961 tecnicamente não possuía o anel de borracha flutuante completo do sistema DS, focando-se numa vedação tradicional reforçada.
4. Design do Fundo: As primeiras versões do Blue Ribbon (1961-63) possuem fundos de caixa com gravações muito sutis ou lisas, diferentemente dos modelos posteriores que ostentavam logotipos mais elaborados, o que torna a identificação dos 'primeiros anos' um desafio para novatos.
5. O Troféu Hales: A inspiração do nome vem do troféu físico Hales Trophy, mas a Certina optou pela grafia 'Ribbon' (Fita) em vez de 'Riband', possivelmente para facilitar a pronúncia e comercialização global.
6. Variações de Joias: É possível encontrar o calibre 25-65 dentro dos Blue Ribbons com variações de 27 ou 28 rubis, uma peculiaridade de produção da manufatura de Grenchen que dependia do ano exato de montagem.