RESUMO
Lançado em 2011 como uma peça central da aclamada coleção 'Heritage', o Longines Twenty-Four Hours (Ref. L2.751.4.53.x) é uma reinterpretação fiel e evocativa de um instrumento de navegação lendário produzido pela Longines para a companhia aérea nacional suíça, Swissair, na década de 1950. Este relógio não é apenas um instrumento de tempo, mas uma ferramenta de aviação pura, distinguindo-se imediatamente pela sua escala de 24 horas, onde o ponteiro das horas completa apenas uma revolução por dia, eliminando a ambiguidade entre AM e PM — uma necessidade crítica para navegadores aéreos cruzando múltiplos fusos horários. Com uma caixa imponente de 47,5 mm em aço inoxidável, o modelo preserva a robustez e a legibilidade exigidas pelos pilotos originais. O coração desta máquina é o Calibre L704.3, um movimento automático robusto baseado na arquitetura Valgranges, projetado para preencher adequadamente a vasta caixa. Esteticamente, o relógio destaca-se pelo seu fundo de caixa do tipo 'hunter' (tampa articulada), que se abre para revelar o movimento através de um cristal de safira, uma homenagem aos relógios de bolso convertidos para pulso. O mostrador preto mate com numerais superluminova grandes e ponteiros 'poire squelette' oferece um contraste excepcional, consolidando este modelo como um dos tributos mais autênticos da Longines à sua era de ouro na cronometragem aérea.
HISTÓRIA
A história do modelo Longines Twenty-Four Hours de 2011 remonta a um período crucial na aviação civil: os anos 1950. Nesta era, a navegação aérea dependia fortemente de instrumentos mecânicos de precisão e da habilidade dos navegadores em calcular rotas através de navegação celestial e rádio. A Longines, já estabelecida como a fornecedora oficial da Federação Aeronáutica Internacional e parceira de pioneiros como Lindbergh e Weems, foi a escolha natural para a Swissair.
Entre 1953 e 1956, a Longines forneceu à Swissair relógios de pulso exclusivamente projetados para seus navegadores (Ref. 4270 original). A característica definidora deste pedido foi a necessidade de um mostrador de 24 horas. Em voos de longa distância que atravessavam o Atlântico ou rotas polares, a perda da noção de dia e noite era um risco real devido às mudanças rápidas de fuso horário e à luz solar perpétua ou escuridão. Um relógio convencional de 12 horas poderia levar a erros de cálculo fatais na navegação astronômica. Assim, o ponteiro das horas deste modelo foi projetado para varrer o mostrador apenas uma vez por dia, oferecendo uma leitura inequívoca do tempo.
A reedição de 2011 foi meticulosamente desenvolvida pelo departamento de Patrimônio da Longines em Saint-Imier. Ao contrário de muitas reedições que reduzem o tamanho da caixa para se adequar aos gostos modernos, a Longines optou corajosamente por manter o diâmetro de 47,5 mm. Esta decisão honrou a funcionalidade original da peça, que precisava ser grande o suficiente para ser usada sobre o punho de uma jaqueta de voo grossa e legível sob a vibração intensa de uma cabine de comando de pistão. A inclusão do Calibre L704.3 foi uma escolha técnica astuta; sendo derivado da linha Valgranges da ETA, o movimento é fisicamente maior do que os calibres ETA 2892 ou 2824 padrão, permitindo que a janela da data se posicione corretamente na periferia do mostrador grande, em vez de ficar estranhamente 'flutuando' no meio, um erro comum em relógios grandes com movimentos pequenos.
O modelo de 2011 também introduziu um fundo de caixa com tampa articulada (hunter caseback), gravado com o logotipo da ampulheta alada. Este detalhe, embora não presente exatamente da mesma forma em todos os relógios de serviço originais, adicionou um toque de luxo e proteção, conectando o relógio à linhagem dos cronômetros de bolso que o precederam. O Longines Twenty-Four Hours consolidou-se não apenas como uma réplica, mas como um testemunho da relação simbiótica entre a horologia suíça e a conquista dos céus.
CURIOSIDADES
1. Leitura 'Purista': Diferente de relógios GMT que possuem um ponteiro extra, este é um verdadeiro relógio de 24 horas; ao meio-dia, o ponteiro das horas aponta para a parte inferior (posição tradicional das 6h), e à meia-noite, aponta para o topo (posição das 12h/24h).
2. A Conexão Harry Speer: O conceito original foi fortemente influenciado por Harry Speer, o navegador-chefe da Swissair na década de 1950, que especificou a necessidade do mostrador de 24 horas.
3. Calibre Valgranges: O uso da base 'Valgranges' (Granges refere-se a Grenchen, local da ETA) é específico para caixas grandes, evitando anéis espaçadores de plástico excessivos.
4. O Fundo Secreto: A tampa traseira articulada contém gravuras detalhadas na parte interna da dobradiça, detalhando a referência e o número de série, algo raramente visto sem abrir o relógio.
5. Número de Série: Cada peça possui uma numeração sequencial individual, embora não seja uma edição limitada estrita, conferindo exclusividade aos colecionadores.
6. Visibilidade Noturna: A aplicação de Super-LumiNova é intencionalmente espessa e com tom envelhecido para mimetizar o rádio ou trítio oxidado dos modelos vintage.
7. A posição da data às 3 horas foi mantida na reedição, um ponto de discórdia para puristas históricos, mas uma concessão à utilidade moderna.