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Hamilton Wilshire de 1939: O Ícone Art Déco que Curvou o Tempo com as suas Alças Flexíveis


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Marco de design e ergonomia horológica, este modelo introduziu as flexible lugs (alças móveis). A invenção permitia que a caixa retangular rígida se adaptasse dinamicamente à curvatura do pulso, garantindo conforto e estabilidade inéditos.

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RESUMO

O Hamilton Wilshire, lançado em 1939, representa um pináculo do design Art Déco americano e uma inovação ergonómica que redefiniu o conceito de conforto em relógios de pulso. Num período em que a Hamilton consolidava a sua reputação como a principal casa relojoeira da América, o Wilshire não era apenas mais um relógio de luxo; era uma declaração de engenharia e estilo. O seu público-alvo era o homem sofisticado do final da década de 30, um indivíduo que valorizava tanto a precisão mecânica quanto uma estética arrojada e moderna. A filosofia de design do Wilshire transcendeu a mera ornamentação geométrica, tão comum na época, ao abordar um problema funcional persistente nos relógios retangulares: o ajuste ao pulso. A sua solução, as revolucionárias alças flexíveis (flexible lugs), permitia que a caixa longa e rígida se moldasse de forma fluida à curvatura do braço, oferecendo um conforto e estabilidade sem precedentes. Esta fusão de forma e função solidificou o Wilshire como um marco na história da horologia. Mais do que um simples relógio de cerimónia, ele é um testemunho da capacidade da Hamilton de inovar para além do movimento, focando-se na experiência do utilizador e cimentando o seu legado como um verdadeiro pioneiro do design horológico do século XX.

HISTÓRIA

O Hamilton Wilshire emergiu em 1939, num mundo à beira da Segunda Guerra Mundial e no auge da influência estética do Art Déco. A Hamilton Watch Company, já estabelecida como a joia da coroa da relojoaria americana, enfrentava uma concorrência feroz da Elgin e da Waltham. No entanto, a Hamilton distinguia-se pela sua busca incessante de precisão e, cada vez mais, pela inovação em design. Na década de 1930, os relógios de pulso retangulares tornaram-se o epítome da elegância masculina, mas o seu formato alongado e rígido criava um desafio ergonómico significativo: assentavam de forma desajeitada em muitos pulsos, criando espaços desconfortáveis e instabilidade. Precedido por outros modelos retangulares de sucesso como o 'Boulton' e o 'Coronado', o Wilshire não foi uma mera evolução estilística, mas sim um salto quântico em engenharia de design. A sua característica mais marcante, e a razão da sua fama duradoura, foram as alças articuladas, ou 'flexible lugs'. Esta invenção, patenteada pela Hamilton, consistia num sistema de charneiras que permitia que as alças se movessem independentemente da caixa principal. O resultado foi um relógio que se 'abraçava' ao pulso, adaptando-se perfeitamente à sua curvatura natural. Este avanço transformou o Wilshire de um objeto de adorno num instrumento de conforto excecional, materializando o princípio modernista de que 'a forma segue a função'. A produção do Wilshire original foi tragicamente curta, estendendo-se apenas de 1939 a 1941. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial após o ataque a Pearl Harbor, a Hamilton, como muitas outras indústrias americanas, cessou a produção de bens de consumo para se dedicar inteiramente ao esforço de guerra, fabricando cronómetros de marinha, relógios militares e fusíveis de artilharia. Esta interrupção abrupta transformou o Wilshire numa peça rara e altamente cobiçada por colecionadores. Os modelos desta era são facilmente identificáveis pela sua caixa em ouro preenchido de 14k (amarelo ou o mais raro rosa, conhecido como 'coral gold') e pelo movimento de 19 joias, o calibre 982. Embora o nome 'Wilshire' tenha sido reutilizado pela Hamilton em modelos posteriores, nenhum capturou a magia ou a importância histórica do modelo original de 1939. Nas décadas de 1980 e 1990, durante um ressurgimento do interesse por designs históricos, a Hamilton lançou a 'Registered Edition', que incluía uma reedição fiel do Wilshire, reavivando o seu legado para uma nova geração. No entanto, para o colecionador purista, o modelo pré-guerra permanece como o verdadeiro 'graal'. O seu impacto transcendeu a própria Hamilton; o Wilshire demonstrou à indústria que a inovação em design de caixa era tão crucial quanto a inovação em mecânica, influenciando a forma como os relojoeiros abordariam a ergonomia nas décadas seguintes e solidificando-se como um dos designs de relógios mais importantes e belos do século XX.

CURIOSIDADES

O design patenteado das alças flexíveis era tão inovador que a Hamilton o promoveu como uma grande vantagem tecnológica, garantindo um ajuste 'à medida' para qualquer pulso. Embora não oficialmente um 'relógio de condução', muitos entusiastas da época o apelidaram como tal devido ao seu conforto supremo durante longos períodos ao volante. O Wilshire fazia parte da linha 'CLD' da Hamilton, um sistema que prometia uma vedação superior da caixa, do forro e do mostrador contra poeira e humidade, uma característica de marketing significativa para a época. A sua curta produção (1939-1941) devido à Segunda Guerra Mundial torna os exemplares originais extremamente raros e valorizados no mercado de colecionismo vintage. Muitos exemplares sobreviventes possuem gravações no fundo da caixa, indicando que eram presentes populares para assinalar marcos importantes, como formaturas, casamentos ou prémios de serviço corporativo. Na década de 1980, a Hamilton homenageou este design icónico com uma reedição na sua popular coleção 'Registered Edition', que reintroduziu muitos dos seus clássicos da era Art Déco a um novo público. A utilização de numerais arábicos aplicados em ouro maciço de 18k no mostrador era um sinal de luxo e qualidade, distinguindo o Wilshire de muitos dos seus contemporâneos.

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