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Casio Casiotron AX-1: A Génese Ana-Digi que Fundiu o Clássico e o Futuro num Único Mostrador


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O primeiro relógio da Casio a combinar display analógico e digital (Ana-Digi) em um único mostrador, utilizando o módulo 118.

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RESUMO

No alvorecer da década de 1980, um período de efervescência tecnológica dominado por mostradores de cristal líquido, a Casio apresentou uma proposta que viria a definir uma nova categoria na relojoaria: o Casiotron AX-1. Lançado em 1980, este relógio não foi apenas mais um avanço digital; foi uma síntese visionária, o primeiro esforço da marca para harmonizar a familiaridade dos ponteiros analógicos com a precisão e multifuncionalidade de um display digital. Posicionado para o profissional moderno e o entusiasta de tecnologia, o AX-1 transcendia a novidade. A sua filosofia de design era de integração, não de compromisso, oferecendo o melhor de dois mundos sem parecer um mero gadget. O relógio resolvia um dilema para muitos consumidores da época: a admiração pela nova tecnologia digital, mas a relutância em abandonar a elegância intemporal de um mostrador analógico. A sua importância horológica é imensa; o AX-1 não só solidificou a reputação da Casio como uma força inovadora, mas também estabeleceu o 'Ana-Digi' como um formato viável e desejável. Ele foi o precursor de inúmeros modelos que seguiram, desde os G-Shock até à linha Pro Trek, provando que a coexistência de ponteiros e píxeis não era uma contradição, mas sim o próximo passo lógico na evolução do relógio de pulso.

HISTÓRIA

A chegada do Casiotron AX-1 em 1980 não foi um evento isolado, mas sim o culminar de uma década de disrupção liderada pela Casio. Desde o lançamento do seu primeiro relógio, o Casiotron QW02 em 1974, a marca tinha-se focado em aperfeiçoar o relógio puramente digital, notabilizando-se pela integração de um calendário perpétuo que eliminava a necessidade de ajustes manuais. No entanto, no final dos anos 70, o mercado estava saturado de relógios digitais que, apesar de funcionais, careciam da alma e da legibilidade imediata dos seus antepassados analógicos. A Casio, com a sua capacidade ímpar em miniaturização eletrónica, identificou uma oportunidade única: fundir as duas tecnologias num só corpo, criando um produto híbrido que oferecesse familiaridade e funcionalidade futurista. O AX-1, alimentado pelo inovador Módulo 118, foi a resposta. Este não foi um simples exercício de colocar um pequeno LCD num mostrador analógico. Foi uma reengenharia completa da interface do utilizador. A ausência de uma coroa tradicional era a sua característica mais radical; o ajuste dos ponteiros analógicos era feito eletronicamente através dos mesmos botões que controlavam as funções digitais. Esta abordagem, embora desconcertante para os tradicionalistas, era um testemunho da filosofia 'digital-first' da Casio e demonstrava um domínio técnico impressionante. O design do AX-1 era distintamente da sua era: uma caixa retangular suavizada, uma bracelete de aço integrada que fluía diretamente da caixa e um mostrador organizado de forma lógica, com o LCD posicionado proeminentemente acima do conjunto de ponteiros. Esta disposição tornou-se um padrão para muitos dos primeiros modelos Ana-Digi da marca. O AX-1 não teve 'gerações' ou 'Marks' da mesma forma que um relógio suíço; a sua produção foi relativamente curta, pois a tecnologia evoluía a um ritmo vertiginoso. No entanto, o seu legado é inegável. Ele deu origem à série 'AX' e serviu de protótipo para uma vasta gama de relógios Ana-Digi que se seguiram, como o popular AX-210. Mais importante, o AX-1 provou que a Casio não era apenas uma empresa de eletrónica, mas um verdadeiro 'horloger' da era digital. O conceito que ele pioneirou — a sinergia entre ponteiros e píxeis — tornou-se um pilar fundamental da identidade da Casio. Modelos icónicos posteriores, desde os G-Shock GA-100 aos sofisticados Pro Trek, devem a sua existência à audácia do AX-1. Hoje, encontrar um exemplar funcional é um desafio para os colecionadores, tornando-o um artefacto raro e significativo que captura perfeitamente o momento em que a relojoaria olhou para o futuro sem esquecer completamente o seu passado.

CURIOSIDADES

O Módulo 118 era revolucionário por dispensar a coroa. O ajuste dos ponteiros analógicos era sincronizado com a hora digital através de uma pressão longa num dos botões, fazendo com que os ponteiros avançassem rapidamente até à hora correta. O design do mostrador, com o LCD na metade superior e o analógico na inferior, foi uma escolha deliberada para priorizar a informação digital, refletindo a mentalidade da época. O AX-1 foi um dos primeiros relógios a oferecer um conjunto tão completo de funções (cronógrafo, alarme, data) num formato Ana-Digi, estabelecendo um novo padrão de funcionalidade. A série 'AX' tornou-se a designação interna da Casio para os seus primeiros relógios combinados, com o 'A' a significar 'Analógico' e o 'X' a denotar a sua natureza cruzada ou híbrida. Embora não tenha sido usado por uma celebridade específica de renome, o AX-1 encarnava o espírito do 'yuppie' e do profissional de tecnologia do início dos anos 80, aparecendo em catálogos como a ferramenta definitiva para o homem moderno. Devido à natureza dos componentes eletrónicos e das baterias da época, muitos exemplares não sobreviveram, tornando os modelos AX-1 em bom estado de funcionamento particularmente raros e cobiçados por colecionadores de Casio vintage. O sucesso do AX-1 incentivou diretamente a concorrência, como a Seiko e a Citizen, a acelerar o desenvolvimento das suas próprias linhas Ana-Digi, intensificando a inovação na indústria relojoeira japonesa.

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