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Jaeger-LeCoultre Memovox Deep Sea (Ref. E 857) - O Santo Graal do Mergulho Acústico e o Primeiro Relógio Subaquático com Alarme da História


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Referência E 857. Foi o primeiro relógio de mergulho da história a incorporar uma função de alarme sonoro. Diferente dos biséis rotativos comuns da época, o Deep Sea utilizava o alarme do Calibre 815 para alertar o mergulhador sobre o tempo de descompressão ou a necessidade de retornar à superfície. Produzido em menos de 1.000 exemplares, é um dos pilares mais raros e tecnicamente significativos da marca.

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RESUMO

Lançado em 1959, num momento em que a exploração subaquática transitava da necessidade militar para o desporto recreativo, o Jaeger-LeCoultre Memovox Deep Sea, Referência E 857, ergue-se como uma singularidade horológica. Enquanto os seus contemporâneos, como o Submariner e o Fifty Fathoms, apostavam exclusivamente na legibilidade visual através de biséis rotativos externos para monitorizar o tempo de imersão, a 'Grande Maison' do Vallée de Joux introduziu uma inovação auditiva radical: um alarme mecânico subaquático. Este relógio não foi concebido apenas como um acessório, mas como um instrumento de sobrevivência redundante, desenhado para alertar o mergulhador, através da vibração acústica e tátil, sobre o momento crítico de iniciar a ascensão à superfície. Com uma produção extremamente limitada e dividido esteticamente entre as variantes europeia e americana, o Deep Sea representa o espírito de vanguarda da manufatura. Hoje, ele transcende a categoria de 'tool watch' para se tornar um troféu de investimento, cobiçado por puristas que valorizam a fusão entre a engenhosidade do Calibre 815 e a estética utilitária de meados do século XX. É, sem dúvida, um dos pilares mais raros e tecnicamente significativos do panteão da Jaeger-LeCoultre.

HISTÓRIA

A história do Memovox Deep Sea, Referência E 857, começa em 1959, um ano charneira para a relojoaria de mergulho. O mundo assistia à democratização do mergulho SCUBA, impulsionado pelas invenções de Jacques-Cousteau. Contudo, a leitura de mostradores em águas turvas ou profundas apresentava riscos inerentes de erro humano. A Jaeger-LeCoultre, já famosa pelo seu modelo Memovox de escritório (o 'Voz da Memória'), decidiu adaptar a sua tecnologia de alarme para o ambiente hostil das profundezas. O resultado foi o primeiro relógio de mergulho do mundo equipado com uma função de alarme. Tecnicamente, o desafio era imenso. O som viaja mais depressa na água do que no ar, mas a caixa do relógio precisava de ser hermeticamente selada para suportar a pressão, o que poderia abafar o som. A solução da JLC envolveu o Calibre 815, o primeiro movimento automático com alarme da história da marca. Diferente dos rotores de 360 graus modernos, este era um movimento 'bumper' (de martelo), onde a massa oscilante batia em molas de amortecimento, carregando a mola principal. O alarme não era apenas audível; a vibração contra o pulso do mergulhador servia como um aviso tátil inconfundível de que o tempo de fundo havia terminado. Visualmente, o modelo E 857 sofreu uma bifurcação fascinante que define o seu colecionismo atual. Foram produzidas duas versões distintas: a europeia e a americana. A versão 'Jaeger-LeCoultre' (Europa) apresentava um mostrador mais limpo, clássico, com índices triangulares luminosos e um logótipo discreto, evocando uma elegância intemporal. A versão 'LeCoultre' (EUA), destinada ao mercado norte-americano, exibia um mostrador mais 'bruto' e utilitário, com a assinatura 'Deep Sea' em destaque e uma escala de minutos mais agressiva, refletindo o gosto americano da época por ferramentas robustas. A produção do Deep Sea original foi incrivelmente curta, estendendo-se apenas de 1959 a cerca de 1962, com um total estimado de apenas 1.061 unidades fabricadas entre ambos os designs. Esta escassez deveu-se, em parte, à novidade da tecnologia; muitos mergulhadores ainda preferiam a simplicidade visual do bisel rotativo externo, uma característica que a JLC só aperfeiçoaria totalmente com o sucessor do Deep Sea, o lendário Polaris de 1968. No entanto, o E 857 permanece o pioneiro, o 'pai' da linhagem de mergulho da marca. O seu desaparecimento precoce do catálogo e a corrosão natural sofrida pelos exemplares usados intensamente em água salgada tornaram os modelos sobreviventes em estado original verdadeiros unicórnios no mercado de leilões, atingindo valores astronómicos e solidificando o seu estatuto como uma das peças mais importantes da horologia do século XX.

CURIOSIDADES

A produção total é estimada em apenas 1.061 exemplares, tornando-o significativamente mais raro que os primeiros Rolex Submariner ou Blancpain Fifty Fathoms. Existem duas variantes de mostrador distintas: a 'US Version' (assinada apenas LeCoultre) e a 'Euro Version' (assinada Jaeger-LeCoultre), sendo que a versão americana é paradoxalmente mais rara em números absolutos, mas a europeia é frequentemente mais procurada pela estética. O Calibre 815 não possuía data, uma característica que os puristas adoram pela simetria do mostrador; a data só foi introduzida no sucessor, o Calibre 825 (usado no Polaris). Em 2011, a Jaeger-LeCoultre lançou uma reedição fiel ('Tribute to Deep Sea') que reacendeu o interesse global pelo modelo vintage, provocando uma explosão nos preços dos originais. O relógio não possui um bisel rotativo externo, uma anomalia para um 'Diver'; o tempo é medido exclusivamente ajustando o disco central do alarme para o tempo desejado de subida. Devido ao uso de Rádio nos índices originais e à vedação da época, muitos mostradores originais apresentam uma pátina 'tropical' (acastanhada) muito acentuada, altamente valorizada se for uniforme. O som do alarme debaixo de água é descrito como um zumbido metálico e vibrante, reminiscência de um grilo mecânico, projetado para ser sentido através do fato de mergulho.

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