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Orient Multi-Year Calendar: O engenhoso calendário perpétuo manual que democratizou o tempo em 1965


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Lançamento do icônico sistema de calendário perpétuo manual (Multi-Year), permitindo visualizar dias da semana para qualquer data.

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RESUMO

Em meados da década de 1960, um período de efervescência económica e otimismo tecnológico no Japão, a Orient Watch Company apresentou uma complicação que viria a definir a sua identidade: o Multi-Year Calendar. Lançado em 1965, este relógio não era um 'calendário perpétuo' no sentido tradicional suíço, mas sim uma solução mecânica brilhantemente pragmática. Através de um sistema de discos interativos, permitia ao utilizador visualizar o calendário completo de qualquer mês, alinhando o ano e o mês para exibir corretamente os dias da semana. Posicionado como um relógio de uso diário com uma complicação extraordinariamente útil, o Multi-Year Calendar visava o consumidor moderno e curioso — o profissional, o estudante, o indivíduo fascinado pela mecânica e pela organização do tempo. A sua filosofia de design era a da 'complexidade acessível'. Em vez da exclusividade da alta relojoaria, a Orient oferecia uma funcionalidade visualmente rica e intelectualmente estimulante a um preço democrático. Esta abordagem cimentou a reputação da marca como uma inovadora focada no valor e na engenharia inteligente. A sua importância transcende a simples cronometragem; representa um momento crucial em que a relojoaria japonesa demonstrou ao mundo a sua capacidade de criar complicações únicas, práticas e desejáveis, estabelecendo um legado de design peculiar e funcional que perdura até hoje.

HISTÓRIA

A história do Orient Multi-Year Calendar, lançado em 1965, é um testemunho da engenhosidade e do espírito pragmático da relojoaria japonesa do pós-guerra. Num cenário global dominado pela tradição e pelo luxo suíço, a Orient, juntamente com a Seiko e a Citizen, procurava incessantemente diferenciar-se através da inovação funcional e do valor excecional. A década de 1960 foi um período de afirmação para o Japão, e os seus produtos, desde carros a eletrónicos, começavam a ganhar reputação pela sua fiabilidade e tecnologia. Foi neste contexto que a Orient concebeu uma das suas mais icónicas e duradouras complicações. A ideia não era competir diretamente com os ultra-complexos e dispendiosos calendários perpétuos da Patek Philippe ou da Audemars Piguet, que se ajustam automaticamente a meses de diferentes durações e anos bissextos. Em vez disso, o objetivo era oferecer uma ferramenta de calendário visualmente impressionante e genuinamente útil para o homem comum. O sistema era uma maravilha de simplicidade mecânica: um disco inferior, ajustado através de um botão dedicado (tipicamente às 2 horas), continha os anos e os meses. Ao alinhar o ano corrente com o mês desejado, um disco superior com os dias da semana e as datas alinhava-se corretamente, apresentando um calendário mensal completo de relance. Era, essencialmente, uma 'régua de cálculo' de calendário no pulso. Os primeiros modelos de 1965 encapsulavam perfeitamente a estética da sua era. Apresentavam caixas de aço polido com um diâmetro generoso para a época, mostradores com acabamento 'sunburst' e uma disposição de informações densa mas legível. O design era ousado, confiante e um pouco 'nerd', apelando a um público fascinado pela era espacial e pela promessa da tecnologia. Ao longo das décadas, o Multi-Year Calendar tornou-se um pilar da coleção da Orient, evoluindo subtilmente para refletir as tendências de cada período. Nos anos 70, os designs tornaram-se mais extravagantes, com caixas em formato de almofada (cushion cases), mostradores coloridos em tons de verde, azul e até castanho, e braceletes integradas. Nos anos 80 e 90, os designs foram modernizados, mas a funcionalidade central permaneceu intocada. O seu impacto foi profundo. Para a Orient, o modelo tornou-se um embaixador da marca, um relógio instantaneamente reconhecível que personificava a sua filosofia de 'mecânica real para pessoas reais'. Para a indústria, demonstrou que existia um mercado vasto para complicações inteligentes que não necessitavam de um preço astronómico. Hoje, os modelos vintage de 1960 e 70 são altamente procurados por colecionadores que apreciam o seu charme retro e a sua importância histórica como um marco da engenhosidade relojoeira japonesa.

CURIOSIDADES

Apelido dos Colecionadores: Frequentemente chamado de 'Caleidoscópio' por alguns entusiastas devido à complexidade visual e à rotação dos discos do mostrador. Ícone Cultural Pop: Embora não usado por uma celebridade específica de renome mundial, o relógio tornou-se um favorito em fóruns de colecionadores e entre 'youtubers' de relojoaria, que celebram a sua peculiaridade e excelente relação custo-benefício. Um 'Perpétuo' Não-Perpétuo: A maior curiosidade é o seu nome. Embora frequentemente associado ao termo 'perpétuo', o seu mecanismo é inteiramente manual, exigindo a intervenção do utilizador, ao contrário dos verdadeiros calendários perpétuos automáticos. Esta distinção é um ponto de charme para os conhecedores. Longevidade do Mecanismo: O sistema de calendário geralmente cobre um período de cerca de 20 a 25 anos no mostrador. Após o último ano exposto, o ciclo repete-se, tornando o relógio teoricamente 'perpétuo' desde que se saiba que o ciclo se reinicia. O Botão da Coroa: Um elemento de design característico dos modelos vintage é o botão às 2 horas, usado exclusivamente para ajustar o disco do calendário, separando-o das funções de ajuste de hora e data da coroa principal, o que era um layout incomum e prático. Variações Globais: Ao longo dos anos, a Orient produziu inúmeras variações para diferentes mercados, com textos em vários idiomas nos discos do calendário, tornando a caça por versões raras uma sub-especialidade para colecionadores dedicados.

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