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Cartier Pendule Mystérieuse Modèle A de 1912: A Invenção Mágica que Suspendeu o Tempo


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Invenção técnica de Maurice Coüet para a Cartier. O mecanismo utiliza dois discos de cristal de rocha com bordas dentadas ocultas sob o aro para mover os ponteiros, criando a ilusão de que flutuam sem conexão física com o movimento oculto na base. O primeiro exemplar, o Modèle A, foi entregue em 1912, consolidando a Cartier como mestre em objetos misteriosos e ilusões horológicas.

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RESUMO

O Cartier Pendule Mystérieuse, inaugurado com o 'Modèle A' em 1912, não é meramente um relógio, mas sim um 'objet d'art' que personifica o apogeu da ilusão horológica e da joalheria. Posicionado no topo absoluto do mercado de luxo, foi concebido não para um utilizador, mas para um seleto público de conhecedores, magnatas e realeza, que procuravam o extraordinário. A sua filosofia de design é a do teatro mecânico: uma aparente simplicidade milagrosa que oculta uma complexidade técnica prodigiosa. A sua importância transcende a cronometragem; solidificou a reputação da Cartier como uma Maison capaz de fundir a alta relojoaria com a magia, transformando o tempo numa manifestação de pura beleza e mistério. Fruto da visão de Louis Cartier e do génio do jovem relojoeiro Maurice Coüet, o Pendule Mystérieuse foi a prova definitiva de que a Cartier não vendia apenas joias ou relógios, mas sim sonhos materializados em platina, ouro e pedras preciosas. O seu legado é o de ter estabelecido um novo patamar para os objetos de luxo, onde a narrativa e a ilusão são tão valiosas quanto o mecanismo e os materiais.

HISTÓRIA

A história do Pendule Mystérieuse é uma narrativa de magia, ambição e génio técnico, nascida da fascinação de Louis Cartier pelas artes da ilusão. No início do século XX, Cartier ficou cativado pelos relógios 'mistério' do célebre mágico e relojoeiro do século XIX, Jean-Eugène Robert-Houdin. Estes relógios apresentavam um único ponteiro que parecia flutuar magicamente num mostrador de vidro transparente. Determinado a superar esta proeza, Louis Cartier procurou um talento relojoeiro capaz de transformar a sua visão em realidade. Encontrou-o em Maurice Coüet, um jovem e excecionalmente dotado artesão que começou a trabalhar exclusivamente para a Maison em 1911. A tarefa era monumental: criar um relógio onde não apenas um, mas ambos os ponteiros flutuassem no vazio, sem qualquer ligação visível ao movimento. A solução de Coüet foi brilhante e tornou-se a base de todos os relógios misteriosos subsequentes. Em vez de eixos centrais, ele montou os ponteiros de horas e minutos em dois discos separados de cristal de rocha. Cada disco foi serrilhado na sua borda, transformando-o numa engrenagem transparente. Estas bordas dentadas ficavam ocultas sob a moldura do mostrador. O movimento, engenhosamente escondido na base do relógio (geralmente feita de uma pedra dura como ônix ou ágata), acionava um par de eixos verticais que subiam discretamente pelas colunas laterais da estrutura. Estes eixos engrenavam nas bordas dos discos, fazendo-os girar de forma independente e na velocidade correta para marcar as horas e os minutos. O efeito era pura magia. Em 1912, o primeiro exemplar, batizado de 'Modèle A', foi concluído e vendido ao financista americano J.P. Morgan. O 'A' referia-se ao 'Axe' (eixo), indicando que os discos giravam em torno de um eixo central comum, embora invisível. O sucesso foi imediato e estrondoso. O Modèle A estabeleceu um novo paradigma de luxo, tornando-se o objeto de desejo de marajás, monarcas e titãs da indústria. Este primeiro modelo serviu de tela para a criatividade ilimitada da Cartier. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, a era de ouro destes relógios, surgiram variações espetaculares, como os famosos relógios 'Portique', cujas estruturas evocavam os portões dos templos Shinto, e outros designs que incorporavam figuras mitológicas, animais exóticos e materiais ainda mais preciosos. O Pendule Mystérieuse não foi apenas um produto; foi uma declaração de supremacia artística e técnica que elevou a Cartier de joalheiro a mestre de ilusões mecânicas, um legado que perdura até hoje como um dos capítulos mais fascinantes da história da horologia.

CURIOSIDADES

A inspiração direta veio dos relógios do ilusionista do século XIX Jean-Eugène Robert-Houdin, cuja técnica Louis Cartier se propôs a aperfeiçoar e superar. O primeiro Pendule Mystérieuse 'Modèle A', de 1912, foi comprado pelo lendário financista americano J.P. Morgan. A produção de um único relógio misterioso era um processo incrivelmente demorado, podendo levar mais de um ano e envolvendo o trabalho de até sete mestres artesãos diferentes, desde relojoeiros a lapidadores e joalheiros. Proprietários famosos incluem a Rainha Vitória Eugénia de Espanha, o Marajá de Patiala e a Rainha Maria da Roménia, consolidando o seu estatuto como 'relógio dos reis'. Exemplares históricos atingem valores astronômicos em leilão. Um relógio misterioso 'Model A' de 1921 foi vendido pela Christie's por mais de 1,5 milhões de dólares em 2013. Uma das variações mais icônicas são os relógios 'Portique', introduzidos em 1923, cujo design se assemelha a portões de templos japoneses (Torii), refletindo a influência do estilo Chinoiserie e Japonismo da época. O mecanismo era um segredo tão bem guardado que Maurice Coüet era por vezes apelidado de 'o Robert-Houdin da Cartier', em homenagem ao mágico que inspirou a sua maior criação.

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