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King Seiko Vanac: O Canto do Cisne da Era Mecânica Dourada e a Rebeldia Geométrica de 1972


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Uma sub-linha radical lançada para competir com a estética dos anos 70. Equipados com calibres de alta qualidade (56KS e 52KS), estes modelos distinguiam-se pelos cristais de vidro facetados, mostradores coloridos e caixas geométricas angulares.

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RESUMO

O King Seiko Vanac, introduzido no mercado japonês por volta de 1972, representa um dos capítulos mais audaciosos e esteticamente polarizadores na história da Seiko. Situado no limiar da 'Crise do Quartzo', o Vanac não foi apenas um relógio, mas uma declaração de sobrevivência da alta relojoaria mecânica através da adaptação radical à moda dos anos 70. Enquanto a Grand Seiko mantinha o conservadorismo da 'Gramática do Design' de Taro Tanaka, a linha King Seiko — historicamente o campo de batalha da fábrica Daini Seikosha — permitiu-se uma experimentação desenfreada. Esta sub-linha é imediatamente reconhecível pelos seus cristais de vidro facetados (Cut Glass), caixas com ângulos agressivos e polimentos complexos, e mostradores com cores vibrantes e gradientes psicodélicos. Sob o capô, no entanto, residia a seriedade técnica: os movimentos de alta pulsação e qualidade de cronómetro das famílias 56KS (Suwa) e 52KS (Daini). O Vanac é, portanto, a fusão paradoxal entre a engenharia de precisão de classe mundial e a estética 'Disco-Age', servindo como um testemunho final da criatividade mecânica japonesa antes do domínio total da eletrónica.

HISTÓRIA

A história do King Seiko Vanac está intrinsecamente ligada à feroz rivalidade interna entre as duas fábricas da Seiko: a Suwa Seikosha e a Daini Seikosha. Durante a década de 1960, a King Seiko (KS) competia com a Grand Seiko (GS) pela supremacia na precisão cronométrica. No entanto, ao entrar na década de 1970, o cenário mudou drasticamente. O quartzo estava a tornar-se uma realidade comercial (após o lançamento do Astron em 1969), e a perceção do relógio mecânico de luxo precisava de evoluir de 'ferramenta de precisão' para 'objeto de moda e status'. Em 1972, a Seiko lançou a linha Vanac como uma resposta direta a esta mudança cultural. O nome, cuja etimologia exata permanece envolta em mistério corporativo (teoriza-se uma ligação a 'Vanguard' ou uma palavra cunhada para soar exótica e moderna), simbolizava uma rutura. Os designers receberam carta branca para ignorar as regras tradicionais. O resultado foram caixas que pareciam esculturas brutalistas e cristais que refletiam a luz como diamantes lapidados, capturando o espírito exuberante e excessivo da época. Tecnicamente, o Vanac foi o 'canto do cisne' dos movimentos mecânicos de alta qualidade da Seiko daquela era. A linha utilizava predominantemente dois movimentos lendários. O calibre 56KS (da Suwa) era um cavalo de batalha robusto e preciso, mas foi o calibre 52KS (da Daini), frequentemente marcado como 'Special' nos mostradores Vanac, que ganhou estatuto de culto. O 52KS foi projetado com tal excelência que, décadas depois, quando a Seiko decidiu reintroduzir movimentos mecânicos de alta qualidade nos anos 90, ressuscitou a arquitetura do 52KS sob a designação 4S15/4S35. A produção do Vanac foi de curta duração, cessando em meados da década de 1970, à medida que a revolução do quartzo dizimava a procura por relógios mecânicos. Durante décadas, os colecionadores puristas ignoraram o Vanac, considerando-o 'datado' ou 'kitsch'. Contudo, nos últimos anos, houve uma reavaliação histórica massiva. O modelo é agora valorizado não apenas pela raridade das suas peças (especialmente os cristais intactos), mas como um exemplo audaz de design industrial japonês que se recusou a ser aborrecido face à extinção tecnológica iminente.

CURIOSIDADES

1. O 'Talão de Aquiles' do Calibre 56: Embora mecanicamente soberbos, os modelos Vanac equipados com o calibre 56KS possuem uma engrenagem de ajuste rápido do dia/data feita de plástico, que frequentemente se quebra com o tempo, tornando o ajuste rápido inoperante. 2. O Legado do Calibre 52: Os movimentos 5246 e 5256 encontrados nos modelos 'Vanac Special' são considerados superiores aos seus contemporâneos da Grand Seiko por muitos relojoeiros, sendo a base arquitetónica para a renascença mecânica da Seiko nos anos 90 (Série 4S). 3. Pesadelo da Restauração: O cristal facetado original (Cut Glass) é colado e possui geometrias específicas para cada caixa. Encontrar um substituto original (NOS) é hoje o maior desafio para colecionadores, e cristais planos genéricos destroem a estética e o valor do relógio. 4. Braceletes Integradas: Muitos Vanacs possuem braceletes com designs proprietários ou terminais de encaixe estranhos, tornando praticamente impossível a troca por correias de couro convencionais sem modificações personalizadas. 5. Variações de Design: Estima-se que existam mais de 40 variações diferentes de design de caixa e mostrador dentro da curta vida da linha Vanac, tornando a coleção completa quase impossível. 6. A Marcação 'Special': Apenas os modelos com o calibre 52KS (Daini) ostentam a palavra 'Special' no mostrador e geralmente possuem uma certificação de precisão mais rigorosa que os modelos standard.

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