RESUMO
Lançado em 1956, três anos após a estreia revolucionária do Fifty Fathoms original, o modelo Bathyscaphe representa um momento crucial na história da horologia de mergulho: a transição da ferramenta militar pura para o relógio esportivo civil. Sob a liderança visionária de Jean-Jacques Fiechter, então CEO da Blancpain e um mergulhador ávido, a manufatura percebeu que as imponentes caixas de 41mm do Fifty Fathoms original — projetadas para os Nadadores de Combate franceses — eram grandes demais para o uso cotidiano sob o punho de uma camisa social. O Bathyscaphe nasceu como a resposta elegante a este dilema, batizado em homenagem ao veículo de exploração de águas profundas de Auguste Piccard. Este modelo manteve a robustez técnica, o bisel rotativo e a legibilidade superior de seu irmão maior, mas condensou essas características em um diâmetro reduzido (tipicamente entre 34mm e 37mm nas primeiras iterações), tornando-o perfeitamente adequado tanto para a exploração subaquática quanto para a vida urbana. Ele simboliza a democratização do relógio de mergulho durante o boom do mergulho recreativo na década de 1950, oferecendo uma estética mais limpa e minimalista que viria a definir a linguagem de design 'tool-watch' de luxo nas décadas seguintes.
HISTÓRIA
A história do Blancpain Fifty Fathoms Bathyscaphe é intrinsecamente ligada à evolução do mergulho como esporte e estilo de vida no pós-guerra. Em 1953, a Blancpain definiu o arquétipo do relógio de mergulho moderno com o Fifty Fathoms, criado sob especificações militares estritas para a unidade de elite 'Nageurs de Combat' da Marinha Francesa. No entanto, o sucesso militar trouxe um desafio comercial: o relógio era uma ferramenta massiva, utilitária e, para os padrões da moda de meados da década de 1950, excessivamente grande para o público civil.
Jean-Jacques Fiechter, CEO da Blancpain de 1950 a 1980, observou o crescente interesse pelo mundo submarino, impulsionado pelas explorações de Jacques Cousteau e pelo filme 'O Mundo do Silêncio'. Fiechter percebeu que havia um mercado para um relógio que pudesse acompanhar um mergulhador amador no fim de semana e, ao mesmo tempo, ser usado em um escritório na segunda-feira. Assim, em 1956, nasceu o Bathyscaphe. O nome foi uma homenagem direta ao batiscafo 'Trieste', o submersível de águas profundas projetado por Auguste Piccard, que estava capturando a imaginação do mundo com seus recordes de profundidade.
Tecnicamente, o desafio era manter a integridade à prova d'água e a legibilidade em uma caixa significativamente menor. A Blancpain teve sucesso ao reengenheirar as vedações e utilizar movimentos compactos, mas robustos. Diferente do Fifty Fathoms original, que possuía um bisel largo e travado e numerais grandes, o Bathyscaphe adotou uma abordagem mais sutil: marcadores finos, ponteiros retangulares (muitas vezes referidos como 'baton') e uma luneta mais estreita.
Durante o final dos anos 50 e 60, o Bathyscaphe evoluiu, incorporando a complicação de data e novas proteções contra choque (Incabloc). Ele serviu como plataforma de testes para designs que a Blancpain não podia arriscar no contrato militar do Fifty Fathoms padrão. Infelizmente, durante a Crise do Quartzo na década de 1970 e o fechamento temporário da Blancpain, o modelo caiu no esquecimento. Foi somente em 2013, no 60º aniversário do Fifty Fathoms, que a Blancpain reviveu o nome Bathyscaphe, transformando-o de uma versão 'únior' histórica em uma linha pilar contemporânea de alta horologia, respeitando fielmente as linhas retas e o mostrador limpo do modelo original de 1956.
CURIOSIDADES
1. O nome 'Bathyscaphe' foi escolhido pessoalmente para evocar a exploração extrema, pegando carona na fama das expedições da família Piccard, apesar de ser um relógio 'civil' e menor.
2. Ao contrário do Fifty Fathoms militar, que utilizava muito material radioativo (Rádio) nos marcadores, o Bathyscaphe promovia o uso de quantidades menores ou materiais mais seguros ao longo de sua evolução, visando o uso diário.
3. O modelo de 1956 introduziu um design de mostrador que eliminava os grandes numerais arábicos (3, 6, 9, 12) comuns no modelo militar, optando por índices mistos de barras e pontos para uma aparência mais 'dressy'.
4. Embora fosse 'civil', o Bathyscaphe manteve a patente de coroa com vedação dupla O-ring, o que permitia que o relógio permanecesse resistente à água mesmo se a coroa fosse acidentalmente puxada debaixo d'água.
5. O Bathyscaphe original é extremamente raro em leilões hoje; devido ao seu posicionamento como relógio 'diário' na época, muitos foram usados exaustivamente e descartados, ao contrário dos modelos militares que eram inventariados.
6. Algumas versões raras do final dos anos 50 foram vendidas sob a marca 'Waltrip' ou outras importadoras nos EUA, mantendo a assinatura Blancpain no mostrador ou apenas no movimento.
7. O modelo reviveu em 2013 mantendo os ponteiros retos e o ponto luminescente no bisel, características diretas do design de 1956.