RESUMO
O Breguet Classique Hora Mundi Ref. 5727, introduzido em 2016, representa a fusão sublime entre a mais alta complicação horológica para viajantes e a pureza estética da relojoaria tradicional. Posicionado no pináculo do luxo, este relógio de vestir destina-se a um público que valoriza tanto a inovação mecânica quanto o artesanato intemporal. A sua filosofia de design é uma resposta direta ao seu antecessor mais ornamentado (Ref. 5717), trocando o mapa-múndi por um mostrador em ouro maciço inteiramente trabalhado em guilloché à mão. Esta mudança estratégica não só alinhou o Hora Mundi mais de perto com a identidade da sóbria coleção Classique, como também ampliou o seu apelo a colecionadores que procuravam uma peça mais discreta e versátil. A sua importância horológica reside na sua complicação central: o primeiro fuso horário instantâneo com memória e uma exibição sincronizada de data, indicador dia/noite e cidade. Ao contrário dos relógios GMT convencionais, o 5727 permite ao utilizador alternar entre dois fusos horários pré-selecionados com o simples premir de um botão, fazendo com que todos os indicadores relevantes saltem instantaneamente e de forma mágica. O 5727 não é apenas um relógio; é uma declaração de mestria, demonstrando a capacidade única da Breguet de inovar radicalmente dentro dos limites da elegância clássica.
HISTÓRIA
A história do Breguet Classique Hora Mundi 5727 é uma narrativa de refinamento e maestria, representando uma evolução estética de uma das complicações mais engenhosas do século XXI. A sua génese remonta a 2011, quando a Breguet surpreendeu o mundo horológico na Baselworld com a referência 5717. Aquele relógio introduziu o primeiro mecanismo de fuso horário de salto instantâneo com memória, uma façanha técnica que levou mais de três anos a desenvolver e resultou em quatro patentes. O utilizador podia definir uma hora local e uma segunda hora de referência; com um simples toque num botão, o ponteiro das horas, a data, o indicador dia/noite e a cidade saltavam instantaneamente para o segundo fuso horário. Contudo, a identidade visual do 5717 estava intrinsecamente ligada aos seus mostradores esmaltados ou em guilhoché, que representavam artisticamente os continentes. Embora espetacular, este design tornava-o uma peça mais temática e, para alguns, menos versátil.
Em 2016, num mercado que revalorizava a elegância clássica e a usabilidade quotidiana na alta relojoaria, a Breguet apresentou a referência 5727. Esta nova versão representou uma recalibração estratégica e estética. O nome 'Classique' foi proeminentemente adicionado, sinalizando uma mudança de filosofia. O mapa-múndi foi completamente removido, dando lugar a um palco para a excelência artesanal da Breguet: um mostrador em ouro maciço inteiramente gravado à mão com múltiplos padrões de guilloché. O centro exibe o clássico 'clous de Paris', enquanto as sub-exibições apresentam outros padrões complexos, criando uma profundidade visual e um jogo de luz que são a assinatura da marca. Esta decisão transformou o Hora Mundi de uma peça de exibição de 'viagem' para uma obra de arte horológica intemporal que alojava uma complicação de vanguarda.
O calibre 77F1, uma evolução do 77F0 do seu antecessor, permaneceu como o coração mecânico, uma prova de que a inovação não precisava de ser sacrificada. O génio do mecanismo reside num complexo sistema de cames, engrenagens diferenciais e 'rodas de memória' que armazenam a diferença de tempo entre as duas cidades selecionadas, permitindo o salto instantâneo e bidirecional sem afetar a cronometragem base do relógio. Ao realojar este movimento revolucionário na sua caixa Classique mais icónica — com a sua distinta faixa canelada, asas soldadas e ponteiros 'pomme' — a Breguet solidificou o estatuto do Hora Mundi. Provou que a sua maior inovação moderna podia coexistir harmoniosamente com os seus códigos de design bicentenários. O 5727 não é apenas uma variação; é a maturação de um conceito, a versão que firmou o Hora Mundi como um pilar permanente e essencial do legado da Breguet, apelando tanto ao purista da marca como ao aficionado por complicações.
CURIOSIDADES
O movimento do Hora Mundi está protegido por quatro patentes distintas, abrangendo o seu inovador mecanismo de fuso horário instantâneo, a exibição da cidade, a memória mecânica e o ponteiro de arrasto para a data.
O mostrador do 5727 não é estampado, mas sim uma placa de ouro 18k maciço, meticulosamente gravada à mão em tornos de roseira (guillocheuse), uma arte que o próprio Abraham-Louis Breguet ajudou a popularizar há mais de 200 anos.
Ao contrário dos relógios GMT/dual time tradicionais que usam um ponteiro adicional de 24 horas, o Hora Mundi utiliza um único conjunto de ponteiros de horas e minutos, proporcionando uma legibilidade excecionalmente limpa e intuitiva.
Embora não tenha uma alcunha universalmente adotada, os colecionadores referem-se frequentemente a ele como o 'Hora Mundi Guilloché' para o distinguir claramente do seu antecessor, o 'World Map' (Ref. 5717).
Apesar da sua aparência profundamente clássica, o movimento incorpora tecnologia de ponta, como uma mola de balanço e âncora de escape em silício, melhorando a precisão, a fiabilidade e a resistência a campos magnéticos.
A 'memória' do relógio é possível graças a um engenhoso sistema de duas rodas sobrepostas que registam a diferença horária entre as cidades escolhidas, permitindo o salto instantâneo ao pressionar o botão às 8 horas.
Apesar da sua extrema complexidade mecânica, todo o ajuste do relógio — hora, data e a seleção das duas cidades — é realizado de forma surpreendentemente simples através da coroa principal, sem a necessidade de ferramentas ou botões de correção embutidos.