RESUMO
Lançada em 1997, a coleção Longines DolceVita não foi apenas uma novidade no catálogo da 'Maison' de Saint-Imier, mas uma declaração cultural e estética que redefiniu a elegância acessível no final do século XX. Inspirado profundamente nas linhas arquitetônicas e retangulares dos relógios de pulso da década de 1930 — uma era de ouro para a Longines em termos de design de caixas não redondas —, o DolceVita capturou o espírito do Art Deco e o suavizou com a filosofia do 'viver bem' italiano. Este modelo específico de 1997 marca o ponto de inflexão onde a Longines consolidou a sua identidade sob o slogan 'Elegance is an Attitude'. Diferente dos relógios-ferramenta ou das peças de aviação pelas quais a marca era historicamente reverenciada, o DolceVita focou-se puramente na estética e no conforto ergonômico. Com a sua caixa retangular harmoniosa, mostradores frequentemente texturizados e algarismos romanos clássicos, o modelo tornou-se instantaneamente um ícone unissex, preenchendo a lacuna entre a joalheria funcional e a precisão suíça. É uma peça que evoca passeios na Via Veneto e a cinematografia de Fellini, mantendo a integridade técnica de uma manufatura com quase dois séculos de história.
HISTÓRIA
A história do Longines DolceVita é, em essência, uma história de redescoberta e reinterpretação dos arquivos da marca. Embora o lançamento oficial desta coleção específica tenha ocorrido em 1997, o seu ADN remonta a 1910 e, mais especificamente, aos anos 1920 e 1930. Durante o período Art Deco, a Longines foi pioneira na criação de relógios de forma (não redondos), produzindo peças retangulares e 'tonneau' que rivalizavam com os designs da Cartier e da Jaeger-LeCoultre. No entanto, durante a crise do quartzo e as décadas subsequentes, o foco da indústria oscilou.
Em 1997, sob a direção do Swatch Group, a Longines procurava solidificar o seu nicho como a marca de 'Elegância' do grupo. A decisão foi criar uma linha que se afastasse da complexidade técnica da aviação (como o Lindbergh Hour Angle) para abraçar o luxo lifestyle. Os designers mergulharam nos arquivos do museu da Longines e selecionaram um modelo dos anos 30 com linhas laterais fortes e uma geometria limpa. O resultado foi o DolceVita.
O nome foi uma jogada de marketing brilhante, evocando imediatamente o filme homônimo de Federico Fellini de 1960 e o estilo de vida italiano despreocupado, glamoroso e esteticamente apurado. O lançamento foi um sucesso comercial estrondoso. O relógio oferecia a aparência de alta relojoaria e herança a um preço competitivo, impulsionado por movimentos de quartzo precisos que permitiam perfis de caixa mais finos e elegantes, essenciais para a proposta de 'relógio de vestido'.
Ao longo dos anos, o DolceVita tornou-se a tela para a campanha 'Ambassadors of Elegance' da Longines. Figuras como Audrey Hepburn (em imagens de arquivo), Humphrey Bogart e, contemporaneamente, Kate Winslet e Aishwarya Rai Bachchan, tornaram-se o rosto deste modelo. A associação com o cinema e a elegância atemporal cimentou o DolceVita não apenas como um relógio, mas como um acessório de moda indispensável.
Tecnicamente, o modelo evoluiu de calibres predominantemente a quartzo nos anos 90 para a inclusão de calibres automáticos refinados e variações de tamanho ('X-Large') para atrair um público masculino moderno que preferia relógios maiores, sem nunca abandonar as proporções áureas que definiram o lançamento original de 1997. O DolceVita salvou, em muitos aspectos, a relevância da Longines no mercado de luxo feminino e de gala.
CURIOSIDADES
1. O nome da coleção é uma homenagem direta ao filme 'La Dolce Vita' de Federico Fellini, simbolizando a liberdade e o prazer do estilo de vida italiano.
2. O design de 1997 não foi uma criação do zero, mas uma cópia quase fiel de um relógio de arquivo da Longines datado de 1932, provando a intemporalidade do Art Deco.
3. A coleção DolceVita é uma das mais longevas da Longines moderna, permanecendo em produção contínua sem interrupções desde 1997.
4. O slogan 'Elegance is an Attitude' foi lançado quase simultaneamente à ascensão do DolceVita, tornando o relógio a encarnação física dessa frase.
5. Diferente de muitos relógios retangulares que são apenas estéticos, as versões automáticas do DolceVita são altamente respeitadas por relojoeiros pela engenharia de acomodação de movimentos circulares em caixas retangulares (ou uso de movimentos de forma).
6. Em certas edições limitadas do final dos anos 90, a Longines utilizou diamantes Top Wesselton VVS, elevando a peça à categoria de Alta Joalheria.
7. O modelo é frequentemente citado como a principal alternativa acessível ao Cartier Tank, oferecendo uma herança histórica legítima própria.