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Waltham Vacuum 1964: A Obra-Prima Suíça de Hans Ulrich Klingenberg e a Revolução da Caixa Monobloco Selada a Vácuo


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Relógio da era Waltham International SA (Suíça) com caixa monobloco selada a vácuo, utilizando tecnologia patenteada por Hans Ulrich Klingenberg.

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RESUMO

O Waltham Vacuum, lançado por volta de 1964 sob a égide da Waltham International SA, representa um dos capítulos mais tecnicamente ambiciosos e fascinantes da horologia suíça de meados do século XX. Distante da produção em massa da antiga matriz americana, esta peça foi fruto da colaboração com o visionário engenheiro Hans Ulrich Klingenberg. O conceito central do relógio era a eliminação quase total do ar (aproximadamente 90-99% de vácuo) do interior da caixa monobloco. Esta abordagem radical visava resolver os três maiores inimigos da precisão mecânica a longo prazo: a condensação, a oxidação dos lubrificantes e a entrada de micropartículas de poeira. Ao operar num ambiente anaeróbico, os óleos sintéticos do movimento não degradavam, prometendo intervalos de manutenção de décadas, algo inaudito para a época. Com uma estética robusta, caracterizada por um cristal mineral ou de safira excepcionalmente espesso e uma coroa especialmente vedada, o Waltham Vacuum não era apenas um instrumento de tempo, mas uma cápsula hermética de engenharia. Ele simboliza o apogeu da 'Era Suíça' da marca, onde a inovação técnica tentava redefinir a durabilidade mecânica antes da iminente revolução do quartzo.

HISTÓRIA

A história do Waltham Vacuum de 1964 é intrinsecamente ligada à fragmentação da histórica Waltham Watch Company e ao génio de Hans Ulrich Klingenberg. Em 1957, a Waltham original (EUA) cessou a produção de movimentos, transformando-se numa importadora. Para manter o prestígio da marca, foi estabelecida a Waltham International SA na Suíça. Livre das restrições de produção em massa americanas, a divisão suíça buscou o mercado de luxo e alta tecnologia. Neste cenário entra Hans Ulrich Klingenberg, um engenheiro obcecado pela longevidade mecânica (que mais tarde fundaria a Century Time Gems). Klingenberg identificou que a 'impermeabilidade' tradicional não impedia a entrada de ar úmido, que causava condensação sob mudanças bruscas de temperatura e, crucialmente, a oxidação dos óleos lubrificantes. A sua solução, patenteada no início dos anos 60, foi radical: remover o ar. O modelo Waltham Vacuum de 1964 foi construído sobre uma caixa 'monobloco' (sem fundo removível), acessível apenas pela frente. Após a montagem do movimento e a colocação do cristal, o ar era extraído através da haste da coroa utilizando uma bomba de vácuo especializada, criando um ambiente interno desprovido de oxigénio e humidade. A física era elegante: quanto maior a pressão externa (como ao mergulhar na água), mais o cristal era empurrado contra as juntas da caixa, aumentando a vedação. O vácuo interno também reduzia a resistência aerodinâmica sobre o balanço, melhorando teoricamente a amplitude e a precisão. Comercialmente, o relógio foi posicionado como um item de 'manutenção zero' por longos períodos. A publicidade da época sugeria que, sem oxigênio, os óleos não secariam nem engomariam, permitindo que o relógio funcionasse perfeitamente por 20 anos ou mais sem serviço. Embora a tecnologia fosse partilhada com outras marcas (notavelmente a Glycine, que produziu o seu próprio modelo Vacuum), a versão da Waltham é frequentemente citada pelos historiadores como uma das execuções mais elegantes e robustas. Infelizmente, a complexidade de serviço condenou o modelo a longo prazo. Apenas relojoeiros com a bomba de vácuo proprietária de Klingenberg podiam abrir e, crucialmente, 're-vacuolizar' o relógio. Se aberto por um amador, o vácuo perdia-se e o relógio tornava-se uma peça comum, muitas vezes com vedações comprometidas. O advento do quartzo no final da década de 60 tornou essa tecnologia mecânica dispendiosa obsoleta, transformando o Waltham Vacuum de 1964 num artefato raro de uma era onde a física, e não a eletrónica, era a fronteira da inovação.

CURIOSIDADES

O 'Som do Silêncio': Diz a lenda entre colecionadores que, ao abrir um modelo 'New Old Stock' (nunca aberto) que manteve o vácuo por 60 anos, ouve-se um pequeno estalo audível, resultado do ar correndo para preencher o vazio de décadas. O Cristal 'Vivo': O cristal não é segurado apenas por cola ou pressão mecânica simples, mas pela própria pressão atmosférica. Ao nível do mar, a força que empurra o cristal contra a caixa é de cerca de 1 kg/cm², tornando a vedação mais forte quanto maior a profundidade da água. Símbolo de Status: Nos anos 60, o mostrador frequentemente exibia um logotipo estilizado que lembrava um átomo ou uma órbita, enfatizando a natureza científica e 'espacial' da tecnologia a vácuo. Irmãos de Patente: Embora este seja um Waltham, a tecnologia é idêntica à encontrada nos modelos 'Glycine Vacuum'. Hans Ulrich Klingenberg licenciou o sistema para ambas as casas antes de focar na sua própria marca, a Century. O Desafio do Joalheiro: Muitos destes relógios foram destruídos por relojoeiros inexperientes que tentavam abrir o fundo da caixa, sem perceber que se tratava de um monobloco de acesso frontal, resultando em danos catastróficos à estrutura. A Promessa dos 20 Anos: O marketing original prometia que o relógio não precisaria de lubrificação por até duas décadas, uma reivindicação ousada baseada na ausência de oxidação, embora na prática as juntas de borracha (O-rings) eventualmente ressecassem externamente. Herança Century: A tecnologia desenvolvida para este Waltham evoluiu diretamente para os relógios 'Century Time Gems', que mais tarde utilizariam caixas inteiras feitas de safira fundida a vácuo, tornando o Waltham Vacuum o 'pai' dessa linhagem de luxo.

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