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Breguet Classique Double Tourbillon Quai de l’Horloge 5345: Uma Escultura Cinética em Homenagem ao Mestre


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Edição monumental com dois turbilhões independentes que giram ao redor do mostrador. O fundo da caixa apresenta uma gravação manual detalhada da fachada da oficina original de Breguet em Paris. Calibre 588N.

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RESUMO

O Breguet Classique Double Tourbillon Quai de l’Horloge Ref. 5345, apresentado em 2020, é uma demonstração de força da alta relojoaria, transcendendo a sua função primária para se afirmar como uma obra de arte mecânica. Posicionado no pináculo das grandes complicações, este relógio não se destina ao pulso casual, mas sim ao conhecedor profundo, ao colecionador que compreende a intrincada dança entre a herança histórica e a inovação vanguardista. A sua filosofia de design é um ato de equilíbrio magistral: despoja-se de um mostrador tradicional para revelar a alma do seu calibre, o 588N, transformando a própria platina do movimento numa tela para a expressão artística. O espetáculo dos dois turbilhões independentes, orbitando a periferia do relógio enquanto regulam a sua marcha, é uma proeza tanto visual quanto técnica. A sua importância horológica é monumental; representa a evolução máxima da invenção mais célebre de Abraham-Louis Breguet, o turbilhão. Ao fazê-lo girar não apenas sobre o seu próprio eixo, mas em torno de um eixo central, e ao duplicá-lo para uma precisão superior, a Breguet reafirma a sua soberania neste domínio. O modelo 5345 não é apenas um relógio, é um manifesto sobre a beleza da mecânica exposta e uma homenagem palpável ao génio fundador da marca, imortalizado na gravação da sua oficina parisiense no fundo da caixa.

HISTÓRIA

Lançado em 2020, o Breguet Classique Double Tourbillon Quai de l’Horloge Ref. 5345 não é uma criação espontânea, mas sim o ápice de uma jornada conceptual iniciada em 2006 com o seu predecessor, a referência 5347. Esse modelo original já era uma proeza, introduzindo a ideia audaciosa de dois turbilhões a trabalhar em conjunto numa platina rotativa, visíveis através de aberturas num mostrador de ouro maciço com um requintado trabalho de guilloché. Contudo, o Ref. 5345 representa uma evolução filosófica e estética radical. A Breguet decidiu remover por completo o véu do mostrador, expondo a totalidade do calibre 588N numa arquitetura esqueletizada que é simultaneamente moderna e profundamente barroca. Esta decisão transformou o relógio de uma complicação contida numa escultura cinética para o pulso. A evolução técnica do calibre 588 para o 588N é subtil mas significativa. O seu princípio fundamental permanece: dois turbilhões independentes, cada um com a sua própria mola e balanço, batem de forma autónoma. As suas taxas de marcha são então mecanicamente 'mediadas' por um diferencial de esferas montado no centro, que calcula a média das suas duas velocidades e transmite essa informação ao trem de engrenagens principal. Esta duplicação e mediação não só oferece um espetáculo visual hipnótico, como também melhora a precisão cronométrica ao anular erros de marcha de forma mais eficaz do que um único turbilhão. O feito mais genial, no entanto, é que toda esta estrutura – os dois turbilhões e a platina que os sustenta – gira lentamente sobre si mesma, completando uma rotação a cada 12 horas. A ponte superior que une os dois turbilhões serve, de forma brilhante, como o ponteiro das horas, enquanto um ponteiro Breguet clássico indica os minutos. O design da Ref. 5345 é uma declaração de intenções. Ao contrário do classicismo do 5347, aqui a estética é de pura exibição mecânica. As pontes e a platina são feitas de ouro, mas recebem um tratamento de antracite que lhes confere uma aparência contemporânea e austera, criando um contraste dramático com os componentes polidos e azulados. Cada superfície visível do movimento é meticulosamente gravada à mão, não com os padrões guilloché tradicionais, mas com motivos mais orgânicos e detalhados. A verdadeira alma desta referência, que lhe confere o nome 'Quai de l’Horloge', reside no fundo da caixa. Em vez de uma simples vista do movimento, a Breguet optou por uma tela de ouro maciço, onde um mestre gravador recria à mão a fachada do edifício histórico no número 39 do Quai de l'Horloge em Paris, o local onde Abraham-Louis Breguet estabeleceu a sua oficina. Este detalhe eleva o relógio de um instrumento a um artefacto histórico. O impacto do 5345 na indústria foi profundo, solidificando a Breguet não apenas como a guardiã do legado do turbilhão, mas como a sua mais audaciosa inovadora. É uma peça que define uma categoria, um diálogo entre a física do século XVIII e a arte relojoeira do século XXI.

CURIOSIDADES

A ponte superior que une os dois turbilhões e serve de ponteiro das horas é deliberadamente curvada para seguir o perfil do cristal de safira abobadado, uma complexidade de fabrico que exige uma precisão extrema. A gravação manual no fundo da caixa é uma micro-escultura individual. Cada peça é única, com o artesão a gravar não apenas a arquitetura do edifício, mas também detalhes como reflexos nos vidros e a textura das pedras da calçada. O calibre 588N é composto por mais de 738 componentes individuais, um número que rivaliza com o de muitas das mais complexas repetições de minutos e calendários perpétuos. A letra 'B' estilizada que decora a ponte do diferencial central não é meramente decorativa; é uma componente funcional integrante do trem de engrenagens que transmite a força motriz. Apesar da sua aparência aberta, o movimento é construído com materiais não magnéticos em componentes chave, como as espirais de silício, garantindo uma performance cronométrica estável face a campos magnéticos modernos. A bracelete, embora sendo de pele de aligátor, é tratada com um processo especial que lhe confere um acabamento mate e uma textura emborrachada, apelidada de 'Stone' pela marca, oferecendo uma sensação tátil única e contemporânea. A ideia de usar um diferencial para mediar as taxas de dois osciladores é um princípio emprestado da engenharia automóvel, onde diferenciais são usados para permitir que as rodas girem a velocidades diferentes nas curvas, demonstrando uma polinização cruzada de génio mecânico.

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