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Poljot Sturmanskie (Tipo 1) de 1949: O Navegador do Céu Soviético e o Pioneiro dos Relógios de Piloto da Cortina de Ferro.


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O primeiro relógio dedicado à Força Aérea Soviética, produzido pela 1MWF (pré-Poljot). Equipado com o calibre 2634 (baseado no Lip R26), 15 rubis e função de parada de segundos (hacking) para sincronização precisa.

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RESUMO

Nascido da necessidade estratégica no alvorecer da Guerra Fria, o Sturmanskie de 1949 da Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (1MWF) não é apenas um relógio; é um instrumento militar forjado em sigilo e propósito. Concebido exclusivamente para os pilotos da Força Aérea Soviética (VVS), este relógio nunca esteve disponível para o público, tornando-o um artefacto autêntico da engenharia utilitária soviética. A sua filosofia de design era de uma clareza brutal: a função reinava suprema sobre a forma. A legibilidade, a robustez e, crucialmente, a precisão sincronizada eram os seus únicos objetivos. O seu público-alvo não eram colecionadores ou cavalheiros, mas sim navegadores e pilotos que dependiam dele para missões coordenadas onde um segundo poderia significar a diferença entre o sucesso e o fracasso. A importância do Sturmanskie Tipo 1 na horologia transcende a sua função original. Representa a maturidade da relojoaria soviética do pós-guerra, capaz de produzir movimentos complexos como o calibre com parada de segundos. Mais significativamente, estabeleceu o ADN para décadas de relógios de serviço soviéticos e, mais famosamente, serviu como o antepassado direto do relógio que Yuri Gagarin usaria para se aventurar no cosmos, garantindo para sempre o seu lugar na história como o ponto de partida de uma lenda.

HISTÓRIA

A história do Sturmanskie Tipo 1 começa nas cinzas da Segunda Guerra Mundial, num período em que a União Soviética procurava afirmar a sua proeza tecnológica e militar. Em 1949, com a intensificação da Guerra Fria, a Força Aérea Soviética emitiu uma diretiva clara: os seus pilotos e navegadores necessitavam de um relógio de pulso que fosse não só robusto e fiável, mas que também possuísse a capacidade crucial de sincronização ao segundo. A tarefa recaiu sobre a Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (1MWF), a joia da coroa da horologia soviética. A fundação técnica para este ambicioso projeto veio de França. Utilizando a maquinaria e os projetos do calibre Lip R26, adquiridos no período pré-guerra, os engenheiros soviéticos realizaram uma modificação fundamental. Adaptaram o movimento base, conhecido internamente como K-26, para incorporar um mecanismo de parada de segundos, ou 'hacking'. Esta complicação, acionada ao puxar a coroa, imobilizava a roda de balanço, permitindo que esquadrões inteiros sincronizassem os seus relógios com uma precisão absoluta antes de uma missão. O resultado foi o calibre de 15 rubis que se tornaria o coração do primeiro Sturmanskie. O design exterior do relógio era um exercício de pragmatismo militar. A caixa compacta de 33 mm, feita de latão cromado, era modesta para os padrões modernos, mas perfeitamente funcional para a época. O mostrador, geralmente de cor creme ou prateada, era despojado de qualquer adorno, apresentando grandes numerais arábicos a preto e uma via férrea de minutos para uma legibilidade instantânea. Os ponteiros de aço azulado, muitas vezes no estilo 'catedral', eram preenchidos com lume à base de rádio para visibilidade noturna. Estes primeiros modelos, produzidos de 1949 até meados da década de 1950, são o que os colecionadores hoje designam como 'Tipo 1'. Eram propriedade estrita do governo; emitidos aos graduados da academia de voo e deveriam ser devolvidos após o serviço, tornando os exemplares originais sobreviventes extremamente raros. A evolução do Sturmanskie foi subtil mas significativa. Em meados da década de 1950, o movimento foi atualizado para uma versão de 17 rubis, incorporando proteção contra choques para maior durabilidade. Este modelo atualizado, embora visualmente quase idêntico, é tecnicamente a segunda geração e foi esta a versão que cimentou o legado do Sturmanskie. Foi um Sturmanskie de 17 rubis que estava no pulso do cosmonauta Yuri Gagarin a 12 de abril de 1961, quando ele se tornou o primeiro ser humano no espaço. Esse momento transformou o Sturmanskie de uma ferramenta militar obscura num ícone global da exploração espacial. Embora o modelo de 1949 não tenha ido ao espaço, ele é o progenitor indispensável, a base sobre a qual essa história lendária foi construída. O seu impacto foi profundo, estabelecendo um padrão para os relógios militares soviéticos e provando que a indústria relojoeira do bloco oriental podia produzir instrumentos de precisão de classe mundial.

CURIOSIDADES

O utilizador mais famoso de um Sturmanskie foi, sem dúvida, o cosmonauta Yuri Gagarin, que usou uma versão posterior de 17 rubis durante o seu histórico voo Vostok 1 em 1961, tornando-o o primeiro relógio no espaço. O nome '???????????' (Shturmanskie) traduz-se diretamente do russo como 'Do Navegador', refletindo o seu propósito original como um instrumento de navegação aérea. Estes relógios eram estritamente para uso militar e não estavam disponíveis para compra pelo público. Eram emitidos aos pilotos após a graduação e, teoricamente, deveriam ser devolvidos ao final do serviço, o que contribui para a sua raridade hoje. O movimento do Sturmanskie é um descendente direto do calibre Lip R26 francês, um exemplo fascinante da transferência de tecnologia relojoeira para a União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. Exemplares genuínos da produção de 1949 a 1953 são extremamente cobiçados devido às suas pequenas tiragens de produção e ao seu significado histórico como os primeiros modelos emitidos. Enquanto o Sturmanskie era para os militares, a 1MWF produziu um modelo 'civil' muito semelhante chamado 'Sportivnie' (??????????), que usava uma versão do mesmo movimento, mas sem a crucial função de parada de segundos. A simplicidade do mecanismo de hacking - uma simples alavanca que pressionava fisicamente a roda de balanço para a parar - é um testemunho da filosofia de engenharia soviética, que privilegiava a robustez e a facilidade de manutenção em detrimento da complexidade excessiva.

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