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Breguet Classique Grande Complication 3610: O Renascimento da Alta Relojoaria com a Primeira Equação do Tempo Marchante de Pulso


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Primeira versão moderna de pulso com Equação do Tempo Marchante e Calendário Perpétuo (Calibre 502 base).

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RESUMO

O Breguet Classique Grande Complication Ref. 3610, lançado em 1990, é uma obra-prima que simboliza o renascimento da relojoaria mecânica após a crise do quartzo. Posicionado no pináculo da alta horologia, este relógio de vestir definitivo não foi concebido para o público em geral, mas sim para os conhecedores e colecionadores mais exigentes, aqueles que compreendem a profunda complexidade de suas funções. A sua filosofia de design é um tributo direto ao gênio de Abraham-Louis Breguet, combinando a estética neoclássica intemporal – caixa canelada, asas soldadas e o icónico mostrador em guilloché – com uma proeza técnica que estava adormecida há décadas. A sua importância monumental reside no facto de ter sido o primeiro relógio de pulso da era moderna a apresentar a rara e poética complicação da 'Equação do Tempo Marchante' juntamente com um Calendário Perpétuo, tudo num movimento automático ultrafino. Numa época em que a indústria procurava redefinir o seu valor, o Ref. 3610 não foi apenas um relógio; foi uma declaração de supremacia técnica e um elo direto com a era de ouro da invenção relojoeira, reafirmando o lugar da Breguet como a guardiã da mais pura tradição artesanal.

HISTÓRIA

No alvorecer da década de 1990, a indústria relojoeira suíça estava a emergir das cinzas da crise do quartzo, impulsionada por um desejo renovado de reafirmar a relevância e a magia da mecânica. Foi neste cenário de renascimento que a Breguet, sob a nova propriedade da Investcorp e a genial direção técnica do mestre relojoeiro Daniel Roth, apresentou ao mundo uma criação que iria redefinir os limites do possível num relógio de pulso: a referência 3610. Lançada em 1990, esta peça não era apenas mais um relógio complicado; era a personificação da herança da marca e um feito técnico sem precedentes na era moderna. A sua maior reivindicação à fama foi a combinação de duas das mais nobres complicações: um Calendário Perpétuo e uma Equação do Tempo 'Marchante'. Enquanto a equação do tempo era uma complicação histórica, frequentemente vista em relógios de bolso e de mesa (incluindo os do próprio A.-L. Breguet), a sua forma 'marchante' – que utiliza um segundo ponteiro de minutos para exibir continuamente a diferença entre o tempo solar e o tempo civil – nunca tinha sido miniaturizada com sucesso num relógio de pulso automático ao lado de um calendário perpétuo. O desafio era imenso. A base era o lendário Calibre 502, um movimento automático ultrafino conhecido pela sua elegância e pelo seu rotor descentralizado. Construir um módulo para estas duas complicações complexas sobre uma base tão delicada exigiu uma engenharia excecional. O resultado foi um testemunho do savoir-faire que a Breguet procurava reavivar. Esteticamente, o 3610 era puro classicismo Breguet. A caixa de 36.3mm, modesta para os padrões atuais, era perfeitamente proporcionada, com a assinatura da marca na faixa da caixa canelada e nas asas soldadas. O mostrador, uma tela de ouro maciço prateado, era uma sinfonia de padrões de guilloché aplicados à mão, com uma clareza de layout que desmentia a sua complexidade mecânica. Os ponteiros de aço azulado indicavam o tempo civil, enquanto um ponteiro dourado com um sol estilizado seguia o seu ritmo, ora adiantando-se, ora atrasando-se, numa dança celeste no pulso. O Ref. 3610 não teve antecessores de pulso diretos com esta combinação, tornando-o um verdadeiro pioneiro. O seu lançamento foi um momento decisivo, sinalizando que a Breguet estava de volta não apenas como um nome histórico, mas como uma força inovadora na vanguarda da alta relojoaria. Este modelo estabeleceu a base para muitas das grandes complicações que a marca produziria nas décadas seguintes, solidificando a sua imagem como a mestre indiscutível da relojoaria clássica e complicada.

CURIOSIDADES

A criação desta referência é amplamente creditada ao génio do mestre relojoeiro Daniel Roth, que foi instrumental na revitalização da Breguet durante a era Investcorp, antes de partir para fundar a sua aclamada marca homónima. O calibre base, 502, é famoso pelo seu rotor de ouro 21k descentralizado e finamente guilhochado, uma solução de design elegante para manter a espessura do movimento no mínimo absoluto sem sacrificar a eficiência do enrolamento. O came que controla a equação do tempo, visível através do fundo de safira, tem a forma de um analema (semelhante a um rim), um componente que traduz mecanicamente a órbita elíptica da Terra e a sua inclinação axial. O mostrador não é simplesmente uma peça de metal decorada; é feito de ouro maciço, que é depois prateado e meticulosamente gravado à mão em tornos de rose engine centenários, uma arte que a Breguet tem lutado para preservar. A combinação de uma equação do tempo 'marchante' e um calendário perpétuo num movimento automático de pulso foi uma estreia mundial em 1990, um feito que chocou a indústria e estabeleceu um novo padrão para as grandes complicações. Este relógio é hoje considerado um ícone da era 'neo-vintage', representando a primeira e mais pura vaga de relógios ultracomplicados que definiram o renascimento da alta relojoaria após a crise do quartzo. Devido à sua complexidade e produção artesanal, o número de exemplares da referência 3610 é extremamente limitado, tornando-o uma peça muito cobiçada em leilões e no mercado de colecionadores.

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