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A Escultura do Tempo: A Vanguardista Coleção Longines por Serge Manzon em Prata Maciça (1973)


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Coleção vanguardista desenhada pelo designer Serge Manzon, caracterizada por caixas em prata maciça (Ag 925) e formas escultóricas.

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RESUMO

Lançada em 1973, a coleção Longines 'Série Serge Manzon' representa um dos capítulos mais audaciosos e artisticamente significativos na história da manufatura de Saint-Imier. Numa época em que a indústria relojoeira enfrentava a Revolução do Quartzo e uma crise de identidade, a Longines optou por colaborar com o designer francês Serge Manzon para criar não apenas relógios, mas 'objets portés' (objetos de vestir). Esta coleção distingue-se imediatamente pelo uso exclusivo de prata maciça (Ag 925) para as caixas, uma escolha de material extremamente rara na relojoaria do século XX, que confere às peças um brilho lunar e uma patine inconfundível. Afastando-se radicalmente das formas redondas tradicionais e das asas convencionais, Manzon desenhou formas escultóricas, fluidas e muitas vezes assimétricas, que evocam fivelas de cinto sofisticadas ou joalharia brutalista. A coleção foi uma declaração de que o relógio de pulso poderia transcender a sua função utilitária para se tornar uma obra de arte modernista. Hoje, estas peças são cobiçadas não apenas por colecionadores de relógios, mas por aficionados de design e arte da década de 1970, simbolizando a fusão perfeita entre a precisão suíça e a vanguarda estética francesa.

HISTÓRIA

A gênese da coleção Longines por Serge Manzon, em 1973, deve ser compreendida no contexto turbulento e criativo da década de 1970. A relojoaria suíça estava sob cerco da tecnologia de quartzo vinda do Japão e dos EUA. A resposta da Longines, sob uma gestão que buscava reposicionar a marca no segmento de luxo e moda, foi abraçar a arte. A marca já havia experimentado com designs não convencionais, mas a parceria com Serge Manzon elevou essa ambição a um novo patamar. Serge Manzon não era um relojoeiro; era um esteta, conhecido pelo seu trabalho em design de mobiliário, iluminação e objetos decorativos. A sua falta de condicionamento técnico tradicional permitiu-lhe abordar o relógio de pulso sem as restrições mentais de 'asas', 'lunetas' ou 'coroas' convencionais. Para Manzon, o relógio era uma extensão da joalharia e do vestuário. Ele concebeu uma série de desenhos que eliminavam a distinção entre a caixa do relógio e o sistema de fixação da pulseira. O resultado foram caixas que pareciam fivelas contínuas, blocos de metal que fluíam organicamente para o couro. A decisão de utilizar prata maciça (Ag 925) foi fundamental para a identidade da coleção. Enquanto o aço era utilitário e o ouro era tradicionalmente luxuoso, a prata oferecia uma qualidade tátil e visual única — mais suave, mais quente e com uma capacidade de refletir a luz de forma difusa, ideal para as superfícies curvas e lisas que Manzon desenhou. No entanto, o uso da prata apresentou desafios técnicos significativos, nomeadamente a sua propensão para a oxidação (tarnishing), o que exigiu tratamentos de superfície específicos e tornou a manutenção destas peças um ato de cuidado contínuo pelo proprietário. A coleção foi apresentada na Feira de Basileia com grande alarde, posicionada no topo da gama da Longines. As peças eram caras e produzidas em quantidades limitadas, destinadas a uma clientela vanguardista que frequentava galerias de arte e boutiques de alta costura em Paris e Milão. Embora comercialmente tenha sido um produto de nicho, a 'Série Serge Manzon' solidificou a reputação da Longines como uma marca capaz de ousadia estética extrema (ganhando prémios como o 'Baden-Baden Golden Rose'). Décadas depois, a coleção renasceu no interesse dos colecionadores. O brutalismo suave de Manzon e a raridade das caixas de prata tornaram estes relógios ícones do design 'Space Age' tardio. Eles representam um momento fugaz onde a forma não seguia a função, mas sim a emoção, transformando a máquina de medir o tempo numa escultura de pulso.

CURIOSIDADES

O material é a estrela: A prata de lei (925) é raríssima em relógios de pulso modernos devido à oxidação; a escolha deste metal torna a coleção única na história da Longines. Assinatura Dupla: Estes são dos poucos relógios da época que ostentam proeminentemente a assinatura do designer (Serge Manzon) no mostrador ou na caixa, par a par com o logotipo da Longines. Design de Mobiliário: Serge Manzon era famoso por desenhar móveis para figuras como Pierre Cardin; ele aplicou a mesma lógica de 'design de objeto' aos relógios. As Fivelas: Muitos modelos foram desenhados especificamente para parecerem fivelas de cinto quando vistos de lado, integrando a bracelete de forma que o couro parecesse atravessar o metal. O 'Electronic': Alguns modelos desta coleção vinham equipados com movimentos eletromecânicos ou de quartzo primitivos, e traziam a inscrição 'Electronic' no mostrador, um símbolo de modernidade na altura. Raridade Atual: Devido à natureza macia da prata, encontrar exemplares hoje sem mossas profundas ou polimento excessivo é extremamente difícil, elevando o valor de peças em estado 'mint'. O Estojo: Os relógios eram vendidos em estojos especiais, muitas vezes revestidos de materiais nobres que complementavam a estética futurista da coleção.

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