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Casio MQ-24: O Triunfo do Minimalismo e o Ícone Analógico que Redefiniu o Tempo para as Massas


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Lançamento do relógio analógico minimalista de resina que se tornaria um dos modelos mais vendidos da história da marca.

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RESUMO

Lançado em 1987, num cenário dominado pela própria revolução digital da Casio, o MQ-24 emergiu como uma declaração de pura simplicidade. A sua filosofia de design foi uma antítese deliberada à complexidade crescente dos relógios digitais, oferecendo uma experiência analógica despojada, focada unicamente na legibilidade e na fiabilidade. Posicionado como um relógio para todos, o seu público-alvo era universal, transcendendo idade, profissão e estatuto social. Desde o estudante que comprava o seu primeiro relógio até ao profissional que procurava uma peça discreta e funcional, o MQ-24 oferecia uma solução elegante e acessível. A sua conceção inspira-se nos princípios da escola Bauhaus, onde a forma segue rigorosamente a função, resultando numa estética que é, ao mesmo tempo, intemporal e inerentemente moderna. A significância do MQ-24 para a horologia reside na sua democratização do bom design. Provou que um relógio não precisava de ser mecanicamente complexo ou construído com materiais preciosos para se tornar um ícone. Ao combinar uma caixa de resina leve, um movimento de quartzo preciso e um mostrador de clareza inigualável, a Casio criou não apenas um dos relógios mais vendidos da história, mas também um objeto de design duradouro que continua a ser tão relevante hoje como era no seu lançamento.

HISTÓRIA

No coração da década de 1980, a Casio era a rainha indiscutível do pulso digital. Os seus relógios com calculadora, banco de dados e inúmeras outras funcionalidades simbolizavam o futuro da cronometragem. Neste contexto de crescente complexidade digital, a decisão da empresa de lançar o MQ-24 em 1987 foi um ato de genialidade contraintuitiva. Em vez de adicionar mais funções, a Casio subtraiu tudo o que era supérfluo, destilando o relógio à sua essência mais pura: a medição clara e fiável do tempo. O MQ-24 não foi uma evolução de um modelo analógico anterior; foi uma reinvenção radical, aplicando a sensibilidade do design minimalista japonês e os princípios da produção em massa a um formato clássico. A sua inspiração não veio de complicações suíças, mas sim da pureza funcional de ícones do design como os relógios de Max Bill para a Junghans, mas traduzido para a linguagem acessível da resina e do quartzo. A característica mais notável da história do MQ-24 é a sua extraordinária consistência. O design da caixa, a proporção do mostrador e a filosofia geral permaneceram virtualmente inalterados desde o seu lançamento. Esta ausência de evolução deliberada é o segredo da sua longevidade e do seu estatuto de ícone. Enquanto outros modelos passam por atualizações e redesenhos, o MQ-24 permanece como uma constante, um testemunho da força do seu conceito original. As únicas alterações significativas ocorreram internamente, com a atualização dos módulos de quartzo ao longo das décadas (do Módulo 705 para o 1330, por exemplo), melhorando a eficiência e a vida útil da bateria sem qualquer impacto visível para o utilizador. A verdadeira evolução do MQ-24 deu-se através da sua diversidade. A plataforma tornou-se uma tela em branco para a Casio, que produziu centenas de variações de mostradores. Referências como o MQ-24-1B (mostrador preto clássico), o MQ-24-7B (mostrador branco) e inúmeras outras com diferentes cores, numerais romanos, ou apenas marcadores, transformaram um único modelo numa família abrangente que apela a todos os gostos, mantendo sempre a mesma silhueta familiar. O impacto do MQ-24 na Casio e na indústria foi profundo. Solidificou a reputação da marca para além dos circuitos digitais, provando a sua mestria no design analógico. Tornou-se um fenómeno global, muitas vezes o primeiro relógio de uma pessoa, e estabeleceu um novo paradigma para o valor, demonstrando que um design excecional e uma fiabilidade inabalável podiam ser acessíveis a todos. Mais do que um relógio, o MQ-24 é uma instituição horológica, um objeto democrático que adorna tantos pulsos quanto os relógios mais luxuosos do mundo.

CURIOSIDADES

O 'Relógio do Papa': A variante de mostrador branco, especificamente a referência MQ-24-7B2, é famosamente usada pelo Papa Francisco, reforçando a sua imagem de humildade e simplicidade funcional. Apelidos da Comunidade: Embora não tenha um único apelido universal como um 'Pepsi' da Rolex, é frequentemente referido com reverência como 'The Standard', 'The Classic' ou simplesmente pelo seu número de modelo, que se tornou sinónimo do seu design. Ícone do Design: O MQ-24 é frequentemente apresentado em escolas de design e publicações como um exemplo perfeito do princípio 'forma segue a função'. A sua pureza estética levou a que fosse vendido em lojas de museus de arte moderna, como a MoMA Design Store, como um objeto de design exemplar. O 'Anti-Relógio': Devido à sua natureza discreta e omnipresente, ganhou a reputação de ser o 'anti-relógio' — uma escolha para aqueles que precisam de saber as horas sem fazer uma declaração de moda ou status, valorizando a função acima de tudo. Volume de Produção Astronómico: É um dos modelos de relógios produzidos em maior volume na história da horologia, com milhões de unidades fabricadas anualmente, tornando-o um dos relógios mais comuns e reconhecíveis do planeta. Durabilidade Lendária: O movimento de quartzo interno é tão robusto que a falha mais comum do relógio após anos de uso não é mecânica, mas sim o desgaste físico da bracelete de resina ou os riscos acumulados no cristal acrílico, com o 'coração' do relógio a continuar a funcionar perfeitamente.

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