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Raketa Record (Cal. 2209): A Medalha de Ouro Soviética que Desafiou a Alta Relojoaria Suíça


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Relógio ultra-fino com o lendário calibre 2209 (2.7mm de espessura), vencedor da Medalha de Ouro na Feira de Leipzig de 1965. Um marco da engenharia soviética.

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RESUMO

Numa era dominada pela corrida espacial e pela rivalidade tecnológica, o Raketa Record de 1965 emergiu não como um instrumento para cosmonautas, mas como uma sofisticada declaração de mestria técnica no pulso. Lançado pela Fábrica de Relógios de Petrodvorets, o Record foi a resposta da União Soviética ao domínio suíço no campo dos relógios de gala ultra-finos. O seu coração, o lendário calibre 2209 com apenas 2.7mm de espessura, era uma maravilha da micro-engenharia, permitindo a criação de um relógio de uma elegância e finura sem precedentes para a indústria soviética. O seu público-alvo não eram os militares ou os aventureiros, mas sim a intelligentsia, os oficiais do partido e os cidadãos que procuravam um símbolo de status e refinamento cultural. A filosofia de design do Record era de um minimalismo puro: mostradores limpos com acabamento 'sunburst', índices aplicados delgados e uma caixa esguia que desaparecia sob o punho da camisa. A sua importância transcende a simples cronometragem; o Record representa um momento de orgulho nacional, validado internacionalmente com a conquista da Medalha de Ouro na Feira de Leipzig de 1965. Este prémio não foi apenas um reconhecimento do seu design e engenharia, mas um ato de diplomacia horológica que provou que a precisão e a elegância soviéticas podiam competir, e vencer, no palco mundial.

HISTÓRIA

A história do Raketa Record está intrinsecamente ligada à ambição tecnológica da União Soviética durante o auge da Guerra Fria. Em meados do século XX, enquanto a Suíça, com marcas como a Piaget e o seu calibre 9P, definia o padrão para a relojoaria ultra-fina, o Kremlin encarregou as suas fábricas estatais de demonstrarem uma capacidade técnica equivalente. A resposta da Fábrica de Relógios de Petrodvorets, a mais antiga da Rússia, foi o desenvolvimento do calibre 2209, um movimento de corda manual com uns impressionantes 2.7mm de altura. Este feito de engenharia tornou-se a plataforma para o relógio que viria a ser batizado, de forma muito apropriada, de 'Record' (??????). Lançado no início dos anos 60, o relógio era uma clara rutura com a produção soviética tradicional, focada em robustez e funcionalidade militar. O Record era sinónimo de elegância, precisão e prestígio. O seu design refletia esta missão: caixas delgadas, geralmente banhadas a ouro, com um diâmetro clássico de 35mm que assentava discretamente no pulso. Os mostradores eram obras de arte minimalista, com texturas 'sunburst' que captavam a luz e índices polidos que dispensavam números e qualquer elemento supérfluo. O auge da sua história, e o momento que o cimentou no panteão da horologia, ocorreu em 1965. Na Feira Internacional de Leipzig, na Alemanha Oriental, um dos mais importantes palcos comerciais entre o Bloco de Leste e o Ocidente, o Raketa Record foi galardoado com a Medalha de Ouro pela sua excecional finura e qualidade técnica. Esta vitória foi um imenso triunfo de propaganda e validação, provando que a engenharia soviética não se limitava a tanques e foguetões, mas podia também produzir objetos de luxo e precisão reconhecidos internacionalmente. Após 1965, o calibre 2209 tornou-se um cavalo de batalha para a Raketa, sendo utilizado numa miríade de modelos. Embora o nome 'Record' nem sempre estivesse presente no mostrador, o espírito do relógio ultra-fino persistiu. Surgiram variações com diferentes formatos de caixa (quadradas, tonneau) e uma vasta gama de cores e desenhos de mostrador, tanto para o mercado interno como para exportação sob marcas como a Sekonda. Para os colecionadores, os exemplares mais cobiçados são os do período de 1961-1965, com o mostrador em cirílico '??????', pois representam a forma mais pura e historicamente significativa do relógio que conquistou o ouro. O seu legado é o de um ícone da elegância soviética, um testemunho de que, mesmo por detrás da Cortina de Ferro, a busca pela beleza e pela perfeição mecânica era uma linguagem universal.

CURIOSIDADES

O nome '??????' (Record) foi uma escolha de marketing deliberada e literal para celebrar o feito do relógio de abrigar o movimento de três ponteiros mais fino alguma vez produzido na União Soviética. A Medalha de Ouro na Feira de Leipzig de 1965 não era um prémio menor; era um reconhecimento de prestígio num evento que servia de ponte comercial e cultural entre a NATO e o Pacto de Varsóvia, tornando a vitória soviética ainda mais significativa. Apesar da sua beleza, o calibre 2209 é conhecido entre os relojoeiros pela sua delicadeza. A sua construção ultra-fina, especialmente a ponte do tambor de corda, torna-o suscetível a danos se não for manuseado por um profissional experiente. Muitos Raketa Record foram exportados para o Reino Unido e outros países ocidentais sob a marca 'Sekonda'. Estes modelos com mostrador em inglês são uma porta de entrada fascinante para a relojoaria soviética. Dentro da URSS, o Record era um artigo de luxo e um símbolo de status. Era frequentemente oferecido como prémio por feitos profissionais ou como presente a dignitários, sendo um relógio para a elite intelectual e política, não para o cidadão comum. Existe um debate histórico entre colecionadores sobre a primazia do movimento 2209, com o calibre 'Vympel' da Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (Poljot/Luch) a ser desenvolvido por volta da mesma altura. No entanto, foi o Raketa Record de Petrodvorets que alcançou a fama internacional com o prémio de Leipzig. Os mostradores autênticos da época exibem orgulhosamente a inscrição '??????? ? ????' ('Feito na URSS') na posição das 6 horas, um detalhe que hoje serve como um selo de autenticidade histórica e transporta o seu portador de volta a uma era passada.

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