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Breguet Classique Tourbillon Quantième Perpétuel Squelette 3795: A Arte da Transparência Mecânica


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Versão esqueletizada do Ref. 3797, lançada simultaneamente, com mostrador em safira e Calibre 558 QP3.

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RESUMO

O Breguet Classique Tourbillon Quantième Perpétuel Squelette Ref. 3795, lançado em 2014, representa um pináculo da alta relojoaria, uma fusão magistral entre a herança neoclássica da marca e uma ousada expressão de arte mecânica. Posicionado no segmento de 'Grande Complicação', este relógio não é uma ferramenta, mas uma obra de arte cinética para o pulso, destinada aos colecionadores mais exigentes e conhecedores. A sua filosofia de design é de revelação total. Lançado simultaneamente com o seu irmão mais tradicional, o Ref. 3797, o 3795 opta pela esqueletização extrema e por um mostrador de safira para expor a alma do seu complexo calibre. Esta abordagem transforma a arquitetura do movimento na própria face do relógio, celebrando cada ponte, engrenagem e alavanca, todas meticulosamente gravadas à mão. A sua importância horológica reside na capacidade de reinterpretar duas das mais nobres complicações — o turbilhão e o calendário perpétuo — através de uma lente de modernidade e transparência, sem sacrificar um pingo da elegância e dos códigos estéticos que definem a Breguet há mais de dois séculos. É uma demonstração de virtuosismo técnico e artesanal, um diálogo entre o legado de Abraham-Louis Breguet e as capacidades do século XXI.

HISTÓRIA

A referência 3795 Classique Tourbillon Quantième Perpétuel Squelette foi apresentada ao mundo em 2014, num momento em que a alta relojoaria vivia uma redescoberta fervorosa das artes decorativas e da transparência mecânica. Este relógio não surgiu no vácuo; foi lançado como o gémeo audacioso e extrovertido da referência 3797, que partilhava exatamente o mesmo calibre e complicações, mas apresentava-os sob um mostrador de ouro maciço com guilloché tradicional. Esta estratégia de lançamento duplo foi genial, oferecendo aos clientes uma escolha fundamental: a discrição clássica ou a exuberância artística. O 3795 era, e continua a ser, a escolha para quem deseja não apenas possuir uma grande complicação, mas testemunhar o seu funcionamento a cada olhar. A base técnica é o Calibre 558, um dos pilares dos movimentos com turbilhão da Breguet moderna. Para esta peça, foi transformado no Calibre 558 QP3. O 'QP' indica 'Quantième Perpétuel', e o '3' denota a sua arquitetura específica e altamente esqueletizada. A evolução de um calibre sólido para uma estrutura etérea como a do 3795 é um desafio monumental. Não se trata simplesmente de remover material; é um processo de reengenharia para garantir a rigidez estrutural, a precisão cronométrica e, acima de tudo, a beleza estética. Cada ponte foi redesenhada para fluir de forma orgânica, criando uma tapeçaria mecânica que é depois entregue aos mestres gravadores da manufatura. Estes artesãos passam centenas de horas a esculpir motivos florais e volutas diretamente no metal, transformando componentes funcionais em esculturas em miniatura. O design do mostrador é uma aula de legibilidade e equilíbrio. Para evitar obscurecer a obra de arte mecânica, a Breguet utilizou um disco de safira. O anel de horas e minutos, descentralizado, é uma homenagem direta aos relógios de bolso de A.-L. Breguet. A solução para a data é particularmente elegante: um ponteiro retrógrado que percorre um arco na metade superior, saltando de volta para o dia 1 no final de cada mês. Esta função não só é visualmente cativante, como também liberta o espaço inferior para a majestosa dança do turbilhão às 6 horas. O impacto do 3795 foi imediato. Ele consolidou a reputação da Breguet não como uma marca presa ao passado, mas como uma guardiã da tradição capaz de inovar de forma espetacular. Demonstrou que a esqueletização podia ser elevada a uma forma de arte clássica, em contraste com as interpretações mais agressivas e industriais de outras marcas. Para os colecionadores, o 3795 tornou-se um 'grail watch', uma peça que encapsula o melhor da mecânica, da arte e da história relojoeira num único e deslumbrante objeto.

CURIOSIDADES

O lançamento simultâneo com a Ref. 3797 (versão não esqueletizada) foi uma estratégia rara, oferecendo duas interpretações radicalmente diferentes do mesmo coração mecânico. A indicação de data retrógrada, com o seu ponteiro serpentina em aço azulado, não é apenas funcional mas também um aceno histórico, pois ponteiros com formas distintas eram usados antigamente para diferenciar funções no mostrador. Ao contrário de muitas peças esqueletizadas que parecem frágeis, o calibre 558 QP3 foi projetado com pontes de ouro maciço, garantindo robustez apesar da sua aparência delicada e perfurada. A arte da gravação à mão (ciselura) é tão proeminente que o relógio é frequentemente considerado uma peça de 'Métiers d'Art' tanto quanto um instrumento de alta complicação. A utilização de um mostrador de safira para os sub-mostradores e para o anel das horas cria um efeito tridimensional único, com os indicadores a parecerem flutuar magicamente sobre a complexidade do movimento. Devido à extrema complexidade da sua fabricação e do trabalho manual envolvido, a produção do Ref. 3795 é extremamente limitada, tornando cada exemplar uma peça praticamente única. O design do turbilhão, com sua ponte superior em aço polido a negro (black polish), é uma execução exemplar desta técnica de acabamento, uma das mais difíceis e cobiçadas na relojoaria.

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