RESUMO
Numa era definida pela corrida espacial e pela rivalidade tecnológica da Guerra Fria, o Poljot 2200 de 1965 emergiu não apenas como um relógio, mas como uma declaração audaciosa da proeza da micromecânica soviética. Concebido pela Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo, este modelo de cerimónia em ouro maciço foi a resposta direta ao domínio suíço no campo dos relógios ultra-finos, encarnado por lendas como o Piaget 9P. O seu objetivo não era o mercado de massas, mas sim a elite do partido e o palco internacional, servindo como um troféu da capacidade industrial e de engenharia da URSS. A filosofia de design do Poljot 2200 era de um minimalismo absoluto, ditado por uma necessidade funcional: alojar o calibre 2200, um movimento de corda manual com apenas 1.85mm de espessura, um recorde mundial para um mecanismo com ponte de balanço e segundeiro central na época. A sua importância transcende a simples cronometragem; representa um momento singular na história da relojoaria, onde a engenhosidade superou as limitações políticas e materiais para criar um dos relógios de pulso mecanicamente mais radicais e elegantes do século XX, tornando-o um 'graal' para colecionadores avançados.
HISTÓRIA
A génese do Poljot 2200 está intrinsecamente ligada à ambição soviética de alcançar e superar o Ocidente em todos os campos da ciência e da tecnologia durante os anos 60. Enquanto o programa espacial capturava as manchetes, uma batalha mais silenciosa era travada nos ateliers de relojoaria. A Suíça reinava suprema na alta relojoaria, especialmente no domínio dos calibres ultra-finos, um símbolo de sofisticação e mestria técnica. Em resposta, o governo soviético incumbiu a sua principal instalação, a Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (Poljot), de criar um relógio que não só rivalizasse, mas que estabelecesse um novo padrão mundial de finura. O resultado deste desafio foi o Calibre 2200, lançado em 1965. Com uma espessura impressionante de apenas 1.85mm, este movimento de 23 joias tornou-se, na altura, o mais fino do mundo com segundeiro central. A conquista não foi uma mera evolução de calibres anteriores, como o já esguio 2209. Foi uma reconfiguração radical da arquitetura de um movimento. Para eliminar cada fração de milímetro, os engenheiros da Poljot tomaram uma decisão de design sem precedentes e raramente replicada: integraram as garras da pulseira diretamente na platina principal do movimento. Isto significava que o próprio movimento formava a espinha dorsal estrutural do relógio, com a caixa de ouro maciço a servir mais como um invólucro estético do que como um contentor de suporte. Esta solução engenhosa, embora brilhante, também tornou o relógio inerentemente frágil e complexo de montar e reparar. O relógio nunca foi destinado à produção em massa. Foi um 'tour de force' tecnológico, produzido em quantidades muito limitadas, provavelmente apenas alguns milhares de unidades. Alojado exclusivamente em caixas de ouro maciço de 14k (583), o Poljot 2200 era um artigo de luxo e um presente diplomático, um testemunho do poder industrial soviético que podia ser usado no pulso. O seu design refletia a sua pureza mecânica: um mostrador limpo, geralmente prateado, com índices finos e aplicados, desprovido de qualquer adorno supérfluo. Não existem gerações ou evoluções significativas deste modelo; a sua produção foi curta, cessando provavelmente no início da década de 1970. O seu impacto, no entanto, foi duradouro. O calibre ganhou a Medalha de Ouro na Feira Internacional de Leipzig em 1965, um reconhecimento global que validou a sua excelência. Hoje, o Poljot 2200 é uma peça lendária entre os colecionadores de relojoaria soviética e entusiastas de engenharia relojoeira, um 'graal' que representa o auge da relojoaria de cerimónia da URSS e um momento em que o engenho técnico desafiou as fronteiras geopolíticas.
CURIOSIDADES
O Calibre 2200 foi galardoado com a prestigiada Medalha de Ouro na Feira Internacional de Leipzig em 1965, um raro reconhecimento internacional para um produto de consumo soviético na época.
A sua característica mais revolucionária e única na história da relojoaria é a integração das garras da pulseira diretamente na platina do movimento, uma solução radical para poupar espaço vertical.
Com 1.85mm, o movimento estabeleceu um recorde mundial como o calibre de três ponteiros (segundeiro central) mais fino do mundo no momento do seu lançamento, superando os seus concorrentes suíços.
A produção foi extremamente limitada, estimada em apenas alguns milhares de unidades, tornando qualquer exemplar sobrevivente, especialmente em bom estado de funcionamento, excecionalmente raro e valioso.
Devido à sua construção ultra-fina e complexa, o movimento é notoriamente delicado e difícil de ser reparado, o que significa que muitos exemplares não sobreviveram ao teste do tempo.
Ao contrário do seu primo mais comum, o Calibre 2209 (usado nos relógios Vympel/Luch/Poljot de Luxe), o 2200 nunca foi produzido em massa ou em caixas de aço ou folheadas a ouro, sendo reservado exclusivamente para modelos de ouro maciço de prestígio.
É frequentemente referido pelos colecionadores simplesmente pelo número do seu calibre, 'Poljot 2200', pois o seu movimento é a verdadeira identidade e lenda do relógio.