RESUMO
Em meados da década de 1980, uma era definida pela ascensão do computador pessoal e por uma fome insaciável por miniaturização tecnológica, a Casio apresentou o Databank DBX-100. Este não era apenas mais um relógio digital; era uma declaração, um 'organizador pessoal de pulso' que encapsulava o espírito futurista da época. Lançado em 1986, o DBX-100 distinguiu-se radicalmente dos seus predecessores e concorrentes através da sua inovação definidora: um ecrã LCD de matriz de pontos completo. Esta tecnologia permitiu uma clareza alfanumérica sem precedentes, transformando o conceito de 'banco de dados' de uma função críptica para uma ferramenta genuinamente útil e legível. Com capacidade para armazenar 100 entradas de telememo, visava o profissional moderno, o estudante tecnologicamente apto e qualquer pessoa que desejasse carregar o seu mundo digital de forma discreta no pulso. A sua filosofia de design era de um funcionalismo elegante e plano, abandonando a estética de relógio tradicional por uma interface que se assemelhava mais a um terminal de computador em miniatura. O DBX-100 não é significativo apenas como um produto; é um marco na relojoaria digital, representando o momento em que o relógio de pulso transcendeu a cronometragem para se tornar um verdadeiro dispositivo de informação pessoal, um precursor direto dos smartwatches que dominariam o século XXI.
HISTÓRIA
A história do Casio Databank DBX-100 é a história de um ponto de viragem crucial na evolução do relógio de pulso como um dispositivo multifuncional. Lançado em 1986, o mundo estava imerso numa revolução digital. Os computadores pessoais começavam a entrar nos lares, e a ideia de portabilidade e acesso à informação estava a tornar-se um fascínio cultural. Neste cenário, a Casio já se tinha estabelecido como uma força inovadora na relojoaria digital. Os seus modelos anteriores, como o pioneiro CD-40 de 1983, introduziram o conceito de um relógio com capacidade de armazenamento de dados, mas estes eram limitados por ecrãs de sete segmentos que tornavam a leitura de texto uma tarefa de decifração. O DBX-100 foi a resposta audaciosa e definitiva a esta limitação. A sua inovação central, o ecrã de matriz de pontos completo, foi revolucionária. Pela primeira vez, um relógio de pulso podia exibir caracteres alfanuméricos complexos, letras maiúsculas e minúsculas, e símbolos com uma clareza que rivalizava com os ecrãs de computadores primitivos da época. Esta única melhoria tecnológica transformou o Databank de um gadget curioso numa ferramenta de produtividade genuína. A capacidade foi também drasticamente aumentada para 100 entradas ('Telememo 100'), um salto quântico em relação aos seus antecessores, permitindo aos utilizadores armazenar uma lista de contactos substancial diretamente no seu pulso. O design do DBX-100 também marcou uma evolução. Adotou uma forma retangular, fina e elegante, com um teclado de membrana integrado de forma fluida abaixo do ecrã. Esta estética 'plana' era distintamente futurista e minimalista, contrastando com os designs mais volumosos de outros relógios-calculadora. O foco estava claramente na gestão de dados, tornando-o o companheiro perfeito para o executivo, o estudante ou o entusiasta de tecnologia da era yuppie. O DBX-100 não teve múltiplas 'gerações' ou 'Marks' no sentido tradicional da relojoaria suíça. Em vez disso, o seu sucesso e o seu módulo serviram de plataforma para uma explosão de modelos na linha Databank. Modelos posteriores da série DBC (Data Bank Calculator) reintroduziriam o teclado numérico completo para cálculos mais fáceis, enquanto outros experimentariam com novas funcionalidades. No entanto, o DBX-100 permanece como um ícone puro e seminal. É o modelo que validou o conceito de 'relógio inteligente' décadas antes do termo existir. O seu impacto no legado da Casio é imensurável; solidificou a marca não apenas como um fabricante de relógios, mas como um inovador em eletrónica de consumo de pulso. Para os colecionadores de hoje, o DBX-100 é um artefacto da era de ouro digital, um testemunho da ambição de colocar um computador no pulso de todos.
CURIOSIDADES
O 'Cérebro de Pulso': Nos materiais de marketing da época, o DBX-100 era frequentemente promovido não como um relógio, mas como um 'caderno eletrónico' ou 'computador de pulso', destacando a sua capacidade de armazenamento de dados como a sua principal função.
Ícone da Cultura Pop Digital: Embora modelos específicos sejam difíceis de identificar em filmes, a estética geral da linha Databank, iniciada pelo DBX-100, tornou-se um adereço visual para personagens inteligentes, geeks ou com inclinação para a tecnologia em inúmeras produções dos anos 80 e 90.
Foco no Telememo: Ao contrário dos famosos modelos DBC (Data Bank Calculator) que se seguiram, o teclado do DBX-100 foi desenhado primariamente para a entrada de texto, com os botões de calculadora a serem menos proeminentes. Isto reforçava o seu propósito principal como um banco de dados, não uma calculadora.
O Desafio do Manual: Devido à sua vasta gama de funções - telememo, hora mundial, cronógrafo, alarme - o manual de instruções do Módulo 675 era notoriamente denso. Dominar todas as capacidades do relógio requeria estudo e prática, um ritual de passagem para os seus orgulhosos proprietários.
Vantagem da Matriz de Pontos: O ecrã de matriz de pontos não beneficiava apenas a legibilidade dos nomes e números. Permitía também animações de transição de modo mais suaves e a exibição clara de abreviaturas de cidades no modo de hora mundial, uma experiência de utilizador muito superior aos ecrãs segmentados.
Precursor do PDA: Funcionalmente, o DBX-100 pode ser visto como um antepassado direto dos Assistentes Pessoais Digitais (PDAs), como o Palm Pilot, que só se popularizariam uma década mais tarde.
A Fragilidade do Tempo: Encontrar um DBX-100 hoje com a sua bracelete de resina original intacta é um desafio para os colecionadores. A resina daquela época tende a tornar-se quebradiça e a desintegrar-se, tornando os exemplares em estado 'New Old Stock' (NOS) extremamente valiosos.