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Poljot Okean (Calibre 3133): O Lendário Cronógrafo Naval Soviético Nascido da Herança Valjoux


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Lançamento do modelo Okean (Oceano) para a Marinha Soviética. Estreia do lendário calibre 3133, um movimento cronógrafo baseado no maquinário suíço Valjoux 7734 adquirido pelos soviéticos.

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RESUMO

Lançado em 1976, o Poljot Okean representa um marco monumental na relojoaria soviética e um fascinante artefacto da Guerra Fria. Concebido exclusivamente para os oficiais da Marinha Soviética (??????-??????? ???? ????), o Okean (russo para 'Oceano') não era um relógio de consumo, mas sim uma ferramenta de precisão robusta, projetada para suportar as duras condições do serviço naval. A sua importância transcende a sua função militar; o Okean foi o veículo de estreia do lendário calibre 3133, um movimento cronógrafo que se tornaria a espinha dorsal da cronometragem soviética e russa por mais de três décadas. A sua filosofia de design é eminentemente funcional, com um mostrador de alta legibilidade, uma caixa de aço resistente e a complicação única de uma luneta interna rotativa para registar um segundo fuso horário. Para os colecionadores, o Okean de 1976 é o Santo Graal dos cronógrafos soviéticos, encapsulando uma história de engenharia, geopolítica e inovação. A sua estética distinta, com o mostrador prateado, detalhes em azul e ponteiros vermelhos vibrantes, juntamente com a sua herança militar exclusiva, cimenta o seu estatuto como um dos relógios-ferramenta mais significativos e cobiçados do século XX.

HISTÓRIA

A história do Poljot Okean é indissociável do contexto tecnológico e político da Guerra Fria. Em meados da década de 1970, as forças armadas soviéticas necessitavam de um sucessor moderno e mais robusto para o envelhecido cronógrafo Strela, que era alimentado pelo calibre 3017 (uma derivação do Venus 150). A oportunidade surgiu quando a indústria relojoeira suíça enfrentava a 'Crise do Quartzo'. A Valjoux S.A., um dos mais renomados fabricantes de movimentos, estava a descontinuar o seu fiável calibre de corda manual 7734 para se concentrar no novo calibre automático 7750. Numa transação histórica, a Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo, conhecida como Poljot, adquiriu a totalidade da maquinaria, das ferramentas e dos planos técnicos do Valjoux 7734. Este não foi um ato de simples cópia, mas uma transferência tecnológica completa que permitiu aos engenheiros soviéticos dominar e evoluir o design. O resultado foi o calibre 3133. Os engenheiros russos aprimoraram a arquitetura suíça, aumentando a frequência de 18.000 para 21.600 vibrações por hora para maior precisão e redesenhando a alavancagem para melhorar a resistência ao choque. Mais significativamente, aumentaram o número de rubis de 17 para 23, reforçando a durabilidade dos pontos de pivô cruciais. Em 1976, este novo e formidável movimento fez a sua estreia em três relógios icónicos, cada um destinado a um ramo específico: o Sturmanskie para a Força Aérea, um modelo civil para o mercado geral e, o mais distinto de todos, o Okean para a Marinha. O Okean de primeira geração (1976-c.1983) era estritamente para emissão militar. A sua identidade visual era única: uma caixa de aço em forma de almofada, o mostrador prateado com escalas taquimétrica e telemétrica em azul, e uma luneta interna rotativa, operada por uma coroa adicional às 9 horas – uma funcionalidade prática para oficiais navais que não estava presente no seu homólogo da Força Aérea. Os fundos de caixa eram gravados com o emblema da Marinha Soviética, solidificando o seu estatuto como equipamento oficial. Estes primeiros exemplares são os mais procurados pelos colecionadores, identificáveis pelo movimento de quatro dígitos numerado, pela ausência de um botão de ajuste rápido da data e pelo texto cirílico '?????' no mostrador. Com o passar dos anos e a abertura gradual da União Soviética, versões posteriores do Okean foram produzidas para o mercado civil, muitas vezes com texto em latim ('Okeah') e fundos de caixa genéricos. O legado do Okean é imenso. Ele não só provou a capacidade da indústria relojoeira soviética de produzir cronógrafos de classe mundial, como também o calibre 3133 se tornou uma lenda, alimentando relógios usados por cosmonautas no espaço e tornando-se um símbolo de fiabilidade e engenho mecânico que perdurou até ao século XXI.

CURIOSIDADES

O calibre 3133, que estreou no Okean, tornou-se o movimento de eleição para os cosmonautas soviéticos e russos, voando em inúmeras missões Soyuz e sendo usado na estação espacial Mir. É considerado o 'Speedmaster' russo. O nome 'Okean' (?????), que significa 'Oceano' em russo, é uma referência direta e inequívoca ao seu propósito como um relógio de dotação para a Marinha Soviética. A coroa posicionada às 9 horas, que controla a luneta interna de 12 horas, é uma característica distintiva do Okean, adicionando uma funcionalidade de segundo fuso horário ou de temporizador que o diferencia do seu 'irmão' da Força Aérea, o Sturmanskie. Os exemplares originais de 1976 a 1983 nunca foram vendidos ao público. Eram propriedade do governo e emitidos a oficiais, tornando os exemplares sobreviventes em bom estado extremamente raros e valiosos para colecionadores. Enquanto o Okean era para a Marinha e o Sturmanskie para a Força Aérea, um terceiro modelo com o calibre 3133, simplesmente marcado como 'Poljot', foi criado para o mercado civil e para membros do partido, completando a 'santíssima trindade' dos cronógrafos 3133 originais. Colecionadores identificam as primeiras e mais desejáveis versões do Okean procurando por movimentos com um número de série de apenas quatro dígitos estampado na ponte do cronógrafo. No início dos anos 2000, a empresa Volmax produziu uma aclamada reedição chamada 'Okean Final Edition', que, embora não seja um original vintage, foi fundamental para reavivar o interesse mundial por este design icónico.

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