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Orient Mon Bijou de 1991: A Transparência Visionária que Democratizou a Relojoaria Esqueletizada


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Um relógio totalmente esqueletizado (skeleton) alojado em uma caixa transparente, demonstrando a capacidade da Orient de produzir relógios esteticamente complexos a preços acessíveis.

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RESUMO

Lançado em 1991, o Orient Mon Bijou representa um momento de ousadia e inovação notáveis na história da relojoaria japonesa. Numa era em que a indústria suíça reafirmava o domínio do luxo mecânico pós-crise do quartzo, a Orient escolheu um caminho radicalmente diferente. Em vez de competir em termos de metais preciosos ou complicações tradicionais, a marca apresentou uma proposta de valor focada na pura espetacularidade visual: um movimento mecânico totalmente esqueletizado, alojado não em ouro ou aço, mas numa caixa de resina completamente transparente. O Mon Bijou não era um relógio de ferramenta; era uma peça de declaração, uma escultura cinética de pulso concebida para um público que se maravilhava com a complexidade mecânica, mas que não dispunha dos recursos para adquirir um relógio esqueleto suíço. A sua filosofia de design era a da desconstrução e da exposição total, permitindo uma visão de 360 graus do seu calibre automático em funcionamento. Esta abordagem audaciosa não só demonstrou a capacidade técnica da Orient, mas também democratizou uma estética até então reservada à alta relojoaria, solidificando o seu legado como uma marca que combina de forma única a fiabilidade mecânica com uma criatividade destemida e acessível. O Mon Bijou é, portanto, uma peça seminal, um precursor conceptual das tendências de caixas transparentes que surgiriam décadas mais tarde no segmento de ultra-luxo.

HISTÓRIA

O surgimento do Orient Mon Bijou em 1991 deve ser compreendido no contexto do renascimento da relojoaria mecânica. Após a avassaladora 'Crise do Quartzo' dos anos 70 e 80, o interesse pelos movimentos mecânicos ressurgia, mas agora enquadrado como um artigo de luxo e arte, uma antítese à precisão fria e descartável do quartzo. A Orient, uma gigante japonesa conhecida pela produção em massa de relógios mecânicos robustos e acessíveis, identificou uma oportunidade única. Em vez de imitar a fórmula suíça de metais preciosos, a marca decidiu celebrar a mecânica de uma forma disruptiva. O nome, 'Mon Bijou' – 'Minha Joia' em francês – foi uma declaração de intenções, posicionando o relógio não como um instrumento para medir o tempo, mas como um objeto pessoal de adorno e fascínio. A verdadeira genialidade do modelo de 1991 residiu na sua caixa. Enquanto a Orient já produzia movimentos esqueletizados, baseados no seu fiável calibre da série 46 (introduzido em 1971), a decisão de alojá-lo numa caixa de resina transparente foi um golpe de mestre. Esta escolha de material, mais associada a relógios de moda ou digitais da época, foi radical para um relógio mecânico. Levou o conceito de 'esqueleto' ao seu extremo lógico, tornando não apenas o movimento, mas todo o relógio, numa vitrine transparente. O design evoluiu pouco durante o seu período de produção principal, sendo as variações mais notáveis as que combinavam a caixa de resina com elementos banhados a ouro, como as asas, a coroa e o anel do mostrador, criando um contraste fascinante entre o clássico e o ultramoderno. Para os colecionadores, o Santo Graal é o modelo totalmente transparente, idealmente com a resina ainda cristalina e sem fissuras – uma raridade crescente, dado o envelhecimento natural do material ao longo de três décadas. O impacto do Mon Bijou foi profundo. Internamente, consolidou a reputação da Orient como uma marca inovadora, capaz de produzir peças de grande apelo estético a um preço que desafiava a lógica do mercado. Para a indústria em geral, foi um precursor notável. Décadas antes de marcas como Richard Mille e Hublot tornarem as caixas de safira e materiais compósitos transparentes um símbolo de status de seis dígitos, a Orient demonstrou a viabilidade e o fascínio do conceito para um público global. O Mon Bijou não foi apenas um relógio; foi um manifesto de design que provou que a complexidade relojoeira podia ser divertida, acessível e corajosamente moderna.

CURIOSIDADES

O nome 'Mon Bijou' é francês para 'Minha Joia', posicionando o relógio explicitamente como um objeto de arte e adorno, e não como um mero instrumento. Na comunidade de colecionadores, é frequentemente apelidado de 'Crystal Orient' ou 'Ghost' (Fantasma), em referência direta à sua icónica caixa transparente. O material da caixa, uma resina de policarbonato, era revolucionário para um relógio mecânico em 1991, mas hoje representa um desafio para os colecionadores, pois pode amarelar ou tornar-se quebradiço com a exposição aos raios UV, tornando os exemplares bem preservados muito cobiçados. O movimento esqueletizado é uma variante do calibre da série 46 da Orient, uma das famílias de movimentos automáticos mais duradouras e produzidas em massa da história, introduzida em 1971 e famosa pela sua robustez lendária. Numa época em que o luxo era sinónimo de ouro e platina, a escolha de uma caixa de 'plástico' foi uma declaração de design pós-moderna e contracultural, priorizando a transparência e o espetáculo visual sobre a preciosidade material. O conceito de uma caixa de relógio totalmente transparente foi posteriormente explorado no segmento de ultra-luxo por marcas como a Richard Mille, cujos relógios com caixa de safira custam centenas de milhares de dólares, tornando o Mon Bijou um ancestral conceptual notavelmente acessível. Muitas das versões mais interessantes foram inicialmente lançadas como modelos para o Mercado Doméstico Japonês (JDM), o que aumenta a sua raridade e apelo no mercado internacional.

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