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Longines Skin Diver Ref. 6921 (1958): O Gênese Subaquático de Saint-Imier e a Raridade do Caso Nautilus


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O primeiro relógio de mergulho oficial da Longines, apresentando a caixa Nautilus de 40mm e o Calibre automático 19AS. Precursor do Legend Diver.

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RESUMO

O Longines Skin Diver Ref. 6921, lançado em 1958, representa um marco monumental na história da horologia suíça, sendo o primeiro relógio de mergulho dedicado produzido pela manufatura de Saint-Imier. Nascido na era de ouro da exploração subaquática, este modelo foi a resposta direta da Longines ao crescente fenômeno do mergulho recreativo e profissional, posicionando-se contra titãs contemporâneos como o Rolex Submariner e o Blancpain Fifty Fathoms. Diferente de seus sucessores, o Ref. 6921 não utilizou a caixa Super Compressor de duas coroas, mas sim uma robusta caixa 'Nautilus' de 40mm fabricada pela Ervin Piquerez S.A. (EPSA), caracterizada por uma única coroa e um bisel externo rotativo. Equipado com o lendário Calibre automático 19AS, este relógio combinava elegância utilitária com precisão cronométrica. A sua estética é definida por um mostrador preto texturizado, índices com material luminescente à base de rádio envelhecido e, mais notavelmente, o ponteiro das horas 'broad arrow', que garantia legibilidade crítica nas profundezas. Hoje, o 6921 é consideravelmente mais raro que o famoso Legend Diver, servindo como o "santo graal" para colecionadores da marca e a inspiração direta para as reedições da linha Heritage Skin Diver.

HISTÓRIA

A história do Longines Skin Diver Ref. 6921 é inseparável do contexto geopolítico e cultural do final da década de 1950. O mundo estava a descobrir os oceanos, impulsionado pelas invenções de Jacques-Yves Cousteau e Émile Gagnan. Enquanto marcas como Blancpain e Rolex já haviam estabelecido o padrão para relógios de mergulho no início da década, a Longines, uma casa tradicionalmente associada à aviação e cronometragem desportiva, entrou neste novo teatro de operações com uma abordagem meticulosa em 1958. O desenvolvimento do Ref. 6921 não foi apenas uma tentativa de capturar quota de mercado, mas uma afirmação de engenharia. O coração deste relógio era o Calibre 19AS. Introduzido no início dos anos 50, este movimento automático de rotor central era conhecido pela sua robustez e eficiência de corda, derivado da arquitetura do calibre 19A. Para um relógio de mergulho, onde a estanqueidade é vital e a manipulação da coroa deve ser minimizada para evitar desgaste das juntas, um movimento automático fiável era um pré-requisito obrigatório. A Longines encamisou este movimento numa estrutura de 40mm, uma dimensão considerada sobredimensionada para os padrões da época, mas necessária para a visibilidade subaquática. A caixa, fornecida pela especialista EPSA (Ervin Piquerez S.A.), é o ponto de divergência técnica mais fascinante. Enquanto a Longines ficaria famosa mais tarde pelo uso das caixas 'Super Compressor' (com duas coroas e bisel interno) no modelo Legend Diver Ref. 7042, o Skin Diver 6921 utilizou a caixa 'Nautilus'. Este design apresentava uma única coroa e um bisel externo rotativo feito de baquelite delicada. A escolha da baquelite, embora esteticamente agradável e legível, provou-se o calcanhar de Aquiles do modelo ao longo das décadas; encontrar um exemplar hoje com o bisel intacto é uma proeza numismática. Visualmente, o 6921 estabeleceu uma linguagem de design austera e funcional. O ponteiro das horas em formato de seta larga ('broad arrow') não era um mero floreado estilístico, mas uma ferramenta para distinguir inequivocamente as horas dos minutos em ambientes de baixa luminosidade. O mostrador, saturado com rádio, brilhava intensamente, embora hoje represente um perigo geiger para os restauradores. O reinado do Ref. 6921 foi breve. A rápida evolução da tecnologia de caixas de mergulho levou a Longines a adotar o design Super Compressor pouco tempo depois, o que resultou na descontinuação do 6921 após um curto período de produção. Esta brevidade, aliada ao uso intenso a que estes relógios 'ferramenta' foram submetidos, torna o Skin Diver original um dos relógios mais raros e historicamente significativos do catálogo da Longines. Ele não é apenas um relógio; é o ancestral direto de toda a linhagem desportiva aquática da marca, o 'Paciente Zero' da Longines no fundo do mar.

CURIOSIDADES

1. O nome 'Nautilus' refere-se à patente específica da caixa estanque da EPSA utilizada neste modelo, e não tem qualquer relação com o modelo homónimo da Patek Philippe lançado décadas depois. 2. É amplamente considerado o relógio mais difícil de encontrar em boas condições entre os mergulhadores vintage da Longines, superando em raridade o famoso Legend Diver (Ref. 7042). 3. O bisel original de baquelite é notoriamente frágil; muitos exemplares sobreviventes possuem biseis rachados ou substituídos por versões de alumínio posteriores. 4. O Calibre 19AS utilizado possui um sistema de carregamento indireto de segundos, o que resulta num movimento do ponteiro de segundos com um charme mecânico distinto e ligeiramente 'gaguejante' sob inspeção macro. 5. O Ref. 6921 foi o modelo exato digitalizado e replicado pela Longines para o lançamento da reedição 'Heritage Skin Diver' em 2018, provando a intemporalidade do seu design. 6. Ao contrário dos relógios modernos, a coroa original do 6921 não era roscada na mesma configuração moderna, confiando na pressão da água e em juntas de borracha robustas para selar o mecanismo.

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