RESUMO
O Breguet Classique Phase de Lune Ref. 7137 representa a quintessência da alta relojoaria tradicional, uma ponte direta entre o génio de Abraham-Louis Breguet e o colecionador contemporâneo. Posicionado no ápice do mercado de relógios de cerimónia (dress watches), este modelo não é um mero instrumento para ver as horas, mas sim uma tela para a exibição de métiers d'art. A sua filosofia de design é uma adesão devota aos códigos estéticos estabelecidos há mais de dois séculos: a elegante caixa com a sua distintiva carrura canelada, as asas de bracelete soldadas, os icónicos ponteiros de 'pomme évidée' e, acima de tudo, o mostrador em ouro maciço, trabalhado à mão com uma mestria inigualável de guilloché. A atualização de 2020, em particular, solidificou o seu status como uma obra-prima evolutiva. Ao introduzir novos padrões de guilloché e a arrojada opção de um mostrador em 'Azul Breguet', a marca demonstrou a sua capacidade de refinar a perfeição, tornando o 7137 ainda mais cativante. A sua importância reside na sua capacidade de encapsular a história, a arte e a inovação técnica num formato de elegância intemporal, apelando a um público que valoriza não apenas a mecânica, mas a alma e a linhagem histórica de um relógio.
HISTÓRIA
A história do Breguet Classique 7137 é uma narrativa de linhagem e refinamento, um diálogo contínuo com o passado glorioso da marca. As suas raízes não se encontram numa referência de pulso, mas sim numa obra-prima do século XVIII: o relógio de bolso Breguet No. 5. Vendido em 1794 ao Conde Journiac-Saint-Méard, este relógio de bolso Perpétuelle (automático) já exibia um layout de mostrador assimétrico com indicação de reserva de marcha e fases da lua, estabelecendo um arquétipo estético que se provaria intemporal. Esta disposição, notável pela sua clareza e equilíbrio visual, tornou-se a inspiração direta para a família de relógios de pulso que se seguiria.
A transição para o pulso começou na era pós-quartzo, sob a liderança dos irmãos Chaumet e, posteriormente, da Investcorp, que procuravam reavivar a herança da Breguet. O antecessor direto, o Ref. 3130, foi lançado em meados dos anos 80, seguido pelo mais refinado e ligeiramente maior Ref. 3137. Este último tornou-se um pilar da coleção Classique durante décadas, celebrando a arte do guilloché e das complicações poéticas que definiram a marca. O 3137 era, em si, uma obra de arte, mas a relojoaria, tal como a própria arte, evolui.
A referência 7137 sucedeu ao 3137, mantendo as proporções clássicas, mas foi a atualização de 2020 que marcou o capítulo mais significativo da sua história moderna. Em vez de uma revolução, a Breguet optou por uma evolução sublime, focando-se no elemento mais icónico do relógio: o seu mostrador. A marca decidiu elevar a arte do guilloché a um novo patamar de complexidade e diversidade. O familiar padrão 'Clous de Paris' foi mantido na secção central, mas os sub-mostradores foram completamente reimaginados. A indicação da reserva de marcha recebeu o intrincado padrão 'panier maillé' (tecelagem de cesto), enquanto o indicador de data adotou o padrão 'damier' (tabuleiro de xadrez). Esta diferenciação textural não só melhorou a legibilidade, como também criou uma profundidade visual e um dinamismo sem precedentes. Adicionalmente, o disco das fases da lua foi redesenhado com uma lua martelada à mão, conferindo-lhe um realismo impressionante contra um céu de laca azul. A maior surpresa, no entanto, foi a introdução de uma versão em ouro branco com um mostrador 'Azul Breguet', uma cor profunda e rica que ofereceu uma alternativa contemporânea e ousada ao tradicional mostrador prateado. Este lançamento de 2020 não foi apenas uma atualização estética; foi uma afirmação poderosa do domínio da Breguet sobre os seus ofícios históricos e da sua relevância contínua no século XXI.
CURIOSIDADES
O layout assimétrico do mostrador do 7137 é uma homenagem direta ao histórico relógio de bolso Breguet No. 5, fabricado em 1794.
A atualização de 2020 introduziu, pela primeira vez nesta referência, o padrão de guilloché 'Panier Maillé' (tecelagem de cesto) no indicador de reserva de marcha, uma técnica de gravação notoriamente difícil de executar.
A lua no indicador de fases da lua não é simplesmente impressa; é martelada à mão para criar uma superfície texturizada e realista, um detalhe que evidencia o artesanato extremo da marca.
Apesar das suas complicações clássicas, o Calibre 502.3 QSE1 incorpora tecnologia de ponta, como uma mola de balanço e paletas do escape em silício, melhorando a precisão e a resistência a campos magnéticos.
Como é tradição da Breguet, cada mostrador do 7137 ostenta uma 'assinatura secreta' gravada, quase invisível a olho nu, perto do numeral XII, uma medida anti-falsificação originalmente desenvolvida por A.-L. Breguet no final do século XVIII.
O Calibre 502.3 é um movimento ultra-fino, com apenas 3.8mm de espessura, uma proeza conseguida em parte pela utilização de um rotor de corda descentralizado, visível através do fundo de safira.
A cor 'Azul Breguet' não é uma laca, mas sim o resultado de um complexo processo de galvanização sobre o mostrador de ouro maciço, garantindo uma profundidade e uniformidade de cor excecionais.