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Seiko Super de 1950: O Marco da Precisão Japonesa com o Revolucionário Segundeiro Central Direto


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Primeiro relógio da marca com segundeiro central acionado diretamente pela quarta roda (sem pinhão indireto), superando a precisão dos modelos anteriores Banana. Calibre S.

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RESUMO

Lançado em 1950, o Seiko Super representa um ponto de viragem fundamental na história da relojoaria japonesa. Numa era de reconstrução e inovação pós-guerra, a Seiko procurava libertar-se dos designs de antes da guerra e estabelecer uma nova base de precisão e fiabilidade. O Super foi a sua audaciosa declaração de intenções. Posicionado como um relógio de vestir elegante e moderno para o profissional japonês, o seu principal objetivo não era a performance em desportos ou mergulho, mas sim a excelência cronométrica na vida quotidiana. A sua filosofia de design era de uma clareza funcional e uma modernidade discreta, afastando-se das caixas mais pequenas e dos mostradores de segundos subsidiários do passado. A importância monumental do Super reside na sua inovação técnica: foi o primeiro relógio da Seiko a apresentar um ponteiro de segundos central acionado diretamente pela quarta roda do movimento. Esta arquitetura, superior ao sistema indireto propenso a vibrações do seu predecessor (o modelo 'Banana'), eliminou a trepidação do ponteiro e melhorou drasticamente a precisão e a durabilidade. O Seiko Super não foi apenas um relógio; foi o alicerce técnico e a prova de conceito que permitiram o desenvolvimento de futuros ícones como o Seiko Marvel e, por fim, o Grand Seiko, solidificando o seu lugar como um capítulo indispensável na ascensão da Seiko ao domínio da relojoaria global.

HISTÓRIA

No alvorecer da década de 1950, o Japão estava imerso num período de intensa reconstrução e rápido avanço industrial. A Seiko, já um nome estabelecido no mercado interno, sentiu a necessidade imperiosa de inovar para além das suas arquiteturas de movimento pré-guerra. Os relógios da época frequentemente utilizavam movimentos com pequenos segundos subsidiários ou, quando apresentavam segundos centrais, recorriam a um sistema de acionamento indireto. Este era o caso do antecessor direto do Super, um modelo que os colecionadores apelidaram de 'Banana' devido à forma curva da sua ponte de movimento. O sistema indireto do 'Banana' adicionava engrenagens extra sobre a platina base para mover o ponteiro dos segundos para o centro, uma solução que era funcionalmente inferior, muitas vezes resultando numa ligeira trepidação ou 'vibração' do ponteiro dos segundos e numa potencial perda de precisão ao longo do tempo. O Seiko Super, introduzido em 1950, foi a resposta decisiva e elegante a este desafio técnico. O seu coração era o recém-desenvolvido Calibre S, uma obra-prima de engenharia para a época. A sua arquitetura foi concebida de raiz para ter uma quarta roda central, que completa uma rotação por minuto e na qual o ponteiro dos segundos é montado diretamente. Esta construção de acionamento direto era inerentemente mais estável, mais eficiente na transmissão de energia e, crucialmente, mais precisa. Simbolizava a transição da Seiko de adaptação para inovação pura. O design do Super refletia esta modernidade interna. Com uma caixa ligeiramente maior do que os seus predecessores e um mostrador limpo e aberto, dominado pelo suave deslizar do ponteiro central dos segundos, o relógio parecia e sentia-se contemporâneo. Embora a produção do Super não tenha durado décadas como a de outros ícones, o seu período de fabrico, de 1950 até cerca de 1956, viu uma variedade de designs de mostradores e caixas, desde caixas cromadas mais acessíveis até versões banhadas a ouro e as cobiçadas variantes em aço inoxidável. O Seiko Super não deve ser visto como um modelo isolado, mas como a ponte essencial na cronologia da Seiko. Foi um sucesso comercial e um triunfo técnico que deu à empresa a experiência e a confiança para dar o passo seguinte. A precisão, a durabilidade e a eficiência de fabrico aprendidas com o Calibre S foram diretamente canalizadas para o desenvolvimento do revolucionário Seiko Marvel em 1956, um relógio que superou o Super em todos os aspetos e que é amplamente considerado o início da era moderna da relojoaria da Seiko. Sem a base sólida estabelecida pelo Super, a jornada meteórica da Seiko em direção à criação do Lord Marvel, do Crown e, finalmente, do lendário Grand Seiko, seria impensável. O Super foi o herói anónimo, a faísca que acendeu a chama da excelência que viria a definir a marca nas décadas seguintes.

CURIOSIDADES

O nome 'Super' foi uma jogada de marketing deliberadamente simples e poderosa, comunicando diretamente aos consumidores que este modelo era tecnicamente superior aos seus antecessores. Embora a maioria dos modelos tivesse caixas de latão cromado ou banhado a ouro, as versões com caixa integralmente em aço inoxidável são consideravelmente mais raras e muito valorizadas pelos colecionadores de Seiko vintage. O Calibre S do Super estabeleceu o padrão de design para os movimentos de três ponteiros da Seiko; o princípio do acionamento direto do segundeiro central tornou-se a norma para quase todos os seus calibres subsequentes. Nos mostradores, é comum encontrar o logótipo 'S' estilizado, uma marca registada da Daini Seikosha, a fábrica responsável pelo seu desenvolvimento, sendo por vezes apelidado pelos colecionadores de relógio 'S-Mark'. O Super foi um dos primeiros relógios a ser produzido em massa pela Seiko após a reorganização das suas fábricas no pós-guerra, representando um passo vital na recuperação e modernização da capacidade industrial da empresa. Este modelo é considerado o 'avô' espiritual do Grand Seiko, pois foi o primeiro passo concreto da Seiko na busca pela precisão cronométrica através de um design de movimento fundamentalmente superior, uma filosofia que culminaria no padrão 'Grand Seiko Standard'.

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