RESUMO
Em 2012, num cenário onde o conceito de 'smartwatch' ainda era incipiente e frequentemente associado à fragilidade e à necessidade de recargas diárias, a Casio apresentou uma proposta disruptiva: o G-Shock GB-6900. Este relógio não foi apenas mais um G-Shock; foi o manifesto da marca para a era conectada. Posicionado como uma ponte inteligente entre a relojoaria tradicional de quartzo e o futuro dos wearables, o seu público-alvo era o entusiasta do G-Shock que desejava funcionalidades modernas sem sacrificar a lendária durabilidade e a autonomia de bateria que definem a linha. A filosofia de design foi de uma evolução cuidadosa, não de uma revolução radical. Ao integrar a inovadora tecnologia Bluetooth Low Energy num dos chassis mais icónicos e amados da marca, o DW-6900, a Casio garantiu que a novidade tecnológica fosse apresentada de uma forma familiar e confiável. O GB-6900 não pretendia competir com os smartphones de pulso que se avizinhavam; pelo contrário, o seu propósito era aprimorar a experiência do relógio-ferramenta, oferecendo notificações discretas, sincronização de horário e a funcionalidade 'Phone Finder'. A sua importância histórica é imensa, pois estabeleceu o paradigma para todos os futuros G-Shocks conectados, provando que inteligência e resistência absoluta não eram mutuamente exclusivas e inaugurando um capítulo inteiramente novo na saga de 30 anos do relógio 'indestrutível'.
HISTÓRIA
O G-Shock GB-6900, lançado em 2012, representa um dos pontos de inflexão mais significativos na história moderna da Casio. A sua génese ocorreu num momento crucial para a indústria relojoeira, quando a ascensão dos smartphones começou a alimentar especulações sobre uma nova categoria de dispositivos: os smartwatches. Enquanto muitas marcas tradicionais observavam com ceticismo, a Casio, com o seu ADN profundamente enraizado na eletrónica de consumo, viu uma oportunidade de inovar nos seus próprios termos. O desafio era monumental: como integrar funcionalidades 'inteligentes' num G-Shock sem comprometer os seus pilares sagrados de resistência absoluta e autonomia de longa duração? A resposta veio com o advento do Bluetooth 4.0, também conhecido como Bluetooth Low Energy (BLE). Esta tecnologia permitiu, pela primeira vez, uma comunicação de baixo consumo energético entre o relógio e um smartphone, viabilizando uma autonomia de bateria de cerca de dois anos com uma única célula CR2032, um feito impensável para os smartwatches da época que exigiam recargas diárias.
Estrategicamente, a Casio não desenvolveu um novo design para este marco tecnológico. Em vez disso, escolheu um dos seus designs mais emblemáticos e reconhecíveis: o da série 6900, introduzido originalmente em 1995 com o DW-6900. A sua estética robusta, com o proeminente botão de luz frontal e os três indicadores gráficos no topo do mostrador (apelidados de 'three-eyed monster' ou 'três olhos'), era um ícone cultural. Ao colocar o seu módulo conectado mais avançado (o Calibre 3409) dentro deste corpo familiar, a Casio transmitiu uma mensagem poderosa: isto é uma evolução, uma melhoria do G-Shock que já conhece e ama. A primeira geração do GB-6900 oferecia um conjunto de funcionalidades focado na utilidade e não na complexidade: sincronizava a hora com a precisão atómica do telefone, alertava o utilizador para chamadas e e-mails recebidos através de vibração e bipes, e incluía a popular função 'Phone Finder'.
O impacto do GB-6900 foi imediato e profundo. Ele não só validou o conceito de 'relógio conectado' para a Casio, como também estabeleceu um novo subgénero no mercado: o do relógio-ferramenta robusto e conectado. O seu sucesso abriu caminho para uma rápida evolução. Logo no ano seguinte, em 2013, a Casio lançou os modelos GB-6900B e GB-X6900B, equipados com um módulo atualizado que expandia a compatibilidade para mais smartphones Android e adicionava controlos de música, uma funcionalidade muito solicitada. Embora o GB-6900 original possa parecer funcionalmente simples pelos padrões atuais, o seu legado é inegável. Ele foi o 'Mark I' da era G-Shock Connected, a prova de conceito que deu à Casio a confiança para explorar integrações mais complexas, como GPS, monitorização de ritmo cardíaco e, eventualmente, sistemas operativos completos como o Wear OS. Para os colecionadores, o GB-6900 de 2012 não é apenas um relógio; é o artefacto histórico que assinala o momento em que o G-Shock olhou para o futuro digital e o abraçou, redefinindo mais uma vez o significado de um relógio de pulso moderno.
CURIOSIDADES
O GB-6900 foi uma das grandes estrelas da Consumer Electronics Show (CES) de 2012, gerando um enorme interesse tanto na imprensa de tecnologia como na de relojoaria, servindo de ponte entre dois mundos.
Uma das suas características mais elogiadas e práticas na altura foi a função 'Phone Finder', que permitia fazer o smartphone tocar ao pressionar um botão no relógio, resolvendo um problema diário para muitos utilizadores.
A sua impressionante autonomia de dois anos com uma única pilha CR2032 foi o seu maior trunfo de marketing contra os primeiros smartwatches, que mal duravam um dia com uma carga.
O lançamento inicial teve uma compatibilidade de software notoriamente limitada, funcionando primariamente com o iPhone 4S e o iPhone 5. O suporte para Android foi expandido significativamente nos modelos sucessores.
Foi um dos primeiros G-Shocks a incorporar um motor de vibração, permitindo notificações silenciosas e discretas, uma funcionalidade que se tornou padrão em muitos modelos digitais posteriores.
A escolha do design icónico da série 6900 foi uma decisão deliberada para garantir que, apesar da nova tecnologia, o relógio fosse imediatamente reconhecido pelos fãs como um 'verdadeiro' G-Shock.
Embora não tenha um apelido universal como 'Frogman' ou 'Mudmaster', é frequentemente referido na comunidade de colecionadores como o 'Primeiro G-Shock Bluetooth' ou 'O G Conectado Original', denotando o seu estatuto de pioneiro.