RESUMO
Lançado em 1999, no auge da experimentação tecnológica da Casio, o G-Shock Lungman DWG-100 representa um momento seminal na história da relojoaria e da tecnologia vestível. Este não era apenas mais um relógio indestrutível; foi uma declaração audaciosa, o primeiro G-Shock a incorporar um sensor de pulso por infravermelhos diretamente na sua estrutura, eliminando a necessidade de faixas peitorais incómodas. O seu público-alvo era claro e exigente: triatletas, corredores de maratona e entusiastas do fitness que necessitavam de uma ferramenta de treino robusta e fiável, capaz de monitorizar os seus sinais vitais nas condições mais extremas. A filosofia de design do Lungman era radicalmente orientada pela função. A sua caixa assimétrica e a bracelete especializada foram meticulosamente concebidas para garantir um contacto firme e constante do sensor com a pele, uma proeza de engenharia ergonómica. A sua importância transcende o universo G-Shock; o Lungman foi um precursor visionário dos smartwatches modernos, demonstrando, mais de uma década antes, a viabilidade de integrar monitorização biométrica avançada num relógio de pulso. Para o colecionador, o DWG-100 não é apenas um relógio raro, mas um artefacto histórico que marca o ponto de convergência entre a cronometragem de alta performance e a ciência do desporto.
HISTÓRIA
No final da década de 1990, a Casio G-Shock já não era apenas uma marca de relógios, mas um fenómeno cultural global. Consolidada a sua reputação de resistência absoluta, a marca embarcou numa era de inovação sem precedentes, explorando novas fronteiras com a integração de sensores avançados na sua linha 'Master of G'. Neste contexto de efervescência tecnológica, e com o boom do fitness a atingir o seu auge, a Casio identificou uma necessidade crítica no mercado: a criação de uma ferramenta de treino que aliasse a lendária durabilidade G-Shock à monitorização biométrica. A resposta, em 1999, foi o revolucionário Lungman DWG-100.
Até então, a medição da frequência cardíaca durante o exercício dependia de monitores com faixas peitorais, frequentemente desconfortáveis e pouco práticas. A ambição da Casio era monumental: integrar esta capacidade diretamente no relógio. O desafio técnico era imenso. Exigia não só miniaturizar a tecnologia de fotopletismografia (PPG) por infravermelhos, mas também garantir a sua precisão durante atividades físicas intensas. A solução encontrada foi um design holístico. O Lungman abandonou a simetria tradicional dos G-Shock em favor de uma forma orgânica, quase biomecânica, projetada para se moldar ao pulso. O fundo da caixa apresentava uma protuberância proeminente que albergava o sensor, enquanto a bracelete de resina, com um fecho de pino duplo, foi concebida para fixar o relógio de forma segura, minimizando o movimento e a interferência de luz externa, cruciais para uma leitura precisa.
O Lungman não se tornou uma série perene como o Frogman ou o Mudman. A sua produção foi relativamente curta, possivelmente porque a tecnologia era dispendiosa e o seu nicho de mercado muito específico. No entanto, o seu legado é incalculável. Ele estabeleceu o princípio de que um relógio de pulso poderia ser um centro de dados de saúde e fitness, uma ideia que só se tornaria dominante com a ascensão dos smartwatches muitos anos depois. O DWG-100 foi a prova de conceito, um vislumbre do futuro da tecnologia vestível, encapsulado numa concha de resina indestrutível.
Para os colecionadores, o Lungman é uma peça de enorme importância. As suas variantes são poucas, mas distintas. A referência principal é a DWG-100-1, em preto clássico. Existem também versões mais raras, como a DWG-100-9, com uma caixa de resina translúcida ('jelly'), e uma cobiçada edição especial 'Men In Black'. Encontrar um exemplar em bom estado de conservação é um desafio, pois a resina da época é suscetível à degradação ('resin rot'). Contudo, o seu estatuto como o primeiro G-Shock com sensor de pulso confere-lhe um lugar de honra no panteão da Casio, celebrando-o não como um sucesso comercial duradouro, mas como um triunfo da inovação e da visão de futuro.
CURIOSIDADES
O apelido 'Lungman' foi escolhido para evocar imagens de capacidade cardiovascular e resistência pulmonar, alinhando-se perfeitamente com o seu público-alvo de atletas de endurance.
A tecnologia do sensor, baseada na fotopletismografia (PPG), utiliza luz infravermelha para detetar alterações no volume sanguíneo dos capilares do pulso. É o mesmo princípio fundamental usado pelos mais sofisticados smartwatches e fitness trackers atuais.
Embora possua o nome e a função especializada característicos da série 'Master of G', existe um debate entre colecionadores sobre o seu estatuto 'oficial', pois o fundo da caixa não apresenta um dos tradicionais animais gravados (como o sapo do Frogman ou a toupeira do Mudman).
O design assimétrico não é meramente estético; foi uma necessidade de engenharia para posicionar o sensor de forma ótima no pulso e garantir a estabilidade necessária para leituras precisas durante o movimento.
A sua complexidade e o nicho de mercado fizeram com que tivesse uma produção limitada, tornando-o significativamente mais raro do que outros modelos G-Shock da mesma época.
O Lungman foi um dos primeiros relógios a armazenar dados detalhados de treino, permitindo aos atletas rever o histórico de sessões, incluindo a frequência cardíaca média, algo que se tornou standard em todos os dispositivos de fitness modernos.
Devido à sua importância histórica como precursor dos wearables de fitness, o Lungman é frequentemente referido em círculos de colecionadores como um 'grail watch' da era digital inicial da Casio.